Cidade das Abelhas: diversão perto de São Paulo

Fotos: Nathalia Molina
Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

Quando eu ouvia falar em Cidade das Abelhas, imaginava um passeio exagerado em ciência, beirando a chatice, para ser bem sincera. Tinha medo também que meu filho não gostasse. Ele só tem 3 anos e o mundo das abelhas podia ser um pouco demais. Mas aquela ideia ficou martelando como uma opção de passeio perto de São Paulo, que ainda dava para juntar com um restaurante em Embu, uma cidadezinha simpática. Se fosse uma furada, valia o almoço/jantar fora da capital.

Meu filho trocou de colégio no meio do ano e, neste novo, existe um sistema de empréstimo semanal de livros. O 1º exemplar que ele trouxe para casa? A Abelha Aninha. Aninha é como o Joaquim carinhosamente chama sua melhor amiga na escola anterior, Ana Carolina. Resolvi, então, convidar os pais da Aninha e sua pequena para nos acompanharem nessa incursão ao doce mel.

Estava naquele chove-não-chove a semana toda, e o programa ficou meio a confirmar. Mas o sábado amanheceu com sol. Botamos o carro na estrada. Adoro esses passeios sem muito preparativo, geralmente dão em boa coisa.

Não foi o que pensamos quando nos demos conta de que havíamos esquecido o dinheiro em casa e o pedágio não aceita cartão. É possível ir para lá pela Raposo Tavares, mas quisemos experimentar o caminho pelo Rodoanel. Passado o constrangimento, seguimos viagem. A entrada de Embu fica logo na saída após o pedágio.

Esqueça o GPS; siga as dicas abaixo

Para ir à Cidade das Abelhas, segue-se pela rua principal de Embu. São poucas placas da atração, que aparecem uma vez ou outra. É só seguir o caminho para o Estádio Municipal, conforme recomendado no site da Cidade das Abelhas. Nada que confunda. Confusão mesmo só aconteceu depois que saímos da rua principal. Na rotatória, você vai virar à direita e subir. Tem de passar embaixo de um viaduto. Ali a indicação de Estádio Municipal é para direita. Faça o contrário e pegue à esquerda a Estrada da Ressaca.

Em torno de 7 km depois (sendo uns 2 km de terra nada dramáticos), você vai ver a entrada da Cidade das Abelhas à direita. Uma ruazinha leva ao estacionamento. Com plaquinhas em várias línguas, as abelhinhas dão boas-vindas. A partir daí, prepare-se: é abelha para todo lado. Na sinalização do banheiro, nas placas espalhadas pelo jardim, no pula-pula com escorrega para os pequeninos e, claro, abelhas de verdade!

Aula de Ciência na natureza

Parece exagero e daria para enjoar de tão doce, não fosse por um detalhe: o espaço aberto. As coisas ficam espalhadas, e a informação científica é passada ali no meio da natureza, sem que a criançada (ou a gente) se dê conta claramente de que está aprendendo. Seria lindo se a escola funcionasse assim, né?

Painéis explicativos e um diminuto museu convivem bem com escorregas e balanços — em São Paulo, dizem balança (da série ‘coisas com que nunca vou me acostumar’…). A combinação de ciência com diversão dá num gostoso passeio para se fazer com criança, com bom preço e muita área ao ar livre para a meninada gastar energia.

Escorregador, pula-pula, arvorismo…

Essa, aliás, foi a nossa grande surpresa: a quantidade de atrações recreativas. Passada a entrada – onde ficam aqueles painéis para a criançada pôr o rosto e sair na foto de abelhinha ou de apicultor, como meu filhote na foto do início do texto –, a subida no terreno é acompanhada à direita por 2 escorregadores  tubulares e ondulados (um deles bem comprido).

Lá em cima, a garotada encontra cama-elástica (até 7 anos), uma abelha gigante para passear dentro dela e entender o funcionamento do corpo da bichinha.

Depois que estivemos lá, eles inauguraram o LaBEErinto, atração que ensina as crianças sobre a construção dos favos nas colmeias. Um emaranhado de caminhos que parece ser tão divertido quanto o trocadilho que batiza esse brinquedo.

 

O Joaquim se esbaldou nas trilhas aéreas envoltas por rede (Arbelhismo), que terminam em escorregas (indicado a partir de 3 anos).

Faz zzzuummmm

No alto do terreno há casinhas. A que está à esquerda é para a meninada brincar de abrir e fechar janelas e sair de lá escorregando.

À direita estão as casinhas de ‘aula de ciência’. Na primeira, o cômodo escuro apresenta a representação de uma colmeia gigante, com uma plaquinha explicando que abelha é de que tipo, de acordo com o número que está colado nela. O som ambiente reproduz o zzzuummmm característico das abelhas juntas.

Na casinha do meio, uma portinha de madeira esconde um enxame com uma parede de vidro. Para terminar, uma exposição sobre o trabalho do apicultor na última casinha — naturalmente, a que menos interessou ao meu filhote; acho que vale mais para os maiores.

Depois de ver tudo isso, fomos conhecer a trilha. Nada radical. Em tempos de ecoturismo, a palavra ‘trilha’ pode passar uma ideia de esforço, mas ela está mais para caminho na natureza. Até sugeri a moça da lojinha que botasse uma placa avisando que é curtinha (nem 500 metros, arrisco dizer) e bem fácil. Pelo caminho, bonecos de anõezinhos passam mensagens ecológicas. No fundo do terreno da Cidade das Abelhas, ainda há campo de futebol e quadra de tênis.

Ali naquela brincadeira de um sábado de sol, o Joaquim memorizou várias informações e, vira e mexe, sai com uma, como essa brincadeirinha aí ao lado. Mas o programa não foi só aula de ciência, meu medo inicial. Ele se divertiu muito. Correu, escorregou, pulou. Não foi à toa que, durante um tempo, o pedido em casa virou recorrente: ‘Mamãe, quero ir de novo na cidade das belhas’.

VALE SABER

Endereço: Estrada da Ressaca, km 7, Embu das Artes, SP

Funcionamento: Das 8h30 às 17 horas, de terça a domingo (inclusive feriados)

Preço: R$ 25 — menores de 3 e maiores de 60 anos não pagam. Pode-se pagar com cartão de crédito. O estacionamento é grátis.

Alimentação: A lanchonete é bem básica, mas fica num lugar delicioso, cercado de plantas.

Compras: Passamos na lojinha para levar mel de eucalipto e na lanchonete para faturar uma cerveja produzida com mel – a Appia, produzida pela Colorado de Campinas

Dicas: O ideal é chegar de manhã à Cidade das Abelhas. Assim, a criançada toma café em casa, come um lanchinho por lá e pode fazer um almoço mais tarde com a família toda em Embu. Como não há monitor, a visita é feita seguindo a sinalização. O terreno é acidentado e não há acesso para cadeira de rodas nem carrinhos de bebê.

Site: cidadedasabelhas.com.br

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