Budapeste: café, tokaji e letras na Avenida Andrássy

Fotos: Nathalia Molina

Estranho entrar numa livraria e olhar para as letras como se fossem parte de uma instalação de artes plásticas, e não palavras. Tive essa sensação enquanto percorri os corredores da Alexandra, em Budapeste. Nos nomes das seções, colocados acima das prateleiras, as palavras se aglomeravam. Tentei encontrar qualquer sentido para a raiz de uma ou de outra expressão, apelando para todas as línguas com as quais já tive contato. Só funcionou com as óbvias ‘Sport’ e ‘Hobbi’.

A Alexandra é um bom lugar para uma parada durante a caminhada na Andrássy út, uma das principais avenidas de Budapeste. E não apenas para se perder nas letras. No segundo andar, tem um café. Não comi nem tomei nada lá porque segui para o almoço ali perto – para experimentar um autêntico goulash. Mas deu vontade de ficar. O ambiente de confeitaria centenária é gostoso, e a pintura do teto, linda. É surpreendente encontrar algo assim lá dentro porque a fachada da livraria (no número 39 da Andrássy) anuncia uma decoração moderna, o que se confirma na área das prateleiras de livros e de bebidas.

Ué, bebidas? Pois, outra surpresa que tive na saída. No térreo – para quem entra a seção fica logo à direita –, as publicações dão lugar às garrafas. Dá para comprar ali o tokaji (em húngaro, tokaj), vinho tradicional do país. Um dos tipos mais conhecidos de tokaj é o Aszú, que eu provei no jantar, acompanhando a sobremesa. A Wikipedia informa que gente do naipe de Luiz XV, Beethoven e Goethe consumia tokaji. Sei lá, de todo modo, soa quase uma heresia eu dizer que achei doce demais… Ok, é para se tomado com doces. Mas o problema para mim está justamente aí. Não consigo com nada muito doce. Acho que prefiro ficar com a sopa de letrinhas.

 

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