Criança: 12 dicas para uma viagem sem problemas

Texto e fotos de Nathalia Molina

Na hora de viajar com crianças, cada um encontra seu equilíbrio conforme vai conhecendo e se conectando com seu filho. Para a nossa família, com o tempo, fomos vendo que funcionava tirar alguns itens da bagagem:

  1. SEM APERTO: De que adianta a calça mais bonita ou o vestido de lacinho se a criança ficar enjoada porque a roupa limita sua liberdade de movimento? Ponha na mala roupas confortáveis. Tem tanta peça descolada com visual bacana. Para evitar apertos de outra ordem, a mala do meu filho inclui moda para todas as estações. São poucas peças para cada clima, mas todos estão lá.
  2. SEM TRALHA: Mesmo quando meu filho tinha meses de vida a gente procurava levar só o que era preciso para a felicidade geral. No caso de bebezinho, berço portátil e carrinho eram itens de primeira necessidade, além de mamadeira e escovinha para lavá-la. Depois de 1 ano e meio de idade, o carrinho foi abolido. Com 2 anos, a mala diminuiu drasticamente. Se ele já tira a soneca da tarde na escola no colchonete por que tem de dormir todo protegidinho? Pois é, sou mãe, e mãe tem dessas coisas, às vezes esquece que o filho cresce — ou reluta em lembrar. Mas no momento oportuno a ficha cai. Atualmente, basta um lugar aconchegante para ele descansar, seja uma cama encostada na parede ou uma caminha no chão improvisada com edredon. Só duas coisas não podem faltar para o meu filho: a chupeta e um soninho (um boneco gostoso para ele abraçar e dormir com os anjos).
  3. SEM MARATONA: Criança tem ritmo próprio, e todo mundo ganha quando ele é respeitado. Dependendo da idade, o pequenino pode precisar daquela soneca para completar o dia com disposição. Pode ser em qualquer lugar, o negócio é descansar aquele tempinho necessário. Importante: evite programar um monte de coisas para o mesmo dia. De fato isso não é legal nem para adultos, mas quem nunca correu naquela ansiedade para ‘ver tudo’? Numa viagem com filhos, é bom considerar que, além do mais, as perninhas são pequenas e, portanto, dão passinhos menores. Os interesses também podem ser diferentes do seu. É outra pessoa, e uma pessoa com visão de criança. Para meu filho, a maior viagem é ver todas as cores de avião no aeroporto.
  4. SEM PRECONCEITO: Aventure-se pelas escolhas menos óbvias. No roteiro, é bom ter programas que fazem sucesso entre crianças, como aquários e zoológicos, mas nada impede de incluir passeios por museus, por exemplo. Basta envolver seu filho no planejamento da viagem. Que tal mostrar pela internet as obras que serão conhecidas ao vivo depois?
  5. SEM RIGIDEZ: Criança precisa se alimentar bem e com qualidade. Mas são férias! Seu filho não vai ficar doente se comer hambúrguer e batata frita de vez em quando. Inclua os itens saudáveis nas refeições no clima do passeio: sucos e sorvetes de frutas regionais, couve e laranja no prato de feijão, peixinho na brasa como aperitivo na praia…
  6. SEM DESCUIDO: Em qualquer época do ano, hidratação é essencial. Água e sucos nunca são demais. Bem, o garoto Kero Coco aqui de casa já toma água de coco de caixinha o ano todo, dá para imaginar o estrago que faz quando encontra uma natural pela frente. Outros itens indispensáveis na bagagem são protetor solar e repelente — no verão, um bom chapéu garante uma sombrinha e uma carinha linda para encher de beijos.
  7. SEM DOENÇA: Como não se pode escolher que parte do código genético mandar para o forno, meu filhote é alérgico como eu. Então, uma farmacinha é mão na roda para a gente. Não se trata de chamar problemas, mas de conseguir resolvê-los rapidamente. Antitérmico, xarope e anti-histamínico vão sempre para a nécessaire.
  8. SEM CONSUMISMO: Comprar menos, experimentar mais. Nadar juntos, caminhar pelas ruas a caminho daquele centro cultural, conversar com tartarugas, abraçar no cansaço do fim do dia. Claro que até você quer trazer coisas fofas para seu filho usar ou brincar, mas as experiências também são ótimas lembrancinhas de viagem. Quando ele já fala, caso do meu doce tagarela, é maravilhoso ver como ele gosta de lembrar e contar o que viveu.
  9. SEM CENSURA: Alegria de criança em dose máxima. Vale envolver seu filho na viagem usando elementos que ele curte. No caso do meu, música, muita música. Para entrar no clima antes de embarcar e também para distrair e animar durante o trajeto. E por que não inventar as próprias músicas? Até hoje me lembro do repente que inventei com meus irmãos na estrada a caminho do sertão pernambucano. Como meu filho só tem 2 anos, eu volto no tempo de criança e dou uma ajudinha. A companhia de uma criança é um excelente pretexto para soltar a criatividade.
  10. SEM NEUROSE: Caso tudo dê errado, fora do planejado, seu filho não vai se incomodar, desde que você não surte também. Para ele, importa muito mais a presença e a tranquilidade dos pais do que megaprogramas. Ele pode até fazer um escândalo, aquela pirraça pela frustração inicial, mas vai parar se, em vez de entrar na onda dele, você o trouxer para tua onda. Essa dica nem sempre funciona porque somos humanos e às vezes a paciência vai para o espaço mesmo. Mas vale o esforço de tentar manter a calma. Costuma evitar desdobramentos mais cansativos ainda.
  11. SEM NOSTALGIA: Para não passar o ano inteiro sonhando com as próximas férias, dá para reviver os momentos de felicidade com jogos ou brinquedos artesanais comprados na anterior. Uma delícia também é passar a tarde vendo fotografias. E, enquanto a folga mais longa não chega, fazer pequenas viagens ou passeios de um dia.
  12. SEM REGRA: Tudo isso acima pode não servir para sua família, ou talvez apenas parte disso seja útil. Até para nós mesmos. Conforme as fases do meu filho vão passando, nos adaptamos. No fim, um pouco de improviso é bom para não se tornar tão sistemático e ter a chance de descobrir outras formas de viajar, dentro e fora de casa. Pelo menos até aqui tem sido assim, com esta nossa fidura, alegre e surpreendente.

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