Bares no Rio de Janeiro: 17 botecos cariocas para conhecer

Boteco ou botequim, não importa. Bares no Rio de Janeiro são patrimônios onde cerveja ou chope gelado e petiscos dão em casa cheia. São lugares para se ir de dia, de noite, antes ou depois da praia

Boteco no Rio de Janeiro é uma instituição tão sagrada quanto as praias da zona sul. Os botequins são muitos espalhados pela cidade: há bons bares na Tijuca, na Lapa, na Urca, no Leblon, em Ipanema e em Copacabana, entre outros bairros. Cada qual com uma característica que o torna especial, único. Um jeito de ser, um despojamento pretensamente imitado por estabelecimentos da noite paulistana e de outras cidades brasileiras. A expressão ‘buteco carioca’ virou selo de qualidade, sinônimo de chope gelado e petiscos bem feitos, em uma equação cujo produto final é casa cheia.

Veja a lista abaixo para saber para onde ir no Rio de Janeiro e experimentar ‘comidas de buteco’ de qualidade com bom chope ou cerveja estupidamente gelada, como cariocas gostam de pedir. E até acompanhar a bebida com um bom prato, já que é comum bares no Rio de Janeiro serem bar e restaurante ao mesmo tempo.

CHOPE CREMOSO E BOEMIA NO JOBI – Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
NO BAR URCA, A SABOROSA CALDEIRADA DE FRUTOS DO MAR – Foto: Nathalia Molina @ComoViaja
AS FAMOSAS EMPADAS DO SALETE, BAR DA TIJUCA – Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação

Para muitos, esses abaixo estão entre os melhores bares do Rio de Janeiro. Não são barzinhos, ou versões modernas de boteco. Têm tradição. Espontâneos como tudo na cidade, os botequins não têm hora certa para estar com muito ou pouco movimento. Botequim é lugar para se ir de dia, de noite, antes ou depois da praia. Ou para a saideira, quando todos os bares já baixaram as portas e apenas um, teimosamente como seus frequentadores, mantém-se de pé, invadido pelas primeiras luzes da manhã. E, antes que alguém se apresse, avisamos que não se trata de uma lista fechada, definitiva. Até porque seguiremos bebendo e incluindo aqui muitos outros lugares.

LINDA BANDEJA NO COSMOPOLITA – Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação

No Rio, chamar o garçom pelo nome, conhecer o bar por um apelido que em nada lembra o que está escrito na fachada ou pedir um prato que não está no cardápio são detalhes que dão alma aos botequins. E torná-los patrimônios cariocas, com direito a placa que reconheça tal virtude, foi a maneira encontrada para preservar esse espírito que diz tanto sobre a cidade.

PLACA DE BAR TOMBADO

Vamos, então, a nossa lista em construção:

1 > BAR URCA

A mureta que dá de frente para o Pão de Açúcar é o salão informal desse bar e restaurante especializado em comida portuguesa. Casquinhas de siri, bolinhos de bacalhau e pastéis de camarão são muito bem-vindos no Bar Urca quando acompanhados de cerveja a baixa temperatura. Essa combinação é recomendada para quem deseja testemunhar o pôr do sol. No tranquilo bairro da Urca, o movimento termina cedo, nunca ultrapassa as 23 horas.

MURETA DO BAR URCA – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
PASTEL DE CAMARÃO PARA PETISCAR

2 > JOBI (LEBLON)

Pequeno notável, o Jobi fica no coração do Baixo Leblon e é famoso pelo movimento que ostenta do lado de fora, na calçada. Culpa do acanhado salão e do chope cremoso e bem tirado. Para comer, pratos portugueses e petiscos como empada de camarão e bolinho de bacalhau. Abre às 11 horas e fecha tarde, por isso, o Jobi é opção para a saideira dos insones.

DUPLA INFALÍVEL
OU PEÇA UMA CAIPIRINHA

3 > BRACARENSE (LEBLON)

‘Braca’, para os íntimos, o bar ocupa um tradicional endereço do Leblon. Os bolinhos de aipim e de camarão com catupiry são campeões de saída, na maior parte do tempo acompanhados do chope trincando de gelado. Nathalia conheceu o bar com um antigo chefe seu no Jornal do Brasil, que depois, por coincidência, também foi chefe do Fernando, na ESPN Brasil — para uma dupla que se conheceu num bar em São Paulo, nada mais adequado que essas conexões etílicas.

A parte bem legal do Bracarense é sua informalidade total, convite para uma parada na volta da praia no Leblon. Sente-se no balcão ou nas mesinhas na calçada. Nos dias de semana, o Bracarense serve almoço executivo. Nós dividimos para os três (Nathalia, Fernando e o pequeno Joaquim) dois pratos depois de uma rodada de bolinhos. Saímos bem satisfeitos.

4 > CHICO & ALAÍDE (LEBLON)

Alaíde era a mente e as mãos por trás dos petiscos que deram fama ao Bracarense. Tirador de chope dos bons, Chico se juntou à colega do antigo bar para abrirem o próprio botequim em 2009. Levaram receitas, manhas e clientes para o novo endereço, onde o choquinho (camarão empanado com catupiry) rivaliza com o bolinho de aipim na preferência da freguesia do Chico & Alaíde. Nathalia provou algumas dessas delícias num encontro com uma amiga de faculdade na Uerj numa das idas ao Rio. Já está na hora de voltar.

ALAÍDE E CHICO – Fotos: Divulgação
MARAVILHOSA DE CAMARÃO

5 > PAVÃO AZUL (COPACABANA)

A senha é a seguinte: patanisca. Nesse botequim sem frescura o petisco à base de bacalhau é campeão de venda. O risoto de camarão também está entre os preferidos do público, formado basicamente por gente de Copa e adoradores de pé-sujo. Se você é do tipo que acha que a calçada é o melhor salão de boteco que há, então seu lugar é aqui. Não tem site tampouco página oficial no Facebook.

‘BUTEQUIM TRADIÇA’ – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
CHOPE COM COLARINHO

6 > BIP BIP (COPABACANA)

No Bip Bip é você quem pega sua própria cerveja e avisa ao dono, Alfredo Melo. Tem samba, choro e bossa-nova, em uma programação musical que é o grande barato do bar, que já teve gente do calibre de Beth Carvalho e Elton Medeiros entre os frequentadores. Não se espante se, vez ou outra, o proprietário reclamar de quem esteja falando alto, atrapalhando os músicos.

BAR E SAMBA – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
NA CALÇADA EM COPA

7 > GALETO SAT’S (COPABABANA)

A coleção de cachaças do proprietário, Sérgio Rabello, atrai apreciadores da bebida para o Galeto Sat’s. Um deles é um antigo colega de profissão do Fernando, que se mudou para o Rio e vive explorando botequins dos bons. O chope também é uma boa razão para uma saideira no bar, que fica no limite entre Copa e Leme. Como beber sem comer dá ruim, como se diz, não se acanhe diante do galeto ou da porção de coração de galinha servida com cesto de pão de alho.

8 > CERVANTES (COPACABANA)

Para dizer que você realmente esteve no Cervantes é preciso ter provado o sanduíche de pernil com abacaxi, um clássico do bar e restaurante que funciona em Copacabana há 60 anos. Como a porção é bem farta, muitos frequentadores do Cervantes matam a fome da madrugada ali, enquanto tomam aquele último chopinho. Até hoje Fernando não perdoa que Nathalia ainda não o levou até lá para provar essa combinação matadora de carne de porco e abacaxi com chope.

SANDUBAS DO CERVANTES – FotoS: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
CARNE DE PORCO COM ABACAXI

9 > CAFÉ LAMAS (FLAMENGO)

Aberto por Francisco Lamas em 1874, serviu de Machado de Assis a Getúlio Vargas. Mas são boêmios comuns e gente que aprecia comer e beber bem que ocupa o salão do Café Lamas diariamente, das 9h30 até a alta madrugada. A canja de galinha, por exemplo, é bem conhecida pelos notívagos. Se estiver com fome, experimente o suculento filé à francesa — já entrou no texto que Nathalia escreveu aqui sobre o prato com a guarnição preferida dela. O Lamas é um dos bares preferidos dela, que morou no bairro vizinho de Laranjeiras, onde a mãe dela vive até hoje. Ali bebe-se chope, cerveja e até café.

ENTRADA DO LAMAS – Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
FILÉ À FRANCESA – Foto: Nathalia Molina @ComoViaja

10 > ARMAZÉM DO CARDOSÃO (LARANJEIRAS)

Na linha Nutella x Raiz, o Cardosão é capitão do segundo time. O armazém com cara de botequim de subúrbio fica num endereço lá no alto do bairro de Laranjeiras. O Armazém do Cardosão tem feijoada bem concorrida e uma agenda de shows que leva muita gente para tomar cerveja em garrafa muito gelada. Com sorte, dá para encontrar uns rostinhos conhecidos da música e da televisão.

BOTEQUIM EM LARANJEIRAS – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
FEIJOADA TRADICIONAL
TABELA DE BEBIDAS

11 > BAR DO MINEIRO (SANTA TERESA)

Lembra aquelas vendas de interior, com suas portas de ferro altas. Da cozinha do Bar do Mineiro saem os famosos pastéis de feijão, friturinha a ser provada com cerveja em garrafa recoberta pela inconfundível ‘capa-branca’ de tão gelada. A porção de linguicinha mineira é outra receita a se provar. No fim de semana, o povo sobe para Santa Teresa e faz fila em busca da feijoada, que tem versões para uma, duas e até três pessoas. Mineiro de Carangola, o proprietário, Diógenes Paixão, coleciona obras de arte que decoram o bar (só quadros de Alfredo Volpi ele tem 60).

TRADIÇÃO EM SANTA TERESA – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
AS CAIPIRINHAS DO BAR

12 > COSMOPOLITA (LAPA)

Um bar que ficou para sempre no coração da Nathalia. Ainda como repórter do Jornal do Brasil, ela foi apresentada a esse exemplar botequim fundado em 1926. Instalado num casarão perto dos Arcos da Lapa, o Cosmopolita é repleto de história, de fato. Foi frequentado por gente como Pixinguinha e Madame Satã, além de políticos e personalidades como o diplomata Oswaldo Aranha. Uma curiosidade: foi aqui que o advogado criou o tradicional filé que leva seu nome, cheio de alho e acompanhado de arroz, batata portuguesa e farofa. Se não estiver com tanta fome, peça uma porção de bolinho de bacalhau para se deliciar com o chope geladíssimo. É da velha escola que não achamos site ou página no facebook para informar.

BAR DA VELHA LAPA
CHOPE BEM TIRADO
FILÉ À OSWALDO ARANHA

13 > NOVA CAPELA (LAPA)

O azulejo das paredes nos remete aos restaurantes mais tradicionais de Lisboa. Pudera. É uma casa portuguesa, com certeza, aberta em 1903 com o nome de Capela. Mudou em 1967 para Nova Capela, após um incêndio destruir o antigo bar. Viveu a fase da Lapa em baixa e segue firme no bairro, atraindo gente de teatro e os notívagos da região. O cabrito com arroz de brócolis, batatas coradas coberto por alho frito serve duas pessoas. Se quiser o bicho na forma de quitute, experimente como recheio de pastel ou na forma de croquete.

AZULEJOS PORTUGUESES NAS PAREDES – Foto: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
CABRITO DELICIOSO COM ARROZ DE BROCÓLIS

14 > BAR BRASIL (LAPA)

Um dos muitos bares brasileiros que teve de mudar seu nome durante a Segunda Guerra. O antigo Zepelin foi fundado em 1907, era de donos austríacos, foi repassado a um espanhol, e até hoje serve pratos da culinária alemã. Destaque para o kassler com salada de batatas do Bar Brasil. Mas no Alemão da Lapa dá para traçar também um bom bife com fritas numa boa. Tudo regado a chope que corre a serpentina tão cheia de histórias quanto as paredes do prédio de pé direito alto.

O ALEMÃO DA LAPA – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
KASSLER COM BATATAS

15 > BAR LUIZ (CENTRO)

Em matéria de tradição, o Bar Luiz extrapola. Abriu suas portas em 1887, no tempo em que D.Pedro II ainda mandava alguma coisa no Brasil. Na década de 1940, escapou de ser apedrejado porque levava o nome de um de seus donos, Adolph — o que que fez a turma anti-Hitler enxergar ali uma conexão esdrúxula com o nazismo. Virou então Bar Luiz, mas não perdeu sua essência germânica, especialmente nos pratos bem-servidos, como o kassler com batata e no chopinho tirado a baixa temperatura.

A COMIDA ALEMÃ DO BAR LUIZ

16 > SALETE (TIJUCA)

Tem muita comida boa para se provar nesse restaurante fundado há 60 anos pelo espanhol Manolo. Mas chega a ser deselegante sair do bar na Tijuca sem provar o carro-chefe da casa: empadas (de camarão, de frango ou de palmito, não importa se uma ou todas). O cardápio do Salete tem outros campeões de saída, como carne assada com purê e o espaguete com frutos do mar. Comida para forrar antes de tomar alguma coisinha estupidamente gelada.

FACHADA DO BAR E RESTAURANTE – Fotos: Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação
A FAMOSA EMPADA COM CHOPINHO

17 > BAR MADRID (TIJUCA)

Caçula dentre os bares e botequins da cidade, foi aberto em 2015, na Tijuca, o que já é uma responsa. E, com tão pouco tempo de vida, arrebatou paladares dos locais e dos tijucanos por adoção. Tem batidinhas que já caíram no gosto dos frequentadores, um sanduba de milanesa com queijo que dá fome só de ver a foto e até petiscos à base de berinjela e de jiló. A origem espanhola do Bar Madrid dos donos explica o nome, os pintxos e as tortillas do cardápio e as fotos do time do Real e do cantor Julio Iglesias como parte da decoração.

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