Museu do Amanhã: dicas, preço do ingresso e um guia completo

Todas as dicas para sua visita ao Museu do Amanhã, no Rio: como é por dentro, o que ver, quanto custa o ingresso e quando é grátis. Veja aqui um guia completo. Na remodelada Praça Mauá, o projeto de Santiago Calatrava é um passeio interativo, atração que envolve adultos e crianças

ATUALIZADO EM 23 DE FEVEREIRO DE 2017

O Museu do Amanhã, na remodelada Praça Mauá, leva às últimas consequências o conceito de interação, com tecnologia presente em cada pedaço do que está exposto. Reunimos todas as dicas para você visitar esse ponto turístico do Rio: como é, o que ver, quanto custa o ingresso, como comprar e que dia é de graça.

É um passeio que provoca uma reflexão sobre o estilo de vida que levamos e o futuro que esperamos. Não há acervo estático, passivo. E não pense que dá para aproveitar tudo o que essa grande atração oferece numa única visita. O bom é que há tanto a fazer que você tem sempre um bom motivo para voltar. Para facilitar sua visita, descrevemos abaixo, em detalhes, um passo a passo que você pode seguir quando for até lá.

Museu do Amanhã, Fila, Entrada, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (1024x969)
Fotos: Nathalia Molina e Fernando Victorino @ComoViaja

Como é o Museu do Amanhã

Distribuído em 2 andares, o museu foi projetado pelo polêmico arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Dizem que a forma foi inspirada na flor da bromélia. Nós não conseguimos ver assim. Parece mais um esqueleto, uma espinha de peixe ou mesmo um navio, que avança sobre a Baía de Guanabara. Use a imaginação e nos conte o que achou do desenho.

A construção, que ocupa um total de 30 mil m² de área, é uma das atrações do Porto Maravilha, projeto de revitalização da Praça Mauá, na zona portuária do Rio. A iniciativa incluiu ainda a inauguração do Museu de Arte do Rio (MAR) e a instalação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que virou uma opção para deixar e chegar ao Aeroporto Santos Dumont — leia ainda um passo a passo sobre como comprar passagem nas máquinas das estações. Com essa linha (1 – Azul), o VLT também liga o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Moderna (MAM), 2 dos principais museus dos Rio, um passeio por 2 séculos de arte.

O Museu do Amanhã custou R$ 215 milhões, obtidos pela venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), e R$ 65 milhões de patrocínio do Banco Santander.

TECNOLOGIA COM INTERAÇÃO NAS SEÇÕES

Há pouquíssima vegetação no entorno do museu, que está mais para um grande largo do que uma praça propriamente dita. Então, o chão ferve no calor. Demos sorte de estar nublado quando visitamos.

O museu foi inaugurado em 19 de dezembro de 2015. As filas eram enormes nos primeiros meses de funcionamento. Visitamos o Amanhã 10 dias depois de sua abertura, o que nos levou a uma espera de 3 horas para conseguir entrar. Na época, o clima não estava convidativo para praia e o feriado do Réveillon estava próximo, razões pelas quais muita gente resolveu aproveitar para visitar o museu. E, como se não bastasse tudo isso, ainda era uma terça-feira, dia em que a entrada é grátis.

Museu do Amanhã, Fila, Entrada, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (10) (1024x901)
FILA DANDO VOLTA NA PRAÇA MAUÁ

Na época, achamos importante encarar aquela parada toda para mostrar aos leitores como era a experiência de um visitante comum, sem atalhos pela assessoria de imprensa. Para se ter ideia, nem levamos nosso filho, Joaquim. Ele voltou conosco cerca de 6 meses depois, pouco antes da Olimpíada Rio 2016. No início daquele ano o museu passou a vender ingresso na internet, com hora marcada e fila especial para entrar. Experimentamos a compra online e não esperamos nada. E ainda pegamos um dia lindo, o que rendeu as fotos ensolaradas que acompanham este texto.

Museu do Amanhã, Fila, Entrada, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (9) (1024x768)
ENTRADA DO MUSEU EM 2015…
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…E A MESMA ENTRADA, 6 MESES DEPOIS

Como é a visita

Logo que você passa a porta de vidro, sente um aliviante frescor do ar-condicionado e se depara com uma fileira de gente com as mãos para cima. Não é um agradecimento ao Senhor por ter finalmente entrado. O globo do Museu do Amanhã é o novo Cristo, como bem observou Fernando. Todos querem ter o mundo nas mãos.

Museu do Amanhã, Entrada, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1) (1024x718)
ERGUEI AS MÃOS
Museu do Amanhã, Globo, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4) (1024x1024)
A TERRA É AZUL

Com 4 metros de diâmetro, o globo suspenso dá uma pista do que o visitante encontrará pela frente. A iluminação de LED vai se alternando e nos lembra que “tudo na Terra está movimento”, para em seguida mostrar os deslocamentos das correntes marítimas e das massas de ar, a formação de furacões e tsunamis e a migração de pessoas pelo mundo. Por fim, a pergunta nos convida a refletir: “Quais amanhãs queremos?”

Apesar de muito fotografado, pouca gente parece se dar conta do significado daquele movimento de cores e desenhos no globo. Nos surpreendeu ver um adolescente explicar para a família que aquilo tratava de aquecimento global e mudanças climáticas. Pensamos então que o apelo visual e toda a tecnologia do museu servem para ele sair bem na foto. O Amanhã é fotogênico. Mas, se de 100 pessoas que tirarem selfies para postar nas redes sociais ao menos 1 parar para pensar no mundo atual e nos desafios que temos pela frente, o museu terá cumprido seu papel.

No térreo ficam salas de exposições temporárias. Uma das primeiras mostras era Perimetral, videoinstalação sobre a implosão do elevado que escondeu a praça Mauá e a zona portuária durante décadas.

Na visita de julho, nós vimos a temporária O Poeta Voador, Santos Dumont. Completa e totalmente audiovisual, ela mostra os veículos voadores inventados pelo brasileiro, expõe diversos modelos e ensina a dobrar vários tipos de avião de papel. Joaquim fez um sobrevoo virtual a bordo do Demoiselle. O passeio dele ao lado da mãe sobre o Rio de Janeiro (Paris era a outra opção de cenário) foi registrado neste vídeo. Também nos divertimos com os painéis preparados para fotos (tem até marcações para o fotógrafo se posicionar).

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ASAS DA IMAGINAÇÃO

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Quem vai com crianças pequenas tem também um refresco na área educativa, localizada à direita da escada principal. A meninada se distrai com jogos de madeira e livros que tratam de temas relacionados à ciência. Na 1ª visita, vimos também alguns pequenos pintando e desenhando com auxílio de monitoria. Na 2ª visita, estava vazio.Museu do Amanhã, Crianças, Brinquedos e Livros, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x843)Museu do Amanhã, Crianças, Livros, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x768)Durante a 1ª visita, fomos diretamente para o primeiro andar, para ver a exposição permanente. Como o Museu do Amanhã havia sido inaugurado poucos dias antes, estávamos curiosos.

Prepare-se para muitos recursos audiovisuais e espaços interativos (incluindo jogos diversos). Você aproveita melhor a visita se respeitar a ordem em que os 5 ambientes temáticos estão dispostos: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós.

Museu do Amanhã, Como é a Visita, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x768)

O museu inteiro está em três línguas — além de português, inglês e espanhol. Esse fato é algo para lá de louvável, não apenas pelo propósito do Amanhã (de fomentar a discussão em torno de um tema tão importante para a Humanidade), mas também para uma cidade e um país que têm na indústria do turismo um caminho econômico possível, ainda que, na maior parte das vezes, mal trabalhado..

A visita é guiada pela Iris, cartão magnético que você recebe na entrada para registrar seu nome e e-mail — isso pode ser feito rapidamente em qualquer uma das mesas interativas do 1º pavimento. Cadastrado, o visitante acompanha no mapa o que viu de cada área do museu. Aviso: é praticamente impossível ver todo o conteúdo de uma só vez. Portanto, numa 2ª ida ao Amanhã, você saberá não só o que faltou ver como também que conteúdos foram atualizados em relação à sua 1ª passagem por lá graças à Iris.

Museu do Amanhã, Como é a Visita, Guia Iris, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (5) (1024x768) Museu do Amanhã, Como é a Visita, Guia Iris, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2) (1024x768)

Museu do Amanhã, Como é a Visita, Guia Iris, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (1024x768)

Nós testamos na 2ª visita, e o cartão funcionou perfeitamente, mostrando logo de cara os setores em que lembramos de passar o cartão. Sim, porque não vimos tudo obviamente, mas também esquecemos de passar a Íris em algumas mesas que visitamos juntos.

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O nome da assistente digital combina com o símbolo do museu, que lembra o formato da íris, a parte mais visível do olho humano, única em cada pessoa tal como são as impressões digitais. No fundo, cada visitante carregará uma visão muito particular do Amanhã com o auxílio luxuoso da tecnologia.

1 > COSMOS

Se a fila for pequena, entre no domo negro onde um filme de 8 minutos é exibido em formato 360 graus. Cabem 80 pessoas no interior da sala — como havia muita gente, encaramos 1 hora de espera para entrar. Há fila preferencial, o que gerou comentário indignado de uma senhora (pasmem, uma senhora!) que achou que a monitoria privilegiava a entrada de idosos e crianças (bobagem, eles botam 40 pessoas de cada fila por sessão). Dentro da sala há cadeiras e almofadões para se assistir à projeção.

Dica: deitado nos almofadões, o impacto das imagens é maior.Museu do Amanhã, Cosmos e Terra, Como é a Visita, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x768)

A partir do que há de mais moderno em matéria de recurso audiovisual, Cosmos conecta passado e presente, mostrando fenômenos que tiveram início há bilhões de anos e que resultaram na formação da Terra e, posteriormente, no surgimento dos seres vivos.

Museu do Amanhã, Cosmos, Filme, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1)
SELFIE ANTES DA SESSÃO

Quem está acostumado a ver na televisão documentários a respeito do tema em canais como Discovery e NatGeo talvez não se impressione. A monitora informa que quem não se sentir bem pode deixar a sala antes do fim do filme. Fernando garante ter ficado mais enjoado assistindo Gravidade (Gravity, 2013) em 3D no cinema.

Nathalia assistiu a um filme muito parecido sobre a formação do universo no planetário de Montreal, no Canadá. Mas o que é exibido no Amanhã é legal? Sim, o material tem o selo da 02, produtora do cineasta Fernando Meirelles. Joaquim assistiu à projeção ao lado da avó, Sonia, durante nossa 2ª visita. Ambos gostaram muito da experiência. A fila de prioridade não levou nem meia hora. Nesse dia, a entrada pela fila preferencial não demorou nem meia-hora.

Depois da projeção, os visitantes deixam a sala e começam a se espalhar pelo museu. No espaço seguinte ao domo, há 6 mesas interativas com informações sobre aspectos do universo, como densidade, distâncias, velocidades, durações. Como são baixas, essas bancadas são facilmente acessadas por crianças a partir dos 6 anos. Aliás, vimos algumas delas mexendo sem medo e até ensinando gente mais velha a usar.


2 > TERRA

Sabendo de onde viemos, hora de questionar quem somos. O segundo módulo do Museu do Amanhã é formado por 3 cubos, cada um simbolizando um aspecto do planeta.

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Fique atento às mesas interativas que estão do lado de fora deles. Possuem informações bem interessantes sobre o que foi abordado dentro das caixas. Quando se aprende que cada ser humano é um ecossistema fica mais fácil entender a necessidade de nos preservarmos também. Nossas conexões cerebrais e fenômenos como a ilusão de ótica são assuntos abordados nas telas touch no cubo do pensamento.

Você se sente novamente numa aula de ciências, sem ser chata.

Museu do Amanhã, Terra, Cubo Vida, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (15) (1024x702)
Museu do Amanhã, Terra, Cubo Pensamento, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (16) (1024x675)


  • Matéria

O cubo é recoberto por cerca de 180 fotos capturadas por telescópios no espaço. Ampliadas, as imagens recriam um cenário parecido com o que o astronauta russo Iuri Gagarin (primeiro homem enviado ao espaço, em 1961) viu e imortalizou na frase “A Terra é azul” — aliás, a explicação científica sobre a cor de nosso planeta é umas das informações disponíveis nas telas interativas ao lado do cubo. Museu do Amanhã, Terra, Cubo Matéria, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x1024)

Museu do Amanhã, Terra, Cubo Matéria, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2) (1024x572)

 

Dentro, na obra Fluxos, do artista Daniel Wurtzel, dois pedaços de tecido bailam no ar sem parar numa representação dos movimentos que transformam o planeta a partir da combinação dos elementos ar, terra, luz e água. É contemplativo. Poético. O rodopiar dos tecidos lembra um pouco uma cena do filme Beleza Americana (American Beauty, 1999), quando o personagem de Wes Bentley (aficionado por fazer vídeos com sua câmera) mostra à garota pela qual é apaixonado um plano-sequência de um saquinho plástico dançando no ar ao sabor do vento.

Museu do Amanhã, Obra Fluxos, Terra, Cubo Matéria, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (5) (1024x744)

Assim que entramos no cubo, um homem de meia idade, carregado sotaque carioca, perguntou a uma mulher:

— A senhora é daqui?
— Sim!
— Os caras gastaram tanto dinheiro pra botarem essas coisas aqui, um pano voando?

Não ficamos para ouvir a resposta, se é que houve alguma. Verdade seja dita, as pessoas quase não falam no interior do cubo, exceto para pedir a um conhecido ficar mais à direita ou à esquerda no enquadramento da foto ou da selfie. Tocamos em frente.


  • Vida

As paredes do 2º cubo estão recobertas pelo código do DNA, a combinação química que organiza o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos, dos mais simples aos mais complexos. A relação entre os diversos níveis de organismos vivos e sua importância são apresentados no interior da caixa. É ali, entre tantas descobertas lúdicas, que ficamos sabendo que 1,5 kg do peso de um ser humano adulto é composto por bactérias fundamentais à vida, seja para absorver nutrientes, seja para agir no nosso sistema de defesa. Não é à toa que o aviso é expresso: cada pessoa é um ecossistema único.Museu do Amanhã, Terra, Cubo Vida, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (7) (768x1024)

Museu do Amanhã, Terra, Cubo Vida, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (11) (1024x768)

É possível também conhecer o ecossistema da Baía de Guanabara — local onde o museu foi construído. A fauna e a flora estão ali expostos, nas fotos. É de chocar como tamanha biodiversidade foi afetada pela poluição.


  • Pensamento

O 3º e último cubo ilustra, do lado de fora, o sistema nervoso, que confere a cada ser humano a capacidade de percepção e de ação perante o mundo. Na parte interna colunas com fotografias mostram diferenças e semelhanças entre povos do nosso planeta. À parte religiões, sistemas políticos ou cor da pele, rimos, choramos, amamos, nos organizamos quase sempre da mesma forma.

Incrível como a sisudez do poder — personificada na figura do exército — pode ser igual em vários lugares do mundo. E como a alegria soa igualmente bela na expressão de um sorriso, de Islamabad, no Paquistão, à Cidade do México.

Museu do Amanhã, Terra, Cubo Pensamento, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (13) (1024x1024)

Apaixonada por fotografia e escrita, Nathalia gostou dessa sala justamente porque o espaço reúne boas imagens complementadas por informações — para ela, o painel que apresenta as diferentes formas de se escrever pelo mundo foi o que chamou sua atenção.

Museu do Amanhã, Terra, Cubo Pensamento, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4) (1024x1024)

O jogo de espelhos das paredes ilude, faz a sala parecer maior. Engano que se desfaz à medida que se percorre o labirinto formado pelas colunas de fotos. É muito comum ver as pessoas rodarem em torno dos totens em sequência. Todos giram, quase ninguém se tromba. Aprende-se muito. A concepção visual (foto + legenda) lembra um pouco os totens que tratam de fatos históricos expostos na Sala das Copas, do Museu do Futebol, em São Paulo.

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3 > ANTROPOCENO

Alguns cientistas chamam de Antropoceno o período da história do planeta em que as atividades humanas impactam sobre a Terra. O aquecimento global e o desequilíbrio de ecossistemas são temas abordados no filme exibido nas 6 colunas de 10 metros. Cada visitante se torna nanico diante daqueles painéis de luzes frenéticas.Museu do Amanhã, Antropoceno, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (3) (1024x791)

 

O ritmo acelerado das imagens apresenta a lado perverso do progresso. Ganhamos. E perdemos muito. Em 50 anos, gastamos mais, consumimos mais, comemos mais. Desperdiçamos demais. Poluímos muito, muito mais. O homem transformou e inventou paisagens. Nathalia sintetizou o filme como um soco no estômago. Sensação que se repetiu na nossa 2ª ida ao museu, mesmo não tendo mais uma novidade.

Museu do Amanhã, Antropoceno, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4) (1024x768)


4 > AMANHÃS

Lembra da pergunta feita no globo terrestre da entrada? É hora de se discutir que amanhã queremos para nós e para os nossos. É a zona dos jogos interativos. Não é mais o museu quem dá as informações. Agora ele quer saber o comportamento de seus visitantes.

As mesas nos centros das salas atraem curiosos, adultos e crianças, que disputam a vez para brincar de simular quantos planetas são necessários para sustentar o modo de vida dos visitantes e responder a questões éticas. Você pode se surpreender ao descobrir como suas escolhas no dia a dia afetam o planeta.

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Joaquim se divertiu e aprendeu na prática o impacto que nossas escolhas têm sobre a Terra. Tudo de maneira muito lúdica. Aos 7 anos, ele ficou louco para brincar nas mesas e respondeu a cada pergunta proposta. Se a frase era muito complexa para a idade dele, a gente traduzia com exemplos do dia a dia. Funcionou, foi a parte do museu de que ele mais gostou.

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5 > NÓS

A visita termina numa espécie de oca estilizada, formada por 2 paredes arqueadas feitas por madeira trançada. O convite é para desacelerar. A iluminação, nos explicou um funcionário, simula as cores de um amanhecer, com tons que passam do azul ao rosa..

Informação por aqui só a que está escrita no Churinga. Encontrado em um antiquário de Paris, esse objeto de origem aborígene era usado pelos habitantes da Oceania para conectar gerações passadas e futuras. No fundo, é o propósito do Amanhã.Museu do Amanhã, Como é a Visita, Nós, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (768x1024)

Saindo da última área do museu, ficamos de frente para a Baía de Guanabara. Pode-se questionar que todo o dinheiro investido naquele espaço poderia servir para despolui-la. Pode-se reclamar que falta área verde ao redor da imensidão branca e cimentada do Amanhã. Pode-se criticar cada iniciativa pública sustentável tomada em qualquer parte do Brasil e do mundo. Mas acreditamos que a ideia ali não é reforçar a visão pessimista sobre o atual estado das coisas em nosso planeta. E sim termos ciência de onde viemos, sabermos que somos matéria, vida e pensamento. Que nos organizamos, construímos culturas. E que podemos transformar o futuro.

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VALE SABER

Endereço: Praça Mauá, 1, Centro, Rio de Janeiro

Praça Mauá Rio de Janeiro Museu do Amanhã - Foto Nathalia Molina @ComoViaja - Destaque

Transporte: Esqueça o carro. Afinal, a ideia é mesmo cuidar do meio ambiente, né? De qualquer forma, ir ao Centro do Rio de carro é sempre uma furada. Prefira o transporte coletivo.

O VLT Rio é o jeito mais prático e bacana de se chegar à Praça Mauá.

MUSEU DO AMANHÃ

Se for de metrô, desça na estação Uruguaiana — ande na Avenida Presidente Vargas na direção da Candelária e vire à esquerda na Avenida Rio Branco. A Praça Mauá fica no fim da rua.

De ônibus, consulte as linhas no site vadeonibus.com.br, da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), que sugere rotas. Mas, na hora de checar o resultado da busca, dê preferência às rotas que não usam dois ônibus desnecessariamente.

Os bicicletários dispõem de 120 vagas para quem for pedalando.

Funcionamento:  De terça a domingo, das 10 às 18 horas (última entrada às 17 horas)

Preço: R$ 20 — na terça, grátis. O Bilhete Único dos Museus dá acesso também ao Museu de Arte do Rio (MAR) e custa R$ 32.

A entrada é sempre gratuita para: crianças até 5 anos e idosos acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública, guias de turismo, funcionários de museus e moradores da zona portuária.

Pagam metade do valor do ingresso: pessoas de até 21 anos, alunos da rede privada, portadores de deficiência, funcionários do município do Rio de Janeiro, moradores da cidade e clientes do Santander.

Se quiser evitar filas, compre o ingresso pela internet. Na nossa 2ª visita ao Amanhã, em julho de 2016, nós compramos as entradas online.

Alimentação: Há um café logo na entrada à direita — funciona de terça a domingo, das 10 às 18 horas. Esteve lotado a tarde inteira durante a nossa 1ª visita. O que nos salvou foi ter levado um bolinho e uns biscoitinhos. Encontramos o café mais vazio na chegada de manhã durante nossa 2ª visita (compramos apenas água).Museu do Amanhã, Café, Como é a Visita, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1024x789)

O Fazenda Culinária trabalha com ingredientes cultivados no Rio de Janeiro, o que achamos bem bacana dentro do conceito de sustentabilidade, valorizando a produção local. Como ocorre geralmente nesse tipo de produto, os preços são altos.

Compras: A tentadora lojinha do museu fica à esquerda na entrada — de terça a domingo, do meio-dia às 18 horas; clientes do Santander têm 10% de desconto. Vende artesanato, bijuteria e artigos feitos por gente que privilegia trabalhos manuais

Dicas: A Guarda Municipal não permite vendedores ambulantes perto das filas. Então, se der sede, deixe alguém tomando conta do seu lugar e ande um pouco até perto do desembarque de passageiros dos navios. Compre uma garrafinha e guarde o recipiente. Há bebedouros lá dentro para você enchê-la de novo com água. Em alguns, havia copinhos descartáveis. De qualquer forma, vale o reuso, ainda mais se a intenção é pôr em prática a reflexão sobre o amanhã.

Bebedouros e banheiros estão pelos dois pisos. Evite usar apenas os que ficam logo à direita no térreo. Como são os primeiros encontrados pela maior parte das pessoas, vivem cheios. Ah, no banheiro, Fernando descobriu o papel para enxugar a mão atrás do espelho acima da pia. Da primeira vez não tinha nenhuma sinalização, foi na sorte. Quando retornamos, em 2016, já havia uma inscrição no próprio espelho indicando onde puxar as folhas.

Com crianças pequenas, além de água, é recomendável providenciar frutas e um lanche fácil para enfrentar a fila.

Museu do Amanhã, Dicas, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (2) (1024x768)

Museu do Amanhã, Dicas, Rio de Janeiro, Praça Mauá - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (1)
Você vai suar. Use roupas leves e curta a agradável sensação de sentir a brisa do ar-condicionado do museu quando a fila se aproximar da porta de entrada.

Se a espera for longa como a nossa, fique atento para não torrar a bateria do smartphone trocando mensagens ou postando fotos, a menos que você tenha uma reserva para usar dentro do museu. Não vimos tomadas lá dentro para recarregar celular. Converse, ouça música, leve um baralho que seja.

Site: museudoamanha.org.br

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