MAR, na Praça Mauá: dicas para sua visita ao museu

Leia aqui dicas para sua visita ao Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá: como são as exposições, quanto custa o ingresso, como comprar a entrada combinada com o Museu do Amanhã, quando os dois são de graça e o que ver no prédio histórico. Ainda: o belo visual do terraço e as comidinhas do restaurante e do café

ATUALIZADO EM 23 DE FEVEREIRO DE 2017

Se alguém me perguntar hoje sobre um bom lugar para entender um pouco da história do Rio, respondo que esse lugar é o mar. Calma, a praia — esse sagrado e democrático espaço — segue sendo um boa amostra para se tomar contato com a “cidade maravilha mutante”. Mas eu me refiro a outro MAR, como se abrevia em letras garrafais o Museu de Arte do Rio.

Inaugurado em 2013, ele é a primeira atração do ambicioso projeto de revitalização da Praça Mauá, o Porto Maravilha, na zona portuária do Rio. A iniciativa incluiu ainda a inauguração do Museu do Amanhã e a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que virou uma opção para deixar e chegar ao Aeroporto Santos Dumont — leia ainda um passo a passo sobre como comprar passagem nas máquinas das estações. Com essa Linha 1 (Azul), o VLT também liga o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Moderna (MAM), 2 dos principais museus dos Rio, um passeio por 2 séculos de arte.

MAR, Museu de Arte do Rio, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x976)
Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

MAR, Museu de Arte do Rio, Praça Mauá, Entrada - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3)

 

Como é o Museu de Arte do Rio

O Museu de Arte do Rio está instalado em dois prédios, conectados por uma rampa a partir do 5º andar, onde começa a visita. Sobe-se de elevador e depois vem se descendo pelos andares de exposições. No edifício modernista dos anos 1940, funcionou a antiga rodoviária do Rio de Janeiro. O edifício é coberto por uma estrutura que lembra a ondulação da água.

Vizinho a ele está o palacete D. João VI, de estilo eclético, construído em 1916. No primeiro prédio funciona a Escola do Olhar, projeto que visa levar arte ao alcance de todos por meio da educação. No espaço são dados cursos e palestras para professores. Do terraço, é possível ver a Praça Mauá revitalizada e o novo Museu do Amanhã, ao fundo.

MAR, Museu de Arte do Rio, Vista, Visual, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4)

 

Já o palacete D.João VI abriga as exposições. No MAR não há mostra permanente, mas exposições temporárias, de curta ou longa duração, quase todas com temas ligados ao Rio: seu passado, sua formação, achados e encantos de uma cidade cercada de beleza e contrastes.

MAR, Museu de Arte do Rio, Exposição Rio Setecentista, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (1024x802)

 

O que fazer no MAR

Fique atento às exposições programadas ao longo do ano no MAR. Já tivemos a oportunidade de ver Rio Setecentista — Quando o Rio Virou Capital, mostra comemorativa dos 450 anos de fundação da cidade, completados em 2015. A exposição tratava do período de transformações vividas pela então capital do vice-reino. Muitos sinais dessas mudanças, principalmente de ordem estética, ainda podem ser encontrados na atual paisagem carioca. Isso sem falar que a mostra ajudou a entender aspectos da formação social do Rio.

MAR, Museu de Arte do Rio, Exposição Rio Setecentista, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2) (1024x768)

Aproveitamos para visitar o último mês de outras duas exposições de fotografia. A primeira delas com imagens de Evandro Teixeira. Eu conhecia apenas o mito. Nathalia, que começou a carreira no Jornal do Brasil, teve a felicidade de ver de perto o trabalho de Evandro Teixeira, que fotografou para o velho JB por mais de 40 anos. Ela ficou tocada pela possibilidade de se aprofundar na arte e na história desse grande profissional.

 

Na sala ao lado vimos também os retratos de Kurt Klagsbrunn, austríaco que fugiu da perseguição nazista e chegou ao Brasil em 1939. Suas fotos abrangem 40 anos de história do Rio de Janeiro. Nathalia e eu adoramos a última sala da exposição, que recriava o ambiente de um quarto de revelação. Quem, assim como nós, é jornalista da era pré câmeras digitais, sabe bem o que é ter de mergulhar um filme em um tanque, aplicar revelador e fixador, ficar de olho no cronômetro e, só então, descobrir se aquela foto que tiramos ficou boa ou não.

 

MAR, Museu de Arte do Rio, Fotografia, Exposição, Kurt Klagsbrunn, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (1280x960)

 

Durante a visita ao MAR, nosso filho formou dupla com a avó Sonia e passeou pelas três exposições. Na Rio Setecentista, ele até se sentou no chão para ler a caudalosa explicação afixada na parede da entrada. Joaquim ainda assistiu ao vídeo sobre o Mestre Valentim, escultor e urbanista responsável por muitas obras que marcaram a paisagem do Rio de Janeiro, como o Chafariz das Saracuras e o Passeio Público.

MAR, Museu de Arte do Rio, Praça Mauá, Entrada - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2)Vista a projeção, Joaquim quis ir embora. Ficamos então para registrar com calma as exposições do 3º andar, enquanto nosso filho desceu com a avó e se juntou a uma atividade infantil que rolava no térreo. No hall de entrada, em meio aos pilotis, Quim participou de uma brincadeira que envolvia a obra Morrinho, símbolo do MAR desde sua inauguração, quando fez parte de uma exposição que tratava de espaço e moradia.

O projeto nasceu no Morro do Pereirão, em Laranjeiras (bairro na zona sul), das mãos de Cirlan de Souza. Em 1998, ele começou a reproduzir a favela em que morava usando material reciclável e muita criatividade. Jovens de outras comunidades entraram na brincadeira e o resultado hoje está exposto no térreo, onde é possível entrar, ver a obra e seguir a vida, sem necessidade de entrar no museu. Vale a pena ver Morrinho com calma e atenção. Cada tijolo, cada frase, seu recado.

Por ocupar a região que é uma espécie de ventre do Rio de Janeiro, a proposta do MAR é dialogar com a população de seu entorno, convidá-la a contar a história da formação da cidade com o auxílio luxuoso da arte.

 

 

VALE SABER

Endereço: Praça Mauá, 5, Centro

Transporte: Vale a regra que utilizamos para visitar o Museu do Amanhã: esqueça o carro, vá de transporte coletivo. O VLT do Rio passa na porta do MAR. Pegue a Linha 1 no sentido da rodoviária e desça na Parada dos Museus

Se for de metrô, desça na estação Uruguaiana — ande na Avenida Presidente Vargas na direção da Candelária e vire à esquerda na Avenida Rio Branco. A Praça Mauá fica no fim da avenida.

De trem, desça na Central do Brasil e escolha entre caminhar por 15 minutos ou tomar a linha 225.

Muitas linhas de ônibus passam pelo Centro. O site vadeonibus.com.br, da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), sugere rotas.

O bicicletário do MAR possui 54 vagas

Funcionamento: De terça a domingo, das 10 às 17 horas. Chegamos na hora em que abriu. Pegamos o museu vazio para ver tudo com calma

Preço: R$ 20 (aceita dinheiro ou cartão Visa ou Master) — na terça, é grátis. A novidade em 2016 é que todo último domingo do mês também terá entrada gratuita, como parte do programa Domingo no MAR. O Bilhete Único dos Museus dá acesso também ao Museu do Amanhã e custa R$ 32.

A entrada é sempre gratuita para: crianças de até 5 anos e idosos acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública, guias de turismo, funcionários de museus e moradores da zona portuária. Pagam meia entrada: pessoas de até 21 anos, alunos da rede privada, portadores de deficiência, funcionários do município do Rio de Janeiro

MAR, Museu de Arte do Rio, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x768)

Alimentação: O Cristóvão Café e Bistrô fica no térreo, no espaço batizado de Pracinha Mauá. Oferece pratos executivos e refeições rápidas. Abre de terça a domingo, das 9h30 às 18 horas.

No 5º andar fica o Restaurante Mauá, com cardápio desenvolvido pelo chef Marcondes de Deus. No cardápio, receitas brasileiras com ingredientes exóticos e deliciosamente instigantes, como picadinho de caju ou camarão em crosta de tapioca. Das mesas externas vê-se a Baía de Guanabara, o Museu do Amanhã e o movimento da praça. O salão interno possui ar condicionado. Funciona de terça a domingo, do meio-dia às 18 horas.

MAR, Museu de Arte do Rio, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (768x1024)

Há bebedouros espalhados pelo MAR: à esquerda da bilheteria e em áreas perto dos banheiros

Compras: Na Pracinha Mauá, a loja Novo Desenho é totalmente dedicada ao design brasileiro, com trabalhos de profissionais consagrados e novos talentos. Abre de terça a sexta, do meio-dia às 18 horas — fecha uma hora mais tarde aos sábados e domingos

MAR, Museu de Arte do Rio, Vista, Visual, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3)

Dicas:  Do terraço é possível tirar fotos da Praça Mauá e do Museu do Amanhã — tem-se um panorama geral da área revitalizada, mas o Amanhã fica distante na imagem (quem tem zoom ou lente profissional pode conseguir uma boa foto aproximada)

Site: museudeartedorio.org.br

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