Em fevereiro de 1990, poucos meses depois de o Muro de Berlim começar a ser derrubado, centenas de artistas de 20 países se reuniram para produzir as 101 pinturas expostas ao longo de 1.316 metros do lado oriental do muro, maior segmento da antiga fronteira que permanece de pé.
O tom cinza, medonho e triste das imensas placas de concreto originais, que repartiram Berlim ao meio por 28 anos, foi substituído por cores e traços fortes, dando origem ao East Side Gallery. Esse espaço às margens do rio Spree tornou-se mais que a maior galeria de arte a céu aberto do mundo. Virou um permanente convite à reflexão sobre liberdade.
Além de um passeio a pé para ver de perto toda a extensão da exposição, vale experimentar enxergá-la por outro ângulo. Em uma manhã chuvosa de domingo, Nathalia, Joaquim e eu subimos num ônibus hop on hop off e conseguimos fotos bem interessantes, sentados no 2º andar do ônibus panorâmico. O ritmo lento do circular que visita os principais pontos de Berlim ajuda a visualizar os painéis do East Side. Vítimas da ação do tempo, de pichações e até de vandalismo, as pinturas foram restauradas em 2009.
Turistas posando para selfies em frente às obras fazem parte da rotina da cidade atualmente. Vejas alguns dos destaques:
- Fraternal Kiss (Mein Gott hilf mir, diese tödliche Liebe zu überleben): ao pé da letra, a obra chama-se Meu Deus, ajude-me a sobreviver a este amor mortal! O Beijo Fraterno (em alemão, Bruderkuss) entre o então presidente da República Democrática da Alemanha, Erich Honecker, e seu camarada Leonid Brejnev, líder da União Soviética, é o grande cartão-postal do East Side Gallery. O tradicional cumprimento soviético selou o encontro entre os líderes políticos em 1979. A foto famosa correu o mundo e foi reproduzida pelo artista russo Dmitri Vrubel.
- Wall Jumper (Mauerspringer): de autoria do neo-zelandês Gabriel Heimler, a pintura de um homem que foge do lado oriental pulando o muro é um dos cenários mais buscados para cliques.
- Test The Rest: o Trabant, veículo-símbolo da Alemanha socialista, atravessando o muro é outro imã de visitantes. A obra de Birgit Kinder carrega na placa a data da queda do Muro de Berlim, 9 de novembro de 1989.
- Homage to the Young Generation (Hommage an die Junge Generation): um dos primeiros artistas que começou a pintar o Muro ainda em 1984, Thierry Noir também tem trabalhos expostos nas ruas de Londres e Nova York. O francês é visto de pincel à mão trabalhando em uma de suas obras numa cena do filme Asas do Desejo, de Win Wenders, de 1987.
- It Happened in November (Es Geschah im November): nascido no Irã, Kani Alavi estudou artes em Berlim e viveu nas imediações do Checkpoint Charlie durante a Guerra Fria. O mar de rostos buscando atravessar o Muro expressa o tamanho do impacto gerado pelo que aconteceu em novembro de 1989.
- Worlds People (Wir sind ein Volk): a psicodelia presente no painel do alemão de origem russa Schamil Gimajew também tem forte impacto visual.
- Berlyn: a pintura do ilustrador de livros infantis Gherard Lahl dispensa tradução.
VALE SABER
Endereço: Mühlenstrasse, entre a Oberbaumbrücke (Ponte Oberbaum) e a estação Ostbahnhof
Transporte: De S-Bahn e desça na estação Warschauer Strasse ou Ostbanhhof. A linha U1 também leva à 1ª estação
Funcionamento: 24 horas
Preço: Grátis