Pão de queijo, o tradicional mineiro

Mineiro de origem, o pão de queijo é comida típica do Brasil. Veja onde comer em Belo Horizonte a receita, tradicional ou inovada. E conheça curiosidades sobre a história do quitute

ATUALIZADO EM 20 DE MARÇO DE 2017

A necessidade é mãe de todas as invenções. Com o pão de queijo não foi lá muito diferente. Ninguém sabe precisar quando ele surgiu, mas todo mundo que se debruçou sobre o tema afirma que o surgimento desse quitute está ligado ao Ciclo do Ouro vivido pelo Brasil, entre os séculos 18 e 19.

A descoberta de jazidas em Minas Gerais atraiu inúmeros portugueses para lá, fez explodir ainda mais o comércio de escravos e aumentou absurdamente a população brasileira, de aproximadamente 300 mil habitantes para incríveis 3 milhões de pessoas no curto espaço de 100 anos. Por causa do ouro, os cuidados com a terra foram deixados de lado.

Para alimentar tantas bocas era preciso trazer alimentos de outras partes do país ou cultivar produtos que não exigissem tantos cuidados. Nesse cenário de pouca variedade de gêneros alimentícios surgiu uma culinária caseira, baseada na agricultura de subsistência e no máximo aproveitamento dos ingredientes disponíveis.

Abundante desde os tempos em que Cabral e sua esquadra deram com os burros nestas terras, a mandioca também salvou a pátria no Ciclo do Ouro — a raiz já tinha seduzido os lusos, que aprenderam com os índios a consumi-la sob a forma de tapioca, por exemplo. Nas Gerais, o polvilho azedo, derivado da mandioca, foi misturado a outros ingredientes, assado em forno a lenha e resultou no quitute que é sinônimo de Minas.

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Fotos: Nathalia Molina @ComoViaja

Tradicional ou gourmet, cada receita uma alquimia

Não ter detalhado os ingredientes foi proposital. É que cada pessoa (seja em Minas ou em outro lugar do Brasil) tem sua receita, seu segredo de família na hora de preparar pão de queijo — há os que usam leite ou água, outros que botam óleo ou banha na massa. Queijo? É consenso: quanto mais duro, curado, melhor. O da Serra da Canastra é o mais citado pelos puristas. Os abertos a experimentações relatam até o uso de gruyère.

Em Belo Horizonte, cada venda, café ou lanchonete faz de um ingrediente seu diferencial na hora de preparar o quitute. O Dona Diva, que fica no Mercado Central, se orgulha de utilizar o legítimo Serra da Canastra na fabricação de seu pães de queijos, que não ficam armazenados em estufas para melhor conservar seu sabor e sua textura.

No bairro de Santa Tereza, o Bitaca da Leste — minúsculo empório e restaurante que ostenta cardápio enxuto e bem mineiro — tem pão de queijo de cor acentuada pelo acréscimo de manteiga de garrafa na receita. Ideia do chef Luiz Paulo Mairink, que recheia a iguaria com carne de lata e geleia de limão capeta.

Pois é, fazer sanduíche usando o pão de queijo como base não é raridade em BH. A Pão de Queijaria, na Savassi, vende versão que tem como enchimento pernil envolto por uma generosa tira de bacon. Tem ainda uma opção para a sobremesa, com um naco de queijo coberto com doce de leite. Os pães são de fabricação própria e utilizam de queijo Serra do Salitre a Parmesão de Alagoa. Ah, o cafezinho servido por lá é escoltado por petit four de… pão de queijo!

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Em Tiradentes, Nathalia e eu sentimos a delícia que é começar o dia com uma cesta de pães de queijos quentinhos. E, sim, eles tinham qualquer coisa de diferente de tudo o que a gente já havíamos experimentado: eles eram leves, macios, revelando aquele sabor típico de um queijo de Minas meia-cura, com sal nem de mais nem de menos, na medida.

Quando estamos em um aeroporto — à espera da saída do vôo ou de uma conexão — nosso lanchinho sempre passa por um pão de queijo. É relativamente barato, seguro (o risco de passarmos mal é baixo) e, até quando o quitute é ruim, ainda assim vai ser melhor do que qualquer outra coisa que comermos.

Bom, se você ficou salivando com esse texto, faça como eu: termine a leitura e bote um pacote de pão queijo para assar. Os congelados podem não ser assim uma coisa do mundo, mas te deixam um pouquinho mais próximo do sabor das Gerais.

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