Muro de Berlim: após a queda, minhas 2 viagens

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (13)

Texto e fotos de Nathalia Molina

Era 1992. O Muro tinha caído havia três anos, mas Berlim seguia visualmente dividida. Era clara a diferença quando se caminhava pelas ruas. O lado leste estava detonado.

Me lembro de ir a duas festas underground em prédios meio abandonados na antiga Berlim Oriental. O carimbo fluorescente na mão me garantia a entrada nos ambientes que se equilibravam num sobe-e-desce de escadas. Eu, com 21 anos, me equilibrava no alto do copo daquela gigante cerveja alemã, em temperatura ambiente – fria, era início de abril.

Minha tia (e madrinha) morava em Berlim e eu fui visitá-la. De dia, ela me levou a todos os pontos turísticos do lado ocidental, como a Potsdamer Platz. Dividida pelo Muro de Berlim, a praça começava a se reerguer como símbolo de uma cidade que queria se tornar uma novamente. Hoje a Potsdamer Platz é enorme e moderna.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (8)

Muro de Berlim, Queda, Viagem 1992 - Foto Nathalia Molina @ComoViajaUma das construções marcantes na minha memória era a Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche, igreja de torre bombardeada no comecinho da Kurfürstendamm, principal avenida do lado oeste de Berlim. Não vi em 2014 a gente de roupa preta e cabelo colorido sentada na escadaria da igreja marcada pela Segunda Guerra. Após 22 anos, voltei a Berlim em família, com meu marido, Fernando, e meu filho, Joaquim.

Durante os dias da minha primeira visita à cidade, caminhei muito pela Kurfürstendamm. Estive com a minha madrinha na KaDeWe, loja de departamento que segue funcionando na principal avenida do lado ocidental de Berlim. Também conheci o zoológico. Em 2014, estive no Berlin Zoo com meu pequeno de 5 anos.

Em 1992, o Reichstag não tinha metade do glamour atual entre os turistas, nem a belíssima cúpula de vidro. Afinal, foi exatamente em 1992 que decidiram que o prédio do parlamento alemão devia ser reconstruído. Lá dentro uma exposição mostrava num enorme mapa suspenso, com luzinhas coloridas, o avanço do domínio alemão na Europa durante a Segunda Guerra e sua consequente derrocada. Adorei ver aquela representação da evolução dos acontecimentos – naquele tempo, interatividade não era palavra-de-ordem; acho mesmo que nem existia como palavra.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (6)

Lembranças de Berlim Oriental

Agora em 2014 o verde do gramado diante do Reichstag se contrapôs à lembrança de uma praça feiosa de 22 anos antes. Bem, a memória pode estar me pregando uma peça, até porque a cidade não tinha passado por um planejamento urbano após a queda do Muro e ninguém podia sonhar com Google Maps para dar aquela ajudinha na hora de se localizar.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 1992 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3)Naquela espécie de largo, havia gente vestida com trajes típicos russos, tocando no asfalto ou dançando num palco armado ali para uma festa de rua. Em banquinhas vendiam matrioshkas. Foi ali que conheci as bonequinhas russas que se metem uma dentro da outra.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 1992 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2)

Seguimos caminhando para ver o Portão de Brandemburgo. A imagem da antiga porta da cidade, com aquele monte de gente festejando, é vista em dez entre dez reportagens sobre a queda do Muro de Berlim. E lá estava eu, três anos depois de ver o Branderbuger Tor pela televisão.

Ele também teve um papel marcante na nossa viagem em família em 2014. É ver a foto ou o desenho do monumento que nosso filho, Joaquim, exclama feliz: ‘É o Portão de Brandemburgo!’ Nossa visita foi um momento tão festivo entre nós que consegui registrar um instante lindo dele com o pai, Fernando, saltando diante do vão da porta.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3)

Nessa nossa visita a Berlim, nos hospedamos em Mitte, grande bairro da cidade, que em 1992 não tinha o tamanho e a importância turística que o bairro tem hoje.

Quando decidimos ir em família à Alemanha, eu sabia que veria uma outra cidade. Por ler muito sobre turismo e trabalhar em caderno de viagem de jornal, acompanhei as mudanças da capital alemã ao longo desses anos. Tinha muita curiosidade para voltar a Berlim e descobrir o que daquelas memórias de 22 anos atrás encontraria par com a realidade.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (10)Na Berlim Oriental de 1992, não havia o maravilhoso acervo da Ilha dos Museus (Museuminsel), uma das atrações mais conhecidas atualmente por quem aprecia cultura. Estive, sim, na Alexanderplatz e tirei a clássica foto, embaixo do relógio com horários de várias cidades — Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (11)feito repetido em 2014 com meu filhote.

Ali na praça comi currywurst, salsicha típica de Berlim. Me chamou a atenção o tamanho do pão. ‘Aqui na Alemanha o pão é praticamente para segurar a salsicha. Eles gostam mesmo é da salsicha’, me ensinou minha madrinha. Também subi com ela até o observatório da Torre de TV para ver Berlim do alto. A vista da Fernsehturm é bacana. Repeti a dose em 2014. Impressionante a diferença na organização e na sinalização que encontrei na atração agora.

Enfim, diante do Muro de Berlim

Nenhuma sensação, no entanto, foi para mim mais impactante que me ver cara a cara com o Muro de Berlim pela primeira vez. Tantas representações, ideais, vidas estampadas ali. Hoje sempre lembradas pelos visitantes pelas imagens do segmento eternizado na East Side Gallery, trecho do Muro com várias pinturas coloridas.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4) Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (9)

Na minha memória, segue vivo o preto no branco da contagem de mortos estampada sobre concreto em 1992. Gente que havia tentado transpor a barreira física que se estabeleceu entre dois mundos.

A emoção me tomou por estar ali, pela primeira vez, diante da história viva. Ainda por cima era minha estreia na Europa. E logo com Berlim. Eu que sempre me interessei por história, especialmente pelos acontecimentos do século 20. Nazismo, Segunda Guerra, Muro de Berlim. Tudo isso sempre me intrigou. Adolescente dos anos 1980, eu vivi o planeta rachado pela Guerra Fria, cujo ícone máximo era aquela cidade dividida.

Muro de Berlim, Queda, Viagem 1992 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4)

Pedaços do Muro eram vendidos em todo canto em 1992. Ninguém sabia se, de fato, originais. Hoje o assunto é tão bem explorado pelo Visit Berlin, responsável pela promoção turística da cidade, e tudo o que se refere à antiga barreira está tão estruturado (como só os alemães sabem fazer) que é possível comprar online um pedaço certificado do Muro.

Foi por meio de um daqueles pedaços (verdadeiros ou não) que meu marido teve contato pela primeira vez com o Muro. Muro de Berlim, Queda, Viagem 2014 - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2)Pouco depois do fim da divisão de Berlim, uma vizinha dele esteve na Alemanha e voltou para São Paulo com um fragmento da história. Ele conta que ficou impressionado. Não mais do que ao se deparar com o Muro ao vivo na nossa viagem em 2014.

Hoje, neste 9 de novembro histórico, quando a capital alemã celebra 25 anos da queda do Muro, nós dois passamos o dia com a cabeça em Berlim. Ah, como seria lindo estar lá para ver as 8.000 luzes demarcando 15 quilômetros do risco que partia a cidade. Para depois comemorar o simbolismo de ver tudo aquilo se apagar nos balões soltos no ar. Festejando o futuro. O que aconteceu nesse quarto de século e o que ainda está por vir.

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Como concorrer a uma viagem ao Chile: #EscapadaParaoChile

Chile - Foto Valeria Steffens-Turismo do Chile-Divulgação

Foto: Valeria Steffens/Turismo do Chile/Divulgação

Quem sempre teve curiosidade de conhecer o Chile pode começar indo à Avenida Paulista até o próximo sábado 8 de novembro. Lá é possível entrar num cubo gigante para assistir a uma apresentação audiovisual de pontos turísticos do país, como o Parque Nacional Torres del Paine, o Deserto do Atacama e a capital chilena, Santiago. E ainda dá para concorrer a uma viagem ao Chile.

Durante os três dias, quem tirar uma selfie com o cubo e publicar no Instagram, Twitter ou Facebook usando a hashtag #EscapadaParaoChile pode ganhar uma viagem com acompanhante. Quanto maior for o números de curtidas e comentários na foto, maior será a chance de o autor da postagem levar o prêmio. O roteiro de quatro dias inclui Santiago e visita aos vinhedos do Valle Central.

Instalado no número 1.842 do cartão postal mais famoso de São Paulo, em frente ao prédio da Justiça Federal, o imenso cubo vermelho é uma ação promovida pelo Turismo do Chile para atrair mais brasileiros para o país – em 2013, foram para lá em torno de 365 mil visitantes daqui.

Mais informações em escapadaparaochile.com.br.

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Munique: zoológico cheio de parquinhos para crianças

Texto e fotos de Nathalia Molina

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaEra um dia de sol daqueles que a gente pede quando pensa em ir ao zoológico. Céu azul, muito verde ao redor e bichos: trio animador para um gostoso passeio em família, especialmente quando se tem um filho de 5 anos. Mas o Tierpark Hellabrunn, zoológico de Munique, guardava bem mais à nossa espera.

Não apenas pela variedade de animais, mas pela estrutura do parque. O Hellabrunn foi um dos quatro zoológicos que visitamos durante nossa viagem à Alemanha. Todos excelentes programas para crianças.

Nosso Joaquim estava animadíssimo com a ideia de ver os ursinhos polares gêmeos que nasceram no zoológico de Munique no fim de 2013. Pinguim, leão, girafa e elefante também estavam na lista de desejos do nosso filhote.

Chegamos lá facilmente de metrô a partir da Marienplatz, a principal praça de Munique. Passamos pelo portão da entrada Isar, paramos na lojinha para garantir um boné para o filhote (lembra do sol?) e caminhamos livremente.

Visão geral: volta ao mundo com a bicharada

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (5)Plano, o Hellabrunn é uma delícia para andar e se perder. Se quiser. Porque a sinalização é muito eficiente e mostra de forma clara como se chegar até cada bicho que se quer ver. Nós tínhamos aquela missão a cumprir: ver os pequenos gêmeos polares.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (82)Pegamos o caminho à direita e seguimos toda vida, já espiando as atrações pelo trajeto. Urso de montanha, alce e rinoceronte. Tomamos um atalho e fizemos uma visitinha à dona zebra, sempre um sucesso aqui em casa.

Depois vimos outro astro predileto, o pinguim. Joaquim se parou diante do tanque e, encantado, acompanhou a movimentação. Com os olhos grudados no fofucho nadador, nosso menino foi seguindo com o rosto até a quina. Um encontro mágico aconteceu. Nariz com nariz os dois pareciam se comunicar. Muito doido. E claro que a mamãe aqui achou lindo.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (9) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (11) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (12) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (10)Visitamos depois  os leões-marinhos – em 26 de junho, depois da nossa visita, nasceu lá o bebê Otti; não deixe de conferir se for ao Hellabrunn. Aí, finalmente, o momento esperado.

Nela e Nobby estavam dormindo quando chegamos à área onde a dupla de ursinhos polares vive com a mãe, Giovanna. Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (58)Ao ar livre, o lugar estava rodeado de gente. Mas é grande o bastante para todo mundo ver os gêmeos. Cercado por vidro, o espaço permite uma boa visualização por todos os lados. Esperamos uns minutos atrás de duas fileiras de pessoas e logo conseguimos ficar de frente para os filhotes. Fofurice em grau máximo!

Depois de muito cuti-cuti, continuamos caminhando. Agora sem rumo certo. Curtimos o sol que vazava por entre as folhas das árvores à beira do rio. Balançamos em família ao atravessar a molenga ponte suspensa.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (100) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (104)

Com um ambiente de fato de parque, as alamedas do zoológico são muito bonitas. Com a vantagem de ‘se esbarrar’ nas áreas dos animais naturalmente.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (98) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4)

O Hellabrunn se orgulha de ter sido o primeiro geo-zoo do mundo, ou seja, um zoológico que exibe os animais de acordo com sua distribuição geográfica no globo. Aberto em 1911, expõe a bicharada de modo a promover uma volta ao mundo passando por diversos habitats.

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Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (44)As espécies ficam em espaços amplos. Em vários pontos, existem binóculos ou lunetas pagos (ao custo de 50 centavos ou 1 euro) para aproximar os visitantes dos animais, como numa experiência de safári.

Joaquim viu as girafas de pertinho assim. Um mirante de madeira fica ao lado do espaço das elegantes pescoçudas. Subimos e, lá em cima, depositamos a moeda para nosso menino apreciar as simpáticas, que fizeram o favor de comer folhas num ponto próximo.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (81)

Destaques: diversão completa e vários shows

Para quem curte mais do que simples contemplação, Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (103)o Hellabrunn oferece vários shows com animais, muitos deles durante a temporada da primavera ao outono. O desfile de leões-marinhos ocorre de maio a outubro, às 11h30 e às 14h30 (todos os dias, exceto às sextas). Há apresentação de elefantes diariamente às 14 horas, de abril a outubro.

Uma hora antes, durante o ano inteiro, é realizado o show com o falcão. Nós passamos por lá no horário, e achamos muito bonito o animal. Mesmo curiosos, era hora do almoço e a fome batia forte. Partimos, então para o restaurante principal do Hellabrunn.

Almoçamos ali, com nosso filhote de olho na hora de correr para brincar. O maior parquinho do zoológico fica bem ao lado do restaurante principal. Depois da última colherada, quem segurou Joaquim? O lugar tem um brinquedão de madeira com escorregas e parede de escalada.

Ao lado, redes embalam a garotada. Todo esse espaço montado no chá de terra diverte de bebês a crianças maiores. Um superescorrega atrai os mais velhos.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (56) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (63) Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (57)

Os parquinhos para a meninada fazem do zoológico de Munique um passeio completo para a família. Eles vão surgindo ao longo da caminhada pelo zoológico e possuem brinquedos de madeira e corda, integrados ao clima do entorno.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (16)

A alegria não para por aí. A garotada não sossega enquanto não experimenta também os brinquedos do enxuto parque de diversões, bem pertinho do restaurante principal (a região é o epicentro da felicidade infantil).

Entre as atrações pagas, é possível ir no carrossel ou na motoca motorizada. Joaquim arrastou o pai para esse circuito. Depois que Fernando deu umas voltinhas com ele, foi a minha vez de ajudar nosso filho a catar pedra. Me saí uma boa operadora de escavadeira.

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Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (66)Terminamos nossa visita ao Hellabrunn de um jeito bem mais rural. O recinto é fedido, mas popular. A área das cabras fica lotada de crianças correndo atrás dos bichos, que correm atrás da ração que os visitantes compram em maquininhas.

A cada 50 centavos de euro cai uma porção de grãos. Basta você se aproximar do recipiente que elas já enfiam a cara na saída. Para seres urbanos como nós, chegou a ser meio aflitivo o contato tão próximo. Saímos de fininho, atentos ao chão (sabe como é, se elas comem tanto…). Rimos da situação e fomos em direção à saída. Havia sido um grande dia, a diversão em família estava completa.

VALE SABER

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (20)Endereço: Tierparkstrasse 30

Transporte: Há duas entradas. O metrô leva até a primeira, e o ônibus, à outra. Nós fomos de metrô. Na estação Marienplatz pegamos a linha U3 na direção Fürstenried West e descemos em Thalkirchen (Tierpark). Após uns dez minutos de caminhada, chegamos à Isar Entrance.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (73)Sinalizado, o caminho até o zoológico passa por uma ponte com aqueles cadeados de namorados (de Paris, parece que a moda se espalhou pelo mundo todo, né?). É bonito o visual do Rio Isar, das árvores e da ciclovia lá embaixo.

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (72)A outra entrada do zoológico é a Flamingo. O ônibus 52, que também parte de Marienplatz (o ponto fica em frente à sorveteria), leva até Tierpark, na Alemannenstrasse.

Preço: 14 euros – crianças de 4 a 14 anos, 5 euros; abaixo de 4 anos, grátis. O zoológico oferece duas possibilidades de family ticket: um dos pais mais as crianças por 17 euros ou os dois pais mais as crianças a 30 euros.

Funcionamento: O Hellabrunn abre o ano inteiro, todos os dias, mas o horário muda segundo a temporada. O site oficial sempre informa logo na home o horário que está valendo naquele dia. Até o fim do inverno europeu em 2015, os horários ficam assim:

Até 26 de outubro de 2014: das 9 às 18 horas

27 de outubro de 2014 a 28 de março de 2015: das 9 às 17 horas

24 e 31 de dezembro: das 9 às 16 horas

Alimentação de animais: Durante o ano todo, dá para observar certos animais sendo alimentados:

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (107)11 horas – pinguim-rei (diariamente, exceto sexta)

12h45 – tigre (diariamente, exceto terça e sexta)

13h30 – chimpanzé e gorila (de abril a outubro; no restante do ano, às 14 horas)

13h45 – leão (diariamente, exceto terça e sexta)

15 horas – animais do aquário (quarta e domingo)

16h15 – babuíno (de abril a setembro; no restante do ano, às 15h30)

Para outros animais, só é possível ver a alimentação na temporada da primavera ao outono:

10 horas – pinguim-de-humboldt (de abril a outubro, diariamente exceto sexta)

10 horas – ananconda (de maio a outubro, quinta, alternando semana sim, semana não)

11h30 e 15h30 – pelicano (de abril a outubro, diariamente)

Lanchonetes e restaurantes: Há quiosques em várias áreas do zoológico. As crianças (e muitos adultos) vão à loucura com os quiosques de doces. Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (85)Pipocas, nozes carameladas, sucos coloridos congelados para sugar em copos compridos…

Munique, Alemanha, Zoológico, Crianças, Hellabrunn - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (55)Para algo mais substancial, o principal restaurante do zoológico permanece aberto durante o ano inteiro. Nós almoçamos lá. Meu marido e eu comemos combos de comida alemã, enquanto o Joaquim traçou uma massinha à bolonhesa.

De março a outubro, as opções para alimentação aumentam bem. Abrem a pizzaria perto dos flamingos, o Café Mühle (bistro na entrada Isar) e o Café Rhino, com lanches no cardápio, parquinho em frente e informações sobre os rinocerontes nas paredes.

O site official do Hellabrunn informa o horário de funcionamento de restaurantes e lanchonetes. Durante o verão, abrem das 9 às 18 horas.

Site: www.hellabrunn.de

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Berlim: o zoológico mais antigo da Alemanha

Texto e fotos de Nathalia Molina

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaMinha lembrança do zoológico de Berlim era um portal vermelho no meio da cidade. Um lugar movimentado, com ônibus passando por perto. Após 22 anos – estive lá em 1992 na primeira vez –, mais do que a imagem de animais, na minha memória se manteve em cores vibrantes o desenho de um portão em estilo oriental.

Quando decidimos ir a Berlim em família, imediatamente pensei na ideia de voltar ao Zoo Berlin. Agora com meu filho, Joaquim, de 5 anos. O zoológico foi um dos quatro zoos que visitamos na Alemanha.

Descemos do metrô na estação Kurfürstendamm, pegamos a rua à esquerda e andamos seguindo a indicação das pessoas locais para o trajeto mais curto até o zoológico. ChBerlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaegando lá estranhei a falta daquele agito frenético que eu tinha guardado na lembrança.

Segundo estranhamento: o portão não era vermelho, tampouco em estilo oriental. Comentei com meu marido, Fernando: ‘Nossa, sempre tive uma memória de elefante, será que me enganei tanto? Um portão daquele não iria mudar.’ Curiosidade à parte, compramos os ingressos e entramos.

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaLogo paramos diante de um painel com o mapa do zoológico. Se guiando pelos desenhos dos animais, Joaquim apontou os bichos que queria ver. Nem parei para ver o mapa. Primeiro porque a emoção de estar ali de volta era tanta (aquele domingo era nosso primeiro dia de passeio na viagem à Alemanha, e eu estava em Berlim depois de 22 anos e acompanhada do meu marido e do nosso filho!).

Depois porque eu gosto de saber que existe um mapa, mas não curto ficar seguindo tudo, de ter ideia sempre de onde estou. Acho ótimo me perder e seguir os impulsos, o desejo de ir em alguma direção. E ali quem estava no comando era o pequenino e decidido Joaquim. Saímos em busca dos macacos.

Visão geral: o mais antigo, o mais urbano

Muito bonito passar pelo lago com aquelas árvores choronas e suas folhas verdes quase tocando a água. Vimos muitos patos e flamingos. O Zoo Berlin se orgulha de ter a maior área dedicada a aves na Europa.

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Ainda da série títulos ostentados, ele é também o mais antigo zoológico da Alemanha, fundado em 1844.

Num dos prédios na área do Zoo Berlin, fica o Aquarium Berlin (o ingresso é vendido separadamente ou em forma de combo com o zoológico). Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaAs duas atrações juntas recebem em torno de 3 milhões de visitantes por ano.

Nós escolhemos ver só o Zoo Berlin. Já era bastante para uma visita, impossível de se dar conta mesmo com um dia completo. Atualmente o zoológico mantém 16 mil animais de cerca de 1.500 espécies.

Uma curiosidade: na época da Segunda Guerra, dos 3.700 animais existentes no zoo, apenas 91 sobreviveram ao conflito. Com a cisão de Berlim, o antigo zoológico ficou do lado ocidental. Foi criado, então, o Tierpark Berlin, aberto em 1955. Hoje tem 7.800 bichos de 900 espécies.

Achou pouco se comparado ao Zoo Berlin? Bem, o Tierpark também tem seu título: maior zoológico da Europa, com uma extensão de 1,6 quilômetros quadrados. Outra informação de almanaque (mas na linha fofa): 15 elefantinhos nasceram lá desde 1999.

Elefantes foram logo os primeiros bichos que vimos no Zoo Berlin, à direita do Löwentor, o portão do leão.

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaNo nosso caminho até os macacos, estavam ainda animais de montanha, como cabras. Joaquim adorou subir as escadas e, curioso, entrar na casa de pedra. Do alto, além das construções do zoológico, é possível avistar prédios no entorno. O Zoo Berlin é o mais antigo da Alemanha, mas também é o mais urbano dos zoológicos que visitamos na nossa viagem.

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Apenas no espaço dos cangurus – já do outro lado do Landwehrkanal, o canal que separa o zoo do Tiergarten, parque de Berlim – fica difícil perceber a cidade em volta. Nós andamos até lá.

Bem, meu marido e eu caminhamos. Porque nosso filhote correu. A longa alameda que passa pela área das zebras e segue sobre a ponte é um convite para a criançada gastar energia. Se pintar fome ou sede no percurso, há quiosques na alameda antes da ponte.

Olha a ponte na minha foto de 1992 (jisus, que cabelo é esse?!). Dá para ver lá no fundinho a Coluna da Vitória (Siegessäule), no meio do Tiergarten.

Berlim, Viagem à Alemanha em 1992, Jardim Zoológico - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3)

No restante do zoológico, especialmente nas regiões próximas ao muro, você vê que a cidade cresceu até bem perto da borda de seu velho zoo. Pudera, ele fica colado à Kurfürstendamm, uma das principais avenidas de Berlim.

Destaque: visita em qualquer clima ou hora do dia

Algumas casas de animais, de certo modo, também lembram que se está numa metrópole. Frio, neve, chuva. Nada estraga a visitação no Zoo Berlin. Essas áreas cobertas permitem ver os animais em qualquer clima ou hora do dia.

Primatas têm sua casa, com gorilas e chimpanzés. Felinos, também. Nela estão leões, onças ou panteras. Na região dos macacos, painéis mostram os existentes no mundo. Embora as explicações sejam em alemão, pelos desenhos e pela diferença de tonalidade de verde dá para descobrir qual é originário de onde.

Apenas um senão sobre as casas de animais: as jaulas internas parecem pequenas, especialmente no caso dos felinos.

  • Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
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  • Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças – Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Passeamos pela parte interna da casa e flagramos o leão ao acordar de uma soneca depois de devorar uns quilos de carne. O bicho rugiu tão alto para os humanos que assistiam a seu despertar. O ronco ecoou pelas paredes frias no fim de tarde. Gelou a espinha. Com susto e tudo, Joaquim curtiu e, vira e mexe, comenta sobre a cena aqui em casa.

O leão foi o último animal que vimos no Zoo Berlin. Seguimos, então, a indicação de saída. Uma breve caminhada e… surpresa! Lá estava o portão vermelho. Tiramos a foto para registrar o momento. Em que apresentei, enfim, ao meu filho o zoológico que havia conhecido em 1992. Em que minha lembrança encontrou o presente.

Dois elefantes sustentam as colunas do portal. Maravilha, 22 anos depois, minha memória segue como a dos amigos mamíferos. Ah, detalhe, se quiser visitá-los – os elefantes de verdade –, eles ficam perto do Löwentor, o portão dos leões. E onde está aquele ruidoso felino? Colado ao Elefantentor, o portão de elefantes. Digno de dar nó na memória!

Berlim, Viagem à Alemanha em 1992, Jardim Zoológico - Foto Nathalia Molina @ComoViajaBerlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

VALE SABER

Endereço: Hardenbergplatz 8

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajaTransporte: As linhas de metrô U2 e U9 levam ao Zoo Berlin. Se for usar o S-Bahn (trem urbano), pegue a linha S-5, S7 ou S75. Em todas essas possibilidades citadas, a parada é Zoologischer Garten, que dá acesso à entrada principal do zoológico, a Efantentor.

Nós estávamos na linha U1 do metrô, por isso, descemos na estação Kurfürstendamm e caminhamos até a entrada lateral, a Löwentor.

Preço: 13 euros – crianças de 5 a 15 anos, 6,50 euros; abaixo de 5 anos, grátis. O zoológico oferece duas opções de family ticket (adulto com suas próprias crianças por 22 euros ou 2 adultos com suas crianças por 35 euros). O bilhete que inclui o zoológico e o aquário custa 20 euros – crianças de 5 a 15 anos, 10 euros. Nos family tickets, os preços são 33 euros e 50 euros, respectivamente.

Funcionamento: O horário muda conforme a época do ano.

1 de janeiro a 14 de março: das 9 às 17 horas

15 de março a 23 de março: das 9 horas às 17h30

24 de março a 7 de setembro: das 9 às 19 horas

8 de setembro a 26 de outubro: das 9 às 18h30

27 de outubro a 31 de dezembro: das 9 às 17 horas – 24 de dezembro, fecha às 14 horas

Alimentação de animais: Diariamente, de manhã ou à tarde, é possível ver bichos serem alimentados – abaixo estão alguns horários:

Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViaja10h30 – urso polar

11h30 – gorila

13h45 – pinguim

14h15 – hipopótamo

15h30 – carnívoros (exceto às segundas; tigres e leões também não são alimentados às quintas)

16 horas – macaco

Segundo o site oficial, os horários costumam ser respeitados, mas, como ‘animais não são máquinas, pode haver alteração’.

Lanchonetes e restaurantes: Assim como no zoológico de Stuttgart, a empresa Schuler‘s GastZoonomie responde pela alimentação disponível no Zoo Berlin. O restaurante principal funciona durante o ano inteiro Berlim, Alemanha, Zoológico, Crianças - Foto Nathalia Molina @ComoViajae serve tanto especialidades locais quanto pratos internacionais.

De março a novembro, há ainda outra opção, o Woodland Pub. A casinha de madeira fica perto do parquinho infantil. No cardápio, comida caseira e tortas. A empresa também administra os quiosques que vendem lanches (alguns deles na alameda próxima à área das zebras) e sorvetes pelo zoológico, além do Aquarium bistrô, localizado no aquário.

Site: www.zoo-berlin.de/zoo.html

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Nuremberg: zoológico com show de golfinhos

Texto de Fernando Victorino / Fotos: Nathalia Molina

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaResolvemos visitar o Zoológico de Nuremberg no dia em que ele fazia 102 anos. Uma história marcada por três reconstruções, duas devido às guerras. Da terceira vez em que precisou ser reerguido, o Tiergarten foi instalado na parte leste da cidade alemã, a 20 minutos de trem da estação central (Hauptbahnhof).

Durante nossa viagem à Alemanha no primeiro semestre de 2014, visitamos quatro zoológicos imperdíveis com crianças. O zoo de Nuremberg foi um deles.

Era domingo e, como nos disseram, o aniversário do zoológico seria um dia dedicado às famílias. Ao longo do nosso trajeto de bonde, era fácil notar pais e mães carregando mochilas, garrafas de água e pacotes de biscoito, acompanhados dos filhos. Mesmo sem entendermos nada do que eles conversavam, a sensação que passavam era a de que todos – tal como nós – estavam animados com aquele dia especial. Gostosa alegria sob o sol que teimava aquecer a manhã fria de 11 de maio de 2014.

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

No dia da nossa visita, o zoológico estava em festa pelo aniversário. As famílias ganhavam um vale-foto, e estandes espalhados pelas alamedas ofereciam atividades para as crianças. Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaEra possível, por exemplo, personalizar uma casinha para passarinhos.

O Tiergarten é um orgulho para a gente de Nuremberg. Em 1934, o governo de Hitler decidiu que a área do zoo seria usada para a ampliação do espaço onde eram realizados os comícios nazistas. Deslocado para o lugar onde funciona até hoje, em 1939, pouco antes do começo da Segunda Guerra, o zoológico foi mais uma parte da cidade alemã dizimada pelo conflito.

Com o fim da Segunda Guerra, o zoológico atravessou longos e progressivos períodos de reconstrução, sempre com o apoio (financeiro ou não) da população local. Isso segue até hoje, em eventos como o concerto beneficente realizado neste ano na lagoa dos golfinhos, cuja renda foi revertida para a preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Aos 102 anos, o zoológico de Nuremberg encontra formas de sobreviver à estupidez humana, que o obrigou a renascer três vezes e até hoje o leva a se reinventar. Tudo para manter seus habitantes vivos e suas portas abertas, a fim de que famílias ruidosas desfrutem de domingos de sol como o que vivenciamos durante nossa visita.

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Visão geral: um bosque no meio da cidade

Localizado em um terreno de topografia irregular, o Tiergarten exige do visitante disposição para caminhar por subidas em certos momentos. O mapa do zoo mostra desde uma rota plana, voltada principalmente para cadeirantes – mas que não contempla todos os animais – até caminhos com perfis de inclinação diferentes: ligeiro, moderado ou acentuado.

Não raro, vemos pais levando filhos de cavalinho por ladeiras. Uma alternativa para minimizar o cansaço das crianças são carrinhos de puxar que podem ser alugados no portão principal.

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaO relevo que castiga bípedes sedentários permite aos animais de montanha condição de vida próxima à do seu habitat. Entre a visita a uma espécie e outra, a caminhada não é penosa porque é feita por alamedas cercadas por árvores. Em uma delas flagramos um esquilo descendo o tronco em busca de comida.

Diferentemente de zoológicos encravados no centro da cidade, o Tiergarten reúne fauna e flora de modo quase selvagem. A sinalização tira um pouco do fator surpresa que é perambular por um caminho e se deparar com o bicho mais adiante. Mas as placas são úteis em um parque dessa dimensão.

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

A propósito, é bom escolher o que você pretende ver porque pode ser difícil observar todas as espécies com a devida calma. Instalado em uma área de 670 mil metros quadrados, o zoológico de Nuremberg foi inaugurado em 1912, com 1.200 animais. Atualmente, possui 3.000 bichos de 300 espécies.

  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja
  • Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten – Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Nosso filho, Joaquim, de 5 anos, queria ver o leão, então, nossa visita incluiu uma parada nos felinos. Encontramos o bicho preguiçoso, deitado sobre uma pedra como se desejasse que o mundo acabasse em barranco (que no caso dele se encontrava a uns 5 metros de distância).

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaJá o tigre mostrou-se indócil com tanta gente dentro da gruta de onde se pode observá-lo mais de perto. A foto tirada num raro momento em que ele se pôs quieto foi prejudicada pelo reflexo do vidro (santo vidro!) que nos separava.

Também através de vidros vimos os pinguins nadando em um espaçoso parque aquático. Algumas crianças não precisam do colo dos pais para admirar o balé da turma de fraque porque a plataforma de observação fica a certa altura, com um vidro de proteção que desce até o chão. A visão fica tão desimpedida, que nosso pequeno Joaquim alternou entre uma lambida no sorvete e uma espiadinha para baixo.

Destaque: show com leões-marinhos e golfinhos

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViaja Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaDeixamos a área dos pinguins e aproveitamos a descida para apertar o passo rumo à lagoa dos golfinhos, cujo show iria começar em poucos minutos.

Ponto alto do Tiergarten e atração rara para um zoológico, o show existe desde os anos 1970 e é bastante disputado pelos visitantes. Mas há um bom espaço para acomodar o público nas arquibancadas em volta dos tanques.

Apesar de a apresentação ser feita toda em alemão, é possível apreciar os truques de golfinhos e leões-marinhos numa boa. Nosso filho não desgrudou os olhos da exibição, acompanhando as acrobacias feitas pelos animais.

Não se trata de uma superprodução ao melhor estilo parques de Orlando, mas distrai bem crianças e adultos durante meia hora. As apresentações ocorrem diariamente, de acordo com a tabela do site oficial do zoológico: todos os dias, às 14 horas e às 15h30; de segunda a sexta, também às 10h30 e ao meio-dia; aos sábados e domingos, também às 11 horas e às 12h30.

VALE SABER

Endereço: Am Tiergarten 30

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaTransporte: Nós usamos a linha 5 do bonde elétrico (tram), que pegamos em frente ao Grand Hotel Le Méridien, na Bahnstrasse, perto da Hauptbahnhof, estação central de trem. O ponto final do bonde nos deixou muito perto da entrada. Outra opção é usar a linha 65 de ônibus, com destino ao Tiergarten

Preço: 13,50 euros – crianças de 4 a 13 anos, 6,50 euros; abaixo de 4 anos, grátis. O zoológico oferece duas opções de family ticket (adulto com suas próprias crianças por 18 euros ou 2 adultos com suas crianças por 31, 50 euros)

Funcionamento: O horário muda conforme a época do ano.

1 de janeiro a 2 de março: das 9 às 17 horas

3 de março a 29 de março: das 9 às 18 horas

30 de março a 3 de outubro: das 8 horas às 19h30

4 de outubro a 26 de outubro: das 9 às 18 horas

27 de outubro a 31 de dezembro: das 9 às 17 horas

Alimentação de animais: É possível ver os animais serem alimentados. A maioria deles no período da tarde, de acordo com a tabela do site oficial:

14h15 – urso polar (diariamente)

14h30 – leões e tigres (exceto segunda e quinta)

14h45 – lontra (diariamente)

15h15 – pinguins (diariamente)

Alemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaAlemanha, Nuremberg, Zoológico, Tiergarten - Foto Nathalia Molina @ComoViajaLanchonetes e restaurantes: Após a entrada, há quiosques para comprar um lanche rápido. Lembrancinhas como simpáticos macaquinhos de pelúcia são encontrados ali. Ao longo do zoológico, outros quiosques vendem lanches, sorvete e água.

Dois quiosques maiores (que estão mais para lanchonete) ficam um à beira da lagoa dos golfinhos – do terraço, dá para assistir à apresentação, do lado oposto à plateia – e outro na área do petzoo. Escolhemos comer nesse segundo, que serve combos de salsicha ou schnitzel acompanhados por variações de batata (salada, cozida ou frita). O movimento é grande, mas não foi complicado achar mesa. Há banheiros e fraldário na parte de baixo do restaurante.

Durante o inverno, é feito um revezamento na abertura dos quiosques. Já o restaurante Waldschänke , no ponto mais alto do zoológico, funciona o ano inteiro, das 9 às 19 horas (diariamente).

Aluguel de carrinho: O Tiergarten dispõe de carrinho de madeira para você levar sua cesta de piquenique, mochilas ou as crianças quando elas estiverem cansadas do passeio. Custa 3 euros mais um depósito de 20 euros que serve como caução. Pelos mesmos valores alugam-se cadeiras de rodas (mediante reserva pelo telefone 44-911-5454-825)

Site: www.tiergarten.nuernberg.de

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