As serpentes do México

Quetzalcóatl para os astecas e os toltecas. Kukulcán para os maias. Assim era chamada a ‘serpiente emplumada’ (serpente com penas ou serpente-pássaro), um dos deuses das antigas civilizações da Mesoamérica, área que incluiu parte do território atual do México, além de porções da Guatemala, da Costa Rica, da Nicarágua, de Honduras, de El Salvador e de Belize.

Símbolo complexo e amplamente estudado por experts em arqueologia, a ‘serpiente emplumada’ foi muito cultuada, de formas diversas, pelos povos da Mesoamérica, em períodos da história pré-hispânica. Os olmecas, que estabeleceram seus primeiros povoados no México 2.000 anos antes da Era Cristã, já representavam serpente (‘cóatl) misturada à ave quetzal. Depois, vieram teotihuacanos, astecas e maias.

Figura simbólica que une céu e terra, a serpente pode ser vista em diferentes sítios arqueológicos do México. Conheça alguns significativos:

Chichén Itzá — em Yucatán, a 115 km de Mérida

Uma serpente desce a escadaria da Pirâmide de Kukulcán, em Chichén Itzá, durante os equinócios de primavera (20 ou 21 de março) e de outono (21 ou 22 de setembro), num efeito provocado pela luz do sol e a sombra dos degraus do templo. ‘Kukul’ significa sagrado, e ‘can’, serpente. Milhares de visitantes vão à zona arqueológica, no estado de Yucatán, duas vezes ao ano para apreciar a ilusão de ótica que projeta uma serpente, de cerca de 33 metros, na fachada noroeste do templo.

A luz refletida em sete triângulos lembra o corpo de serpente, que tem sua cabeça esculpida na base da pirâmide — como se vê na foto acima deste texto, imagem de divulgação do Visit Mexico, responsável pela promoção turística do país. Resultado da destreza maia, que ergueu a construção, conhecida também pelo nome de El Castillo, alinhada com o sol nessas épocas do ano. O fenômeno de ótica também pode ocorrer à noite, dependendo de condições da lua, e é reproduzido no espetáculo de luz e som realizado no sítio.

Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco e uma das Sete Maravilhas Modernas, Chichén Itzá ocupa uma área de 6,5 km² e se divide em duas zonas. A Pirâmide de Kukulcán, com 24 metros de altura, está no centro do sítio.

Teotihuacán — no estado do México, a 47 km da capital

A gigante cidade da Mesoamérica — chegou a ter uma população de 120 mil habitantes e uma área de 20 km² — recebe muitos visitantes interessados em ver suas construções mais conhecidas, como as Pirâmides do Sol e da Lua.

Mas, junto com elas, o Templo de Quetzalcóatl também levou o sítio a ser declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987. A construção exibe máscaras da ‘serpiente emplumada’. Foram esculpidas ao lado de Tlaloc, o deus da chuva.

Xochicalco — em Morelos, a 40 km de Cuernavaca

Foto retirada do site do Inah
Foto retirada do site do Inah

O destaque neste sítio são os baixo-relevos de serpentes com penas no exterior do Templo de La Serpiente Emplumada. Os baixo-relevos demonstram influência tanto teotihuacana como maia.

Assim como Tula (sítio citado abaixo), Xochicalco foi uma das cidades que surgiram no centro do México, no período entre os anos 700 e 900, após o declínio de Teotihuacán e de algumas regiões maias.

Tula — em Hidalgo, a 85 km da Cidade do México

Na parte norte da Pirâmide de Tlahuizcalpantecuhtli, ou Estrela da Manhã, fica o Coatepantli, também chamado de Muro de las Serpientes. Estudos apontaram que teria sido dedicado a Quetzalcóatl, segundo informações do Instituto Nacional de Antropologia e História (Inah) do México. Entre as 3 fileiras de desenhos, a do meio mostra serpentes devorando homens, numa representação da alma dos guerreiros.

Tula é o mais importante sítio tolteca no México. O Muro de las Serpientes demonstra bem a habilidade desse povo para trabalhar pedras, também vista nos enormes atlantes, esculturas de pedra com 4,6 m de altura, que vigiam a pirâmide.

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