Na Casa do Mestre Vitalino

Me surpreendi com a quantidade de visitantes que recebo diariamente no Como Viaja atrás de textos sobre São João. Foi uma feliz supresa, sempre gostei de festa junina. Os jogos, as comidas, a caipira. Quando criança, dançava quadrilha na rua da minha avó. As famílias montavam as barraquinhas improvisadas com pedaços de pau em frente de casa. Não a minha. Meu pessoal gostava de aproveitar a festa e de comprar o que os outros cozinhavam.

Nunca tive a oportunidade de ir ao Nordeste em época de São João. Mas conheci Caruaru ainda adolescente, numa grande viagem de férias com meus pais por várias cidades nordestinas. Toda vez em que escuto falar da cidade me vem a lembrança afetiva de inventar repentes malucos com meus irmão no banco de trás do carro, a caminho do agreste pernambucano. Assim, na ingenuidade, a gente nem percebia que assimilava um pouco da rica cultura brasileira.

Foi assim que chegamos à Casa do Mestre Vitalino, no Alto Moura, em Caruaru. Meu pai quis nos levar para ver onde havia vivido o ceramista. No bairro já moravam artesãos que seguiram o estilo de Vitalino. Como eles, muitos pelo Nordeste.  Em qualquer mercado, acham-se as representações da vida no sertão. Cresci com boizinhos e retirantes coloridos na estante da sala — minha mãe sempre foi ligada em artesanato. Da última viagem a João Pessoa, eu trouxe casais pequeninos como este, com uns 2 centímetros. Hoje já meio gastos de tanto dançar forró.

Naquelas férias, nos anos 80, o Alto do Moura não era grande tampouco organizado. A gente ia visitando as casas informalmente, seguindo o convite dos moradores-artesãos. Atualmente, pelo que percebi em sites e em reportagens que editei sobre a região, o bairro mudou bastante. Tem sinalização e memorial para o Mestre Galdino (outro ceramista), e as casas dos artistas são ateliês.

É, arrasta-pé é muito bom. Mas ir a Caruaru e se jogar só na festa é desperdiçar a oportunidade de entrar na cultura do sertão de modo completo, com dança, culinária e arte. E do melhor jeito para se aprender: na maior naturalidade, sem nem se dar conta da aula.

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