Museu Mercedes, em Stuttgart, na Alemanha

Museu Mercedes Benz, em Stuttgart, na Alemanha, mostra como a criação do automóvel é ligada à história da luxuosa marca de carros. Motivos não faltam para visitar a atração, como o desconto no ingresso até 2020

ATUALIZADO EM 14 DE DEZEMBRO DE 2017

Meu coração é de Maria, mas viajo com Mercedes. A frase me saltou aos olhos quando a li em um para-choque de caminhão no meu tempo de criança. Essa gaiata declaração de amor feita à base de um trocadilho é para mim o melhor texto de publicidade escrito fora da publicidade. Ideia simples, um paradoxo em se tratando de uma marca luxuosa como Mercedes–Benz. Vencidos mais de 130 anos da invenção do automóvel, os carros da estrela de três pontas permanecem como símbolo de status, de algo para poucos. Já o museu da montadora, em Stuttgart, na Alemanha, anda na contramão da suposta imagem elitista.

 

Como é o Museu Mercedes-Benz

Instalado em um lindo prédio futurista, que chama atenção à medida que você se aproxima, o acervo do museu de nove andares está dividido em duas exposições: Legend Rooms e Collection Rooms. Ao todo, são 160 veículos e cerca de 1.500 objetos expostos. Circulando por seus 16.500 m², você não esbarra tanto em potenciais compradores nem machos clássicos, daqueles que entendem tudo sobre quatro rodas.

O Museu Mercedes é um espaço bem bacana para quem se interessa por história. Isso faz dele um programa ideal para famílias com crianças, como nós comprovamos durante nossa viagem pela Alemanha.

O que fazer no Museu Mercedes

O tour começa pelo alto. O elevador com pinta de cápsula do tempo leva o visitante a 1886, ano em que Goetlib Daimler e Karl Benz buscavam criar, cada um em um canto da Alemanha, o primeiro automóvel movido por motor de combustão interna.

A partir do salão onde estão expostos veículos pioneiros como o Benz Velo, de 1894, você é levado a percorrer os andares do museu por meio de rampas — super viável para cadeirantes. Painéis localizados à esquerda da descida contam de forma cronológica passagens da história da Mercedes — da junção dos rivais Benz e Daimler ao papel inovador que a marca sempre exerceu no mercado automobilístico, sem se esquecer do contexto mundial em que os fatos transcorreram.

Nathalia e eu, que adoramos história, concluímos que se não houvesse um mísero carro exposto a visita teria valido a pena mesmo assim. Já o nosso filho, Joaquim, que ainda não sabia ler,  ficou atento às fotos. Quando reconheceu os Beatles — associados em um painel a uma determinada passagem da trajetória da Mercedes — ele parou e quis saber o que faziam naquela imagem os caras que cantam Don’t let me down (“Du lé mi daun”, como dizia o Quim aos 3 anos).

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Nas sete Legend Rooms são apresentados lendários carros que ilustram um período histórico a partir de um tema central: da invenção do automóvel às inovações no campo da segurança — a Mercedes foi pioneira na criação do air-bag e do sistema de freio ABS, por exemplo.

Um piso inteiro conta o nascimento da marca Mercedes, batizada com o nome da filha de Emil Jèllinek, homem de negócios e piloto vocacional, cujas vitórias nas pistas ajudaram a impulsionar as vendas dos primeiros veículos da empresa na Europa.

 

Papamóvel, ônibus e carros de corrida

Mais do que modelos de passeio, a Mercedes também se especializou na fabricação de veículos pesados, de serviços de emergência e para transporte de massa. Nas áreas chamadas de Collection Rooms estão expostos táxis, vans, ônibus, carros de polícia e de bombeiro, ambulâncias e até o papamóvel, tudo o que for capaz de fazer a criançada ficar vidrada com aqueles brinquedinhos avantajados. Quando visitamos, havia lá também um caminhão parecido com o que vi na infância, mas sem a frase antológica no para-choque. Merecia estar escrita.

 

Collection Rooms e Legend Rooms são exposições independentes, mas conectadas a cada andar. À direita fica o espaço dos veículos Collection. Se preferir ver apenas os Legend, vá para a esquerda e desça a rampa. O acervo completo consome duas horas de tour, aproximadamente.

Os dois percursos terminam numa curva fechada intitulada Flechas de Prata — Corridas e Recordes. Nessa área comprova-se o poder da Mercedes em diversas categorias do automobilismo, das provas do turismo europeu à Fórmula 1, com destaque para os carros pilotados nos anos que antecederam a Segunda Guerra — tempo em que surgiu o mito das Flechas de Prata, assim chamados pela imprensa devido à ausência de pintura na lataria dos carros. Vê-se ainda os modelos que levaram o argentino Juan Manuel Fangio a dois de seus cinco títulos mundiais, e os carros que marcaram o retorno da Mercedes à Fórmula 1 com uma equipe própria, ocorrido em 2010, depois de 55 anos de ausências das pistas.

Museu Mercedes, Alemanha - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (14) (800x457)

Interessados em viver a imersão no mundo da velocidade têm à disposição dois simuladores de corrida. Como o cansaço já havia batido em nós (estávamos com uma criança), não topamos encarar a fila formada maciçamente por homens jovens dispostos a guiar um Mercedes, ainda que virtualmente.

Museu Mercedes, Alemanha, Como Chegar - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (6) (800x600)

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Endereço: Mercedesstrasse, 100

Transporte: A partir da estação central de Stuttgart, pegue a linha 1 do S-Bahn no sentido Kirchheim (Teck), desça em NeckarPark (Mercedes-Benz) e siga as placas que indicam o caminho do museu, a uns 15 minutos de caminhada. Em dias de jogos do Stuttgart, cujo estádio fica próximo, o acesso ao museu pode estar restrito. Portanto, use o transporte público para chegar ao Mercedes-Benz Museum

 

 

Funcionamento: De terça a domingo, das 9 às 18 horas (a bilheteria fecha 1 hora antes)

Museu Mercedes, Alemanha, Entrada - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (4) (800x550)

Preço: adultos, 10 euros; jovens entre 15 e 17 anos e pessoas acima de 60 anos, 5 euros (menores de 15 anos entram de graça, se estiverem acompanhados por um adulto). A taxa inclui o áudio-guia, disponível em oito idiomas. Não há versão em português.

O simulador de corrida funciona de terça a domingo, das 10 às 17h45. O ingresso custa  4 euros (só aceita dinheiro) e é necessário ter altura mínima de 1 metro e 40 centímetros

Até 30 de junho de 2020, quem visitar o Museu Mercedes terá desconto de 25% na compra do ingresso para o Museu Porsche, mediante apresentação do bilhete. E vice-versa

 

Museu Mercedes, Alemanha, Café - Foto Nathalia Molina @ComoViaja (800x530)Alimentação: O café-bar do 1° andar (terça a domingo, das 9 às 18 horas) oferece de refeições rápidas a sanduíches. Durante o verão, sentar-se no terraço do restaurante (terça a domingo, das 10 às 19 horas) é ideal para saborear pratos da cozinha regional e internacional enquanto se admira a bela arquitetura do museu

Site: mercedes-benz-classic.com/museum


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As entradas nos foram dadas como cortesia, a convite do Museu Mercedes e do Turismo de Stuttgart

 

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