Tapioca: origem e curiosidades

Veja a origem, curiosidades e onde comer tapioca, receita típica do Nordeste. Preparada no país inteiro, ela ganha vários recheios. Fácil de fazer e mais ainda de degustar, o quitute cai bem a qualquer hora

ATUALIZADO EM 20 DE MARÇO DE 2017

Tapioca ‘is the new bread’. É uma das comidas típicas do Nordeste, mas ganhou o país inteiro. Conheça sua origem, curiosidades e saiba onde comer essa delícia em diferentes cidades do Brasil. Ou se divirta com a leitura enquanto degusta uma na sua casa, como fazemos aqui na nossa.

Ela é um patrimônio do Brasil. Nos primeiros anos após o descobrimento, a escassez de farinha de trigo despertou nos portugueses instalados em Pernambuco o interesse pelo produto que os índios extraíam de uma raiz abundante no Brasil da época — apesar de as primeiras mudas de trigo serem cultivadas na capitania de São Vicente desde 1556, o pão como conhecemos hoje só incorporado ao dia a dia do país após a vinda da família Real, ocorrida no século 17, como explica Eda Romio no livro 500 Anos de Sabor.

Portanto, muito antes da geração fitness incluir a tapioca à dieta emagrecedora, os portugueses — menos por escolha, mais por necessidade — já tinham percebido as vantagens de se trocar o bom e velho pão feito com trigo por essa iguaria tipicamente brasileira.

Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja
Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

A tapioca atravessou Pernambuco, se espalhou pelos estados vizinhos e para Norte e virou patrimônio histórico e imaterial. Até 30 anos atrás, Nathalia conta que uma das razões que tornava especial qualquer viagem que ela fizesse para o Nordeste era a possibilidade de provar aquela massa fininha e crocante servida no café da manhã de quase todo hotel ou pousada.

Até hoje é assim, mas também é possível comer tapioca em um brunch de São Paulo ou de outra cidade do sul do país. Aqui em casa é a Nath quem prepara o quitute. Há massa de tapioca em quase todo supermercado, só que nenhuma goma lembra a que se come no Nordeste.

Patrimônio de norte a sul

Na pernambucana Olinda é tradição provar o quitute recheado de coco fresco ralado e queijo coalho nas barracas do Alto da Sé. Se estiver na cidade no fim de junho, você tem a chance de experimentar a versão gigante e coletiva da iguaria (mede 1 metro), preparada sempre em 28 de junho, véspera do dia de São Pedro, pela associação das tapioqueiras de Olinda.

Tapioca deu origem a profissão. E virou até substantivo. As tapioqueiras são famosas na orla nordestina e estão em barracas nas Praias de Jatiúca e Ponta Verde, em Maceió. Premiado por 2 anos, o quiosque Maria Bonita prepara um quitute parrudo que serve duas pessoas.

No Ceará, o Centro das Tapioqueiras reúne 25 boxes que oferecem de recheios regionais como carne de sol com queijo coalho a bombas calóricas à base de amendoim com Nutella. Fica fora de Fortaleza, em Messejana, na estrada que vai para Aquiraz, município onde está localizado o parque aquático Beach Park.

COSTUME EM CASA TAMBÉM

Da extração ao preparo, tapioca sempre foi sinônimo de simplicidade. Infelizmente, não escapou do alcance do raio gourmetizador e ganhou versões afrescalhadas — o presunto deu lugar ao salmão defumado, enquanto o leite condensado perdeu terreno para o crème brûllée. Invencionices à parte, tapioca (quando bem preparada) vai bem com tudo, a qualquer hora do dia.

A presença da tapioca no Rio virou até música, de Chico Buarque, chamada Carioca. Esse texto seria publicado de qualquer maneira neste 1° de março, dia em que o Rio de Janeiro completa 451 anos — feliz coincidência, portanto. Entre cenas, costumes e personagens descritos nos versos de Chico, a tapioca está presente logo na abertura da canção, ‘gostosa, quentinha’. De fato não é difícil você esbarrar com uma carrocinha vendendo o quitute na orla, no Centro, na cidade inteira. E, como quase toda comida de rua, é boa demais!

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