Texto e fotos de Nathalia Molina
Deixei meu filho na escola e, para encarar este dia xexelento, parei na padaria para tomar um chocolate quente. Peguei o celular para dar uma fuçada enquanto me aquecia (até demais) com o leitinho matinal. Na página do Como Viaja! no facebook, dou de cara com a mensagem da Alexandra Swerts, uma figura querida que conheci em 2010 — fiz uma entrevista com ela e com as outras duas fundadoras do CineMaterna, Irene Nagashima e Taís Viana, para a revista Crescer. Elas tornaram possível mães e pais de bebês de até 18 meses irem ao cinema com as crianças, um trabalho muito bacana, já acessível em várias cidades brasileiras. Se você ainda não conhece a iniciativa desse trio, dá uma olhada no site da ONG e lê o perfil que escrevi, no link No escurinho do cinema (com os filhos).
Bem, mas e a mensagem da Alexandra?
Tem uma dica boa para viajar no final de semana?
Tem de ser perto de São Paulo e que seja bom mesmo com esse tempo meleca.
:O) se você ajudar, eu vou!
Xeque-mate. Cara, foi eu ler aquilo e dezenas de passeios começaram a passar pela minha cabeça, uns tantos que já fizemos com o nosso Joaquim, e outros muitos que ainda queremos fazer. “Nossa, mas à prova do tempo meleca é que são elas”, fiquei pensando encafifada desde então.
Por incrível que pareça, as primeiras opções que me vieram ficavam no litoral. Pode ser algum desejo enrustido, faz tempo que não vejo as ondas quebrando, sinto falta de ver e ouvir o mar. Também sou uma pessoa nada convencional, fomos passar uns dias no Guarujá em julho, quando todo mundo corre para a serra. Talvez por isso tenha logo lembrado dali. Meu filho amou ir ao Acqua Mundo e, quando chegamos ao aquário, estava chovendo. Não fez a menor diferença porque o passeio todo é coberto e no escurinho. Na época, ele tinha 2 anos. Não usa mais chupeta, mas segue gostando muito de ver bicho.
Está bem, mas isso se faz em um dia, combinado com um bom almoço. Ou a Alexandra faz um bate-volta ou, se for dormir pelo litoral — o que é sempre mais divertido e menos cansativo com crianças –, pode estender o passeio por Santos. A cidade vizinha tem o prédio da Bolsa do Café, com exposições interessantes como A Trajetória do Café no Brasil, atualmente em cartaz. Tudo a ver com a história de São Paulo. Escrevi sobre esse museu no post Café com arte. Da Praça Mauá, parte o bonde que passa por 40 pontos do centro histórico de Santos.
Meninos podem gostar de ir ao Memorial das Conquistas, do Santos. Entretanto, se os pais não forem santistas, talvez não seja indicado levar o garoto ao campo do adversário, ainda mais se tratando de gente do naipe de Pelé e Neymar. Melhor não lembrar ao garoto de que coisas como títulos e craques existem.
Tem um tempão em que estou querendo passar um fim de semana em Santos. A cidade oferece um monte de passeios que parecem bem legais para se fazer com crianças, como o Museu de Pesca (com o esqueleto de uma baleia e a simulação de um barco pirata), o Museu Marítimo (com objetos resgatados de naugráfios na costa brasileira) e o Museu do Mar (com esponjas e crustáceos expostos em painéis educativos). Se alguém já esteve num deles, conta para a gente se vale.
E NA SERRA? – Mas está frio e, dependendo se o nariz da criançada estiver escorrendo ou não, pode não ser uma boa ideia juntar céu nublado com maresia. Fiquei eu, então, pensando nessa missão impossível que a Alexandra me propôs. Já passei de 40 anos, só que ainda pareço uma criança inquieta, adoro um estímulo… As imagens passando em segundos na minha cabeça buscando opções na serra. Santo Antônio do Pinhal! Tudo de bom para passear pelas plantas temáticas do Jardim dos Pinhais (escrevi sobre ele em Subindo a serra) e ver a Festa da Orquídea, que está rolando por lá agora. Isso se o tempo ficar só nubladinho, sem chover. No centro da cidade há ainda o Caminho das Artes, sequência de ateliês de artistas locais. Hum, pode ser bacana com crianças maiores, as pequenas não costumam gostar de se enfiar em loja, por mais alternativa que seja.
Ah, mas tem um tipo de loja que a meninada adora. A de chocolate. E isso tem de sobra em Campos do Jordão, logo ali do lado. Ainda é uma boa época para ir à Vila Capivari com os pequenos — no auge da temporada fica insuportável (trato disso em Campos antes do inverno). Um passeio que as crianças podem curtir é pegar o trem em Campos para ir até Pinhal. Não serve com meio de transporte porque tem horário apertado para retornar, é só pela gostosa voltinha de trem pela serra mesmo (também falo dele em Subindo a serra).
Caso o sol resolva sair forte — é sempre bom pôr o protetor na mala porque sol de montanha costuma torrar quando aparece –, há muita atividade na natureza da Mantiqueira. De ver os picos mais famosos da região, como a Pedra do Baú, a um piquenique no Horto Florestal. Escrevi sobre esses programas em A natureza de Campos. Para quem curte parques ao ar livre, há o Centro de Lazer Tarundu e o Pesca na Montanha (este em São Bento do Sapucaí), com atividades pagas. Os dois oferecem trilhas, cavalgada e arvorismo, entre outras opções.
BATE-VOLTA – Se bater a dúvida até a última hora, a saída é fazer um passeio de um dia. Isso aconteceu várias vezes com a gente. Você fica naquela “Vale ou não vale pegar a estrada? E se chover?”. Aí no sábado abre o tempo. Se isso rolar com você, Alexandra, acorde bem cedo no domingão com os meninos e ponha o carro na estrada. Já fizemos 2 passeios assim que o Joaquim adorou.
O primeiro foi passar o dia numa fazendinha perto de São Paulo, em Cotia. Fomos ao Bichomania, bem afastado, acessível após uma estradinha de terra. No dia, estava um sol de rachar. O Joaquim não conseguiu descer no super-escorregador porque estava pelando de quente, mas curtiu muito ver os bichos e passar “um dia na fazenda”. No caminho, fica o PetZoo, logo na Estrada de Caucaia do Alto, aquela que sai da Rodovia Raposo Tavares. No dia, quando passamos por lá, estava lotado de carros e de flanelinhas sinalizando para estacionar — achamos um clima meio cidade demais… Pretendemos voltar outro dia.
O segundo foi pegar a Maria-Fumaça que liga Campinas a Jaguariúna. Existe a opção do caminho inverso. Não vale a pena porque não há nada para fazer na estação de Campinas. A melhor direção é mesmo tomar o trem rumo a Jaguariúna. Lá tem uns restaurantes para almoçar, além de feirinha e bancos no jardim. O trajeto é sempre ida-e-volta, a não ser que você tenha alguém para levar o carro até a outra cidade enquanto você faz o passeio. Seria ótimo porque os trechos são iguais. Mas não é ruim esperar pelo retorno em Jaguariúna, a estação é uma graça e está preparada para distrair os visitantes enquanto a locomotiva não parte.
Bem, esse é um dos vários posts que quero escrever aqui sobre passeios que já fizemos com o Joaquim. Estou devendo há tempos, Alexandra. Em breve, vou dar um jeito de escrevê-los. Promessa é dívida — beijo nos meus dedos cruzados.
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