Categoria: Destinos Internacionais

Melhores destinos internacionais, com dicas de viagem para o exterior. Confira pontos turísticos, hotéis, passeios, comidas, festas e outros destaques

  • Viena (Áustria): pontos turísticos, hotéis e mais

    Viena (Áustria): pontos turísticos, hotéis e mais

    Há 10 anos seguidos Viena é eleita a melhor cidade do mundo para se viver pela consultoria Mercer. Capital da Áustria, às margens do Rio Danúbio, Viena é uma linda cidade, com palácios barrocos, concertos e bailes. Antes palácio imperial dos Habsburgo e atual sede da presidência do país, o Hofburg ainda guarda a valsa de muitos casais em seus salões.

    Faz sentido Viena se intitular cidade da música e da cultura — entre outros, Mozart e Beethoven viveram lá. Uma noite ao ano, em junho, dá para sentir essa atmosfera sem pagar nada: no concerto de verão (Sommernachtskonzert) da Filarmônica de Viena, nos jardins do Schloss Schönbrunn. Desde 1996, esse imponente palácio é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco; já os cafés de Viena foram declarados Patrimônio Imaterial em 2011. Há em torno de 2.400 estabelecimentos do gênero por toda a cidade, de modernosos a elegantes e clássicas confeitarias.

    Outra bela tradição são os mercados de Natal de Viena, quando a cidade se ilumina. O prédio da prefeitura dá um toque especial à feira na Rathausplatz. Vilas natalinas embelezam ainda mais locais como o Belvedere e o Schönbrunn.

    Confira abaixo o que fazer em Viena e onde ficar na capital da Áustria, além de restaurantes, compras, clima, eventos, transporte e destinos para um roteiro combinado. Nossa série de guias de viagem traz informações grátis e completas para você se planejar bem para conhecer destinos brasileiros e internacionais.

    GUIA DE VIAGEM | VIENA

    PONTOS TURÍSTICOS

    Se você caminhasse apenas pela Ringstrasse, passaria por importantes atrações de Viena: a Staatsoper e a Musikverein (símbolos da música clássica), o Hofburg e os museus de história natural (Naturhistorisches Museum) e de história da arte (Kunsthistorisches Museum), com quadros de Rafael, Rembrandt e Bruegel.

    Há cerca de 100 museus em Viena. Matisse, Renoir e Miró estão no Albertina. Para ver obras de Gustav Klimt (entre elas, O Beijo) vá ao Belvedere, antiga residência de verão dos nobres. Egon Schiele também ocupa paredes ali, mas o artista tem presença maciça no Leopold, atração mais visitada do MuseumsQuartier. Com 90.000 m² e cerca de 60 instituições, o quarteirão junta construção histórica, arte contemporânea e design. Complete a visita com o Sigmund Freud Museum, dedicado ao pai da psicanálise.

    Caminhe pelo centro histórico, pare nos cafés e experimente o schnitzel (milanesa que é prato típico de Viena). Praça nessa área fechada para carros, a Stephansplatz é referência para desbravar a cidade, começando pela Stephansdom. Do século 12, a catedral gótica é coberta por 230.000 telhas que formam um mosaico. Na região, o show fica com os movimentos da Escola Espanhola de Cavalaria (Spanische Hofreitschule). Você pode se programar para essa e outras atrações antes da viagem, comprando ingressos de atrações e passeios em Viena.

    O barroco Schloss Schonbrünn, com a imperatriz Sissi como sua habitante mais famosa, está a meia hora de metrô do centro. No verão, chegue antes e explore o parque e os jardins. Considerado o melhor da Europa, o zoológico de Viena fica ali perto. Nos meses mais quentes, curta os muitos parques de Viena (quase metade da cidade é coberta de áreas verdes). No Prater, vá além: ande na lendária roda-gigante. Depois, aproveite o calor na pequena praia de verão à beira do Danúbio, numa mesa dos bares instalados em sua margem ou num passeio de barco.

    Palácio de Schönbrunn, entre os pontos turísticos da Áustria – Foto: Wien Tourismus/Divulgação
    Comida típica de Viena, o schnitzel – Foto: Robert Osmark/Turismo de Viena/Divulgação

    HOTÉIS

    Onde ficar em Viena próximo de pontos turísticos? Hospede-se no 1º distrito. Tome a Ringstrasse como limite. Nela e na área dentro do seu desenho estão os mais luxuosos hotéis de Viena. A tradição do Hotel Sacher Wien não se restringe à torta de receita original. Fica em frente à Staatsoper e é tão requintado quanto bem localizado. A pé se chega ao Hofburg ou às compras na Kärtnerstrasse. O Grand Hotel Wien e o Palais Hansen Kempinski Vienna oferecem serviços e acomodações impecáveis.

    Elegantemente criativos, The Guesthouse Vienna (vizinho do Museu Albertina) e Das Triest Hotel (perto do mercado Naschmarkt) levam a assinatura do designer Terence Conran, enquanto o Hotel Sans Souci Wien tem interior by Philippe Starck. Próximo do MuseumsQuartier, o 25hours Hotel reflete a atmosfera cool de Spittelberg, um dos mais antigos bairros de Viena, com bares e cafés em vielas do 7º distrito.

    Dono de uma suíte com visão para o Belvedere, o Hotel Daniel Vienna se orgulha de ter padaria própria e apiário no telhado do prédio que já foi um conjunto de escritórios dos anos 1960. No Grand Ferdinand, o rooftop é da piscina. O elegante hotel abriu em 2015 na região do Ritz-Carlton Vienna e do Intercontinental Wien. O trio está a curta distância do primeiro parque público da cidade, o Stadtpark, com monumentos em homenagem a compositores como Strauss e Schubert.

    O Hotel Wandl está a menos de 10 minutos a pé da Stephansplatz e do metrô, na própria praça da igreja. Nessa região, a rede Accor possui o Mercure Wien Zentrum e o Mercure Vienna First, perto do restaurante Motto am Fluss, no terminal dos barcos turísticos, às margens do Danúbio. Também da Accor, o Novotel Wien Hauptbahnhof atende bem a famílias e a quem chega a Viena de trem. Fica perto da estação central (Hauptbahnhof), assim como o econômico B&B Wien-Hbf, com janelas à prova de som, ar-condicionado, bancada de trabalho e alguns quartos para famílias (com 4 camas). Nos arredores de Schönbrunn, há o três-estrelas Hotel Viktoria e o Radisson Blu Park Royal Palace, uma categoria acima.

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    RESTAURANTES

    A culinária de Viena se orgulha de pratos que carregam o nome da cidade, caso do popular wiener schnitzel. O escalope à milanesa e o appfelstrüdel, erradamente associados à Alemanha, nasceram em Viena assim como a sachertorte. As confeitarias Sacher, Gerstner e Demel são instituições que servem esse bolo e outros clássicos da doçaria vienense.

    Comida típica, preços menores e ambientes acolhedores são encontrados num biesl. Steman e Beim Czaak são representantes do estilo clássico de bistrô da capital austríaca. O Skopik & Lohn faz uma releitura afrancesada da culinária local, em Karmelitermarkt, o bairro da moda.

    Cosmopolita, a cidade reserva à cozinha mais ambiciosa lugares como Steirereck e Walter Bauer, estrelados pelo Guia Michelin. Já os quiosques de salsicha são reduto da simplicidade. A barraca da Bitzinger em frente ao museu Albertina é paradinha básica.

    Em matéria de tradição nada supera os cafés vienenses. Há praticamente um a cada esquina, dos antigos Café Central (com música ao vivo) e Prückel aos modernosos Balthasar e Caffè Couture, que apostam na inventividade de seus baristas.

    compras

    Exclusiva dos pedestres, a Kohlmarkt é a rua do centro histórico voltada ao luxo. Sua extensão, a Tuchlauben, forma com a Bognergasse e a praça Am Hof o Goldenes Quartier, quarteirão onde peças de Alexander McQueen, Miu Miu e Louis Vuitton valem ouro.

    Também ficam nos calçadões Mango, Forever 21 e H&M, com preços mais amigáveis. Para pagar um pouco menos, siga para a Mariahilferstrasse. Na maior rua de comércio, há lojas e os shoppings Gerngross e Generali Center, o mais antigo da capital da Áustria.

    Os mercados de pulgas são muitos e vendem do kitsch a antiguidades. Um dos maiores fica perto do Naschmarkt, principal mercado de alimentos da cidade e também uma atração turística. Nele é possível comprar iguarias ou se sentar num box para uma refeição. Aliás, para trazer comida e bebida de souvenir, o bombom Mozartkügel e os vinhos austríacos são boas ideias.

    Nos mercados de Natal, dá para achar lindos enfeites para árvore. Chocolaterias e supermercados oferecem artigos como o calendário do advento, com surpresas em janelinhas para as crianças abrirem até o Natal.

    TRANSPORTE

    City Airport Train é a ligação mais rápida entre o aeroporto e o centro de Viena. A viagem até o terminal Wien Mitte (com conexão para a estação central, a Hauptbahnhof) leva 16 minutos. A cada ano, Viena busca reduzir a circulação de automóveis.

    Se você é fã de bike, saiba que a capital austríaca é praticamente plana e conta com cerca de 1.400 km de ciclovias. O sistema Citybike Wien oferece em torno de 120 pontos de aluguel, a maioria localizada perto de estações de metrô. Também é possível fazer um tour guiado de bicicleta.

    Apenas 27,5% dos deslocamentos na cidade são feitos de carro, então o transporte público é a melhor opção para circular. Integrados, os serviços de ônibus, bonde e metrô aceitam o mesmo bilhete. Tíquetes podem ser comprados em estações, máquinas de autoatendimento, tabacarias, centros de visitantes ou pelo aplicativo da companhia Wiener Linien.

    Vienna City Card de 24, 48 ou 72 horas dá direito a viagens ilimitadas a partir da primeira validação e descontos em atrações e alimentação. Menor de 15 anos viaja de graça como acompanhante de um adulto portador desse cartão.

    MOEDA

    A moeda da Áustria é o euro — vá comprando moeda estrangeira antes de viajar.  Há máquinas de saque do lado de fora de agências bancárias em Viena, e cartões de crédito e débito são bem aceitos na cidade. Para trocar moeda, há casas de câmbio (o grupo Interchange tem filiais no aeroporto e na Stephansplatz) e bancos (como o Austrian National Bank). Eles abrem das 8h30 às 12h30 e retornam das 13h30 às 15 horas — na quinta, seguem até as 17h30.

    Museus em Viena incluem o Albertina – Foto: Nathalia Molina @ComoViaja

    CLIMA

    Com estações bem definidas, Viena tem clima continental e sofre influências oceânicas. Durante o verão (de junho a setembro), a média é de 20°C, mas o calor pode chegar aos 30°C. A mínima raramente cai além de -5°C no inverno (entre dezembro e março), podendo nevar desde novembro. Primavera e outono têm vento frio (carregue sempre um casaquinho) e apresentam temperatura na média anual, 11°C.

    EVENTOS

    Baile em Viena, no Opera Ball – Foto: Wien Tourismus/Divulgação

    Concertos (em salas de música, cafés e igrejas), bailes e apresentações do Coral dos Meninos de Viena (Wiener Sängerknaben) reforçam a imagem de destino de música clássica. Em 2019, a cidade celebra 150 anos da Wiener Staatsoper, casa onde óperas e balés são apresentados, na Ringstrasse. Toda quinta anterior à Quarta-Feira de Cinzas, o lugar vira o mais imponente salão de baile de Viena para a valsa de 150 casais, numa festa de gala. Igualmente tradicionais, mas realizados nas praças, os mercados de Natal e de Páscoa enfeitam a cidade e são ótimos passeios em família. A festa de Réveillon toma a frente da prefeitura e se estende pelas vielas, enquanto o Hofburg recebe um requintado baile de Ano Novo. Em 1º de janeiro, o concerto da filarmônica é tradição no Musikverein.

    Mas Viena também tem vanguarda: o festival de dança (ImPulsTanz), de julho a agosto; a viennacontemporary (semana de arte contemporânea) e a Vienna Design Week (evento com foco em criatividade e experimentação no design), no outono; e a Vienna Art Week, em novembro. No mesmo mês, a cidade promove sua Vienna Bier Week — a Oktoberfest local (Wiener Wiesn-Fest) começa no fim de setembro. O inverno oferece pista de patinação, DJs e pubs durante o Winter im MQ, até dezembro no MuseumsQuartier. E, numa cidade repleta de cafés, o Vienna Coffee Festival ocorre em janeiro.

    mais destinos

    Pense em fazer uma refeição em meio aos vinhedos sem que seja necessário pegar vários quilômetros de estrada. Isso é possível em Viena, cidade que se orgulha de manter uma produção de vinho dentro da área urbana — em torno de 700 hectares de vinhedos cercam a capital austríaca, o que rende cerca de 2,4 milhões de litros anuais da bebida. As principais vinícolas (entre elas, a Mayer am Nussberg e a Weingut Wien Cobenzl) ficam a menos de 1 hora do centro histórico e recebem visitantes — veja aluguel de carro.

    Viena é um ótimo destino para ser combinado com outras cidades da Áustria, como numa excursão de 1 dia a Salzburgo. Ou com as capitais de países próximos. A eslovaca Bratislava (distante apenas 80 km) e a húngara Budapeste (a cerca de 240 km), por exemplo, estão na rota de embarcações que navegam pelo Danúbio e passam por Viena. Nathalia fez um cruzeiro fluvial assim e considera essa uma das suas viagens mais bonitas e inesquecíveis.

    Vinhedos de Viena, dentro da cidade – Foto: Lois Lammerhuber/Turismo de Viena/Divulgação

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  • Comidas típicas do Canadá: 15 pratos e produtos para provar

    Comidas típicas do Canadá: 15 pratos e produtos para provar

    ‘Não há uma comida típica do Canadá.’ A afirmação vem de ninguém menos que Justin Trudeau. Em bate-papo sobre culinária, gravado para o site Explore Canada, do órgão oficial de turismo, o primeiro-ministro do país justifica sua opinião baseado na incrível diversidade de seu povo. Do caldo formado por diferentes contribuições e tradições, pratos e ingredientes deram à cozinha canadense uma identidade nacional. Aqui listamos as principais comidas típicas do Canadá.

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    Num país de inverno rigoroso, um prato típico do Canadá feito com batatas afaga o corpo e traz conforto. Criada em Québec, a poutine ganhou projeção nacional e é consumida em qualquer época do ano em toda parte. A receita de poutine original, com pedaços de queijo e molho de carne, recebeu releituras locais. Por exemplo, nas Províncias Marítimas, no litoral leste do país, a lagosta substitui a carne bovina no prato à base de batatas fritas e queijo. É essa calórica combinação que encabeça a lista de comidas típicas do Canadá, que ao lado de bebidas tradicionais formam um país saboroso.

    Entre os ingredientes, o xarope de maple talvez seja o caso mais conhecido. Extraído da árvore que tem estampada sua folha na bandeira do Canadá, ele é um legítimo produto local, consumido em todo o território. O icewine, vinho de uvas congeladas do Canadá, é outro orgulho nacional, ainda que Alemanha, Estados Unidos e Japão também se dediquem à fabricação desse produto.

    1 | Poutine

    Batata frita faz a alegria de muita gente, sem dúvida. Acrescente a essa maravilha pedaços de coalhada de queijo e molho de carne. Essa receita surgida em Québec virou mania nacional, mas é na província francesa que ela é realmente uma tradição. Aberto 24 horas, o La Banquise, no bairro Plateau-Mont-Royal, serve apenas poutine e oferece 30 versões do prato. Nathalia esteve lá na sua primeira viagem a Montréal. Em outra ocasião em 2017, também almoçou o prato típico do Canadá feito com batatas no La Belle et La Boeuf. Localizado na Rue Saint-Catherine, ele é uma opção de happy hour animada, com sua ampla carta de drinks. Além de hambúrgueres, unidades da rede Frite Alors! servem poutine, incluindo a versão com carne defumada (smoked meat) que Nathalia também comeu e recomenda (diz: é uma delícia!).

    2 | Maple

    Se fosse no Brasil, ele seria o produto perfeito para figurar num daqueles comerciais sobre o agronegócio. O maple está na bandeira do Canadá. Está presente no dia a dia de todos os habitantes do país. Está no café da manhã, no almoço e no jantar. Está na calda da panqueca, está no pirulito, no preparo do prato principal e na finalização da sobremesa. Maple é tradição. É produto exportação. É presente de viagem também. E Québec é o maior centro produtor do xarope de maple de todo o mundo. Carla, irmã da Nathalia, já contou aqui como é a visita a uma fazenda de maple no Canadá, um dos passeios para se fazer na primavera.

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    3 | Icewine

    Comer sem beber é difícil, né? Na ida às Cataratas do Niágara e visita às vinícolas perto de Toronto, isso fica comprovado. Além de estar entre os pontos turísticos do Canadá, a região é uma das principais produtoras de vinho do país. Ao lado das quedas d’água, na pequena cidade de Niagara-on-the-Lake, a harmonia entre um bom prato e uma taça é celebrada a cada refeição. É lá também que se encontra uma bebida tipicamente canadense, o icewine, vinho de uvas congeladas, que Nathalia provou em 2 momentos diferentes da sua última visita a Ontario: no almoço da vinícola Two Sister e no bar de gelo da Peller Estates, em que vestiu casaco especial para encarar os 10 graus negativos do ambiente.

    4 | Peameal bacon

    Se for visitar o St. Lawrence Market, mercado de Toronto, não deixe de comer o sanduíche que é marca registrada do Carousel Bakery. O peameal bacon é composto por finas fatias grelhadas do genuíno lombo canadense envolto em farinha de milho — a receita original levava farinha de ervilha (pea, em inglês). Acompanha molho de mostarda com mel. É bem bom!

    5 | Butter tart

    É a chamada receita de vovó que atravessa gerações agradando sempre. A torta de manteiga tradicional é uma massa folhada com recheio que mistura açúcar, xarope de milho ou maple, ovo e manteiga (claro!). Registros comprovam que a primeira menção a este doce foi feita em um livro de receitas do século 19, cuja a venda ajudou a arrecadar fundos para um hospital da cidadezinha de Berrie, em Ontário. Desde 2013, outra cidade da província, Midland, promove o maior festival de tortas de manteiga do Canadá.

    6 | Canada Dry (Ginger Ale)

    Colonizados que somos pelos refrescos à base de cola e bebedores orgulhosos do legítimo guaraná, natural estranharmos o primeiro gole de um ginger ale. A bebida produzida pela Canadá Dry desde 1904 tem gengibre em sua fórmula, o que ajudou a suavizar a birita (e o flagrante) no tempo da Lei Seca. Hoje, além de puro, o refrigerante sai também de fábrica misturado com cranberry, blackberry e até chá verde. Como diriam os anúncios de antigamente, ginger ale está à venda nas boas casas do ramo.

    7 | Frutas vermelhas

    Se tem algo de que Nathalia sente falta quando volta do Canadá são as frutas vermelhas: cranberries, raspberries, blueberries, wild berries, todas sem exceção. Elas são frescas, suculentas e, principalmente, baratas. De tão abundantes no país, há supermercados e mercados de produtores que fazem promoção do tipo leve 3 pague 2. E Nathalia sempre compra, lógico. Sai com elas pelas ruas porque, além de tudo, são práticas para sacar da mochila e comer no intervalo entre uma atração e outra. Praticamente todos os mercados públicos do Canadá têm uma banca que vende frutas vermelhas frescas. Em Québec, tem ainda o Marché des Saveurs du Québec, em frente ao Marché Jean Talon, principal mercado público da cidade. Vende o que é fabricado na província e derivados de frutas vermelhas, com destaque para o mirtilo selvagem (bleuets sauvages). São geleias, xaropes, chás e tudo mais que possa ser convertido em pequenas porções de felicidade.

    8 | Bagel

    Existe muita discussão em torno do melhor bagel: se o de Nova York ou o de Montréal. Certo mesmo é que a receita tem laços com os imigrantes judeus que chegaram às duas cidades. A massa da versão canadense leva água adocicada com mel, o que se reflete no sabor final. É também mais crocante e tem tamanho um pouco maior do que o primo-irmão americano. Em Montréal, disputam o título de melhor bagel a Fairmount Bagel e a St. Viateur Bagel (cujos pãezinhos também são encontrados no Marché Jean-Talon).

    Bagel da Fairmount Bakery – Foto: Pierre-Luc Dufour/Tourisme Montréal/Divulgação

    9 | Carne defumada (smoked meat)

    Em Montréal, todos os caminhos levam à Deli Schwartz, restaurante judaico com 90 anos de tradição cuja especialidade é o sanduíche de smoked meat, ou carne defumada (peito de boi marinado por 10 dias em uma mistura de ervas finas e especiarias), servida com mostarda no pão de centeio. O poeta e cantor Leonard Cohen era fã dos sandubas preparados pela Main Deli Steak House, concorrente que também fica no Boulevard Saint-Laurent, praticamente em frente ao Schwartz. Na dúvida, prove um de cada endereço, mas saiba que o sanduíche é enorme, então vale a pena dividir se a fome não for grande. Na Vieux Montréal, parte do centro antigo da cidade, tem também o restaurante Brisket, que significa peito de boi e serve smoked meat.

    10 | Beaver tail

    Por causa do formato comprido e achatado, a tradução para essa ‘gordice’ é rabo de castor. É o carro-chefe da rede de confeitarias batizada com o nome do doce criado por ela em 1978. A massa se assemelha à de uma rabanada. Bem esticada é frita em óleo até ficar dourada. Não leva recheio. Em compensação, dá-lhe cobertura! Nathalia e nosso sobrinho, Caio, foram à unidade da Beaver Tails perto do Vieux Port, no centro velho de Montréal. Dividimos a versão com pasta de chocolate e avelã.

    11 | Nanaimo bar

    Doce em três camadas, típico da cidade de Nanaimo, na província de British Columbia. A base é composta por mistura de chocolate, biscoito moído e nozes; o meio leva um creme de manteiga e a cobertura de ganache de chocolate arremata tudo. O doce é o orgulho da cidade da costa oeste canadense, tanto que o centro oficial de turismo de Nanaimo criou a rota dos 39 melhores lugares para se provar nanaimo bar, o original e suas releituras. Não chore, dá para encontrar o doce em cidades como Toronto, onde provei nanaimo bar na Blackbird Bakin Co, em Kensignton Market e no St. Lawrence Market.

    12 | Lobster roll

    Por razões óbvias, nas províncias marítimas banhadas pelo Atlântico quem reina é a lagosta. Ela está presente em todos os pratos possíveis, durante o ano inteiro. Acha exagero? Pois saiba que até no Natal o peru perde o protagonismo para a lagosta. Na Nova Escócia, além de prová-la à moda roots (usando alicate para quebrar a casca e avental para estancar a sujeirada que os estilhaços provocam), Nathalia comeu ainda o lobster roll, icônico sanduíche em pão de leite recheado com salada de carne de lagosta e maionese. É um lanche que também pode ser encontrado em outras cidades canadenses e americanas.

    Lobster Roll, sanduíche de lagosta em Halifax – Foto: Nathalia Molina @ComoViaja

    13 | Carne de bisão

    Fisicamente, o bisão se assemelha ao boi e ao búfalo. Nos primórdios do Canadá, sua carne desidratada e triturada servia de base para o preparo do Pemmican, comida rica em proteína e caloria, ideal para alimentar os caçadores de pele que enfrentavam meses e meses de temperaturas negativas. No jantar na CN Tower, em Toronto, Nathalia experimentou bisão de modo menos ortodoxo, grelhado com legumes de acompanhamento. Comi também na forma de sanduíche em Edmonton, no café do Royal Alberta Museum.

    Bisão no recheio – Foto: Nathalia Molina @ComoViaja

    14 | Queijos de Québec

    Se há um traço marcante da cultura francesa em Québec, ele está redondamente materializado em uma paixão: queijo. A província canadense domina a produção nacional, sendo responsável por fabricar cerca de 500 variedades. Uma visita pelos mercados Jean Talon e Atwater, ambos de Montréal, comprovam estes números: há desde versões mais moles e suaves às mais duras e de sabor acentuado. Já em cidades como Toronto a dica é dar uma passada no Pusateri’s que funciona dentro da Saks’s Fifth Avenue. A unidade desse empório familiar tem uma sessão de queijos que também impressiona pela variedade e pela qualidade. Por toda a província de Québec, fazendas produtoras de queijo abrem suas instalações para visitas guiadas com direito à degustação.

    15 | Bannock

    Este pão de raízes escocesas foi incorporado à culinária de um dos primeiros povos que habitaram do Canadá, os inuits. De formato arredondado e baixinho, o bannock leva farinha, fermento, leite e óleo. Ele vai bem no café da manhã ou para acompanhar a refeição principal. Bannock é também o nome de um restaurante em Toronto onde Nathalia provou o pão e bebeu um maravilhoso suco de mirtilo, outra especialidade do Canadá.

  • Montevidéu (Uruguai): pontos turísticos, hotéis e mais

    Montevidéu (Uruguai): pontos turísticos, hotéis e mais

    Montevidéu é um destino bom para brasileiros que desejam sentir o gostinho de uma viagem internacional pela primeira vez. A proximidade geográfica ajuda (dá para ir de carro, navio ou avião), o idioma não chega a ser um impedimento (os uruguaios entendem nosso português tão bem quanto podemos compreender o espanhol deles), o futebol também é uma paixão nacional no Uruguai e o povo mantém uma tradição culinária que muito nos agrada: a mania de churrasco.

    A despeito das crises de seus vizinhos Argentina e Brasil, o Uruguai fechou 2018 seu 15º ano de crescimento econômico consecutivo. Segundo dados do governo, o turismo é responsável por cerca de 10% do PIB nacional. Nesse período, o país ganhou visibilidade por conta das políticas sociais adotadas e das discussões de temas que o colocaram na vanguarda das nações democráticas. Elaborado anualmente pela consultoria Mercer, o ranking das cidades com a melhor qualidade de vida no mundo coloca Montevidéu (78ª posição) na liderança da América do Sul. 

    Montevidéu tem um centro histórico que abriga seus principais museus. Boas opções de compras, gastronomia e diversão estão localizados em bairros descolados como Punta Carretas e Pocitos. E ainda espaços que celebram a vida ao ar livre, como seus parques públicos e as famosas praias banhadas pelo Rio da Prata. E o melhor: para experimentar um pouco disso tudo, um feriado prolongado é tempo suficiente.

    Confira abaixo o que fazer em Montevidéu, além de hotéis, restaurantes, compras, clima, eventos, transporte e destinos para um roteiro combinado. Nossa série de guias de viagem traz informações grátis e completas para você se planejar bem para conhecer destinos internacionais e no Brasil.

    GUIA DE VIAGEM | MONTEVIDÉU

    pontos turísticos

    Desbrave Montevidéu a partir de sua origem, Ciudad Vieja, onde está uma espécie de santíssima trindade de instituições históricas e culturais, separadas por uma curta caminhada: o Museu Gurvich, o Museu Andes e o Museu Torres Garcia. Visite ainda o Museo del Carnaval e o vizinho Mercado del Puerto. Neste centro gastronômico peça um asado aos goles de medio y medio, bebida típica uruguaia, e então faça a digestão a caminho do Teatro Solís, jóia arquitetônica de 1856. Pertinho dali está o Museo La Cumparsita. Dedicado ao tango mais famoso do mundo, de autoria do uruguaio Gerardo Rodríguez, ele fica dentro do Palacio Salvo, edifício-símbolo da capital uruguaia que oferece tours guiados todos os dias.

    O prédio fica de frente para a Plaza Independencia, onde no centro repousa a estátua do líder nacional José Artigas. Em uma das laterais da praça, a Puerta de La Ciudadela é o que restou da antiga fortificação espanhola erguida na Ciudad Vieja. Daí em diante corre a principal avenida da capital uruguaia, a 18 de Julio, unindo Centro ao Parque Batlle. Na maior área verde da cidade estão o Estádio Centenário (palco da 1ª Copa do Mundo, em 1930, vencida pelos uruguaios) e o Museo del Fútbol, que narra a relação do país com esse esporte. Antes da viagem, você pode garantir ingressos de atrações e passeios em Montevidéu

    Além do time celeste, La Rambla é outro motivo de orgulho uruguaio. Com 30 km de extensão, este caminho que margeia o Rio da Prata contorna as famosas praias de Montevidéu, entre elas Pocitos, Ramírez e Buceo. O calçadão é perfeito para caminhar, andar de bicicleta ou para curtir o entardecer em lugares como Plaza de los Ingleses e Verde. Para quem viaja com crianças, uma alternativa de passeio é o Parque Rodó, que tem parque de diversão — com clássicos como roda-gigante — e onde também fica a sede do Mercosul. 

    Museu Gurvich, um dos passeios em Montevidéu – Foto: Divulgação
    Estádio Centenário, casa do futebol uruguaio em Montevidéu – Foto Enrique Pellurez/Divulgação

    HOTÉIS

    Os hotéis de Montevidéu no melhor trecho das ramblas estão concentrados principalmente em Punta Carretas e Pocitos. O primeiro é o bairro mais badalado, com infraestrutura de lazer e acomodações como o Sheraton Hotel Montevideo. Ele fica colado com o Shopping Punta Carretas e com o Aloft Montevideo, hotel novo e voltado ao segmento de jovens viajantes. Charmoso, o bairro de Pocitos ostenta a praia mais conhecida da capital, boas opções de restaurantes e boliches (como são chamadas as baladas por lá). My Suites é um hotel-boutique moderninho a cerca de 200 m da rambla. Na divisa com Punta Carretas fica o Armon Suites, quatro-estrelas todo repaginado. Território dos esportes náuticos, Buceo oferece tanto acomodação para famílias (Hilton Garden Inn) quanto hotel-boutique arrumadinho (Cottage Puerto Buceo), voltado para quem está na cidade a negócios ou a dois.

    Região das principais atrações, as ruas do Centro ficam mais desertas à noite e nos fins de semana. Se o objetivo for visitar o maior número possível de pontos históricos de Ciudad Vieja durante o dia, considere opções de hospedagem como o Alma Histórica Boutique Hotel, pertinho do Museu Pré Colombiano, do Mercado del Puerto e não muito distante do Teatro Solís. Hotel design localizado a poucos passos do calçadão, o Axsur Design Hotel tem quartos superiores com vista para o Rio da Prata. Nas noites de quinta a sábado, a diversão neste pedaço da capital uruguaia fica por conta de discotecas e de casas tradicionais de tango como o Baar Fun Fun.

    Para quem prefere isolamento e não liga de gastar mais tempo se deslocando para as atrações, Carrasco é um elegante bairro residencial onde estão hotéis-boutique e pousadas como a Alquimista Montevideo, de apenas 6 quartos e restaurante de mesmo nome. Pertíssimo do aeroporto, o Hampton by Hilton tem piscina e restaurante com vista panorâmica para o lago.

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    RESTAURANTES

    De dia, experimente comer nos mercados. Na Ciudad Vieja, visite o Mercado del Puerto, onde no lugar dos antigos boxes de frutas, verduras e legumes funcionam hoje restaurantes que servem a famosa carne uruguaia. Em quase todos você encontra a parrillada, prato que leva à brasa miúdos de boi e embutidos como a morcilla. Ainda no centro velho, perto da Plaza Zabala, o restaurante Jacinto tem menu de influência ítalo-espanhola, elaborado de acordo com os produtos de cada estação do ano.

    Outro secular entreposto de alimentos é o Mercado Agrícola de Montevideo, na região de Aguados. Reformado, seu galpão erguido em ferro foi reaberto em 2013 com a proposta de ser um centro gastronômico e cultural. Lá é possível comer churrasco, massa, provar sobremesas como o chaja (fala-se charrá) ou delícias recheadas de dulce de leche e ainda alimentar a alma com livros e apresentações ao vivo de música.

    Na zona turística de Punta Carreta e Pocitos ficam casas mais arrumadinhas (e caras), como o Francis Restaurant — cujo cardápio vai do tradicional asado em versão gourmet a sushi e risotos — e experiências como o Glück, combinação de arte com gastronomia. O vinho é sagrado em todo o Uruguai, que se tornou o maior produtor mundial da variedade Tannat, uva originária da França. Prova-se da safra nacional nos principais restaurantes e bares de Montevidéu, que também tem um festival inteiramente dedicado à bebida. Há ainda opção de pacote para Montevidéu com vinícolas.

    Cozido de origem espanhola, o puchero é comida típica do Uruguai, que também tem no chivito uma tradição. Combinação de filé, alface, tomate, ovo, pimentão e maionese, este sanduíche pode ganhar contornos ainda mais ogros com a adição de presunto, bacon, queijo e o que mais houver na geladeira. Um suma, um X-tudo acompanhado por batatas (papas fritas).

    compras

    De segunda a sexta, o passeio pelo Centro inclui entrar em lojas da Peatonal Sarandí — calçadão de acesso à Ciudad Vieja — ou da 18 de Julio, a avenida das grifes internacionais e dos artigos em couro. No lugar de uma antiga penitenciária, o Punta Carretas virou o principal shopping da cidade, frequentado por endinheirados e turistas. Gasta menos quem pechincha nas manhãs de domingo na Feira Tristán Narvaja, que ocupa a rua de mesmo nome e reúne vendedores de antiguidades, de discos e até de frutas e verduras.
    Para comer bem e comprar produtos típicos do Uruguai, visite o Mercado Agrícola, no bairro Goes. Patrimônio Histórico, ele foi foi remodelado e tem 107 boxes que abrem todos os dias. A cidade é reconhecida pelo alto número de livrarias: são cerca de 60, sendo que algumas delas possuem cafés ou jardins para curtir a leitura.

    TRANSPORTE

    Você chega a Montevidéu de carro, de ônibus, de avião ou de navio — a capital uruguaia é parada da temporada de cruzeiros no Brasil que partem do nosso litoral, entre novembro e março. Para sair do porto, use táxi ou Uber (o aplicativo é o mesmo daqui). Essas também são opções para deixar o Aeroporto Internacional Carrasco, a 20 km da cidade. Também existem vans coletivas e opções de carro para traslado de aeroporto ao centro de Montevidéu.

    A falta de metrô na cidade é compensada pelo uso de ônibus, com aplicativo próprio para traçar itinerários. Se investir no aluguel de carro, saiba que alguns hotéis antigos dispõem de poucas vagas de estacionamento (quando oferecem). Bikes são recomendadas para passeios pela rambla e o ônibus de 2 andares é um jeito de percorrer pontos turísticos da capital uruguaia durante 2 horas e meia.

    MOEDA

    Compre moeda estrangeira antes de viajar — a oficial é o peso uruguaio. Se precisar trocar dólar ou outra moeda, a maioria das casas de câmbio atende de segunda a sexta, das 13 às 18 horas — nos shoppings, das 9 às 22 horas, todo dia. A gorjeta (propina, como eles dizem) não é obrigatória, mas é bom dar 10% da conta para garçons e no táxi. A isenção de IVA em compras com cartão foi estendida até abril de 2019.

    O que comer no Uruguai: chivito, o sanduíche típico – Foto: Divulgação

    CLIMA

    O clima de Montevidéu é temperado, com os termômetros em média registrando 16°C. Banhada pelo Rio da Prata, a capital uruguaia costuma ter verões quentes e úmidos, geralmente na casa dos 23°C (janeiro é o pico da estação) e inverno em torno dos 10°C (julho é o mês mais frio). Mesmo nas noites de novembro a março, vale a pena ter um casaco leve à mão para se proteger do vento no fim de tarde.

    EVENTOS

    País vizinho também festeja seu Carnaval – Foto: Serrana Díaz/Ministério de Turismo do Uruguai/Divulgação

    Fevereiro em Montevidéu tem Carnaval, cujos os primeiros tambores são escutados ainda em janeiro, mês de um desfile inaugural e de homenagem a San Baltasar ao som do candombe, ritmo musical de raízes africanas. O tango é celebrado nos meses de abril (Semana de La Cumparsita), junho (etapas do Mundial de Tango), agosto (Festival Tango Vivo) e outubro (Festival Viva El Tango). No sexto mês do ano, o vinho é protagonista no Festival del Tannat e Cordero e na Noche de San Juan.

    Na véspera do feriado da independência, celebrado em 25 de agosto, não só a capital bem como todo o país dançam ao som de hits dos anos 60, 70, 80 e 90 na tradicional Noche de La Nostalgia (Noite da Nostalgia no Uruguai), quando bares, discotecas e casas noturnas organizam grandes bailes da saudade.

    MAIS DESTINOS

    Escala de cruzeiros que saem do Brasil, Punta del Este fica a 120 km da capital e pode ser acessada de carro ou de ônibus. Apesar da curta distância, o bate-volta é puxado. A alternativa é pernoitar num dos hotéis de Punta del Este e aproveitar mais as praias, os restaurantes, as casas noturnas, tentar a sorte nos cassinos e fazer passeios em Punta del Este. Distante do centrinho fica a Casapueblo, preciosidade erguida numa encosta e aberta à visitação. No verão, o sol brilha no balneário até perto das 9 da noite.

    Fundada por portugueses, a pequena Colonia del Sacramento (180 km de Montevidéu) é sossegada e atraente pelo valor histórico de sua arquitetura, tombada pela Unesco. O vilarejo também serve de parada numa dobradinha com Buenos Aires — um ferry boat (Buquebus) sai com destino à capital da Argentina.

    Cassinos em Punta del Este – Foto: Divulgação
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  • DDR Museum (Berlim): museu sobre a vida na Alemanha Oriental

    DDR Museum (Berlim): museu sobre a vida na Alemanha Oriental

    A porta de entrada do DDR Museum, museu sobre a Alemanha Oriental em Berlim (garanta o ingresso sem fila), funciona como uma máquina do tempo. A viagem nos conduz direto para os anos 1970. Nascidos nessa década, vivíamos rodeados por objetos semelhantes na infância.

    Gravador com toca-fitas, escovas de cabelo e bobs de plástico, televisão com imagens desbotadas, ursinhos daquela pelúcia peluda (nada do macio plush). Nas cores, muito marrom — o máximo da ousadia em decoração era o uso de um certo laranja ou de tons pastéis. Estávamos novamente com 5 anos.

    A ideia é justamente promover a imersão do visitante no estilo de vida cotidiano de um cidadão da Alemanha comunista. Um museu elaborado para que os objetos estejam sempre ao alcance das mãos. São portas para abrir, vídeos para ver e até um Trabant, o carro-símbolo da Alemanha Oriental, para dirigir virtualmente pelas ruas de Berlim Oriental.

    Como é o DDR Museum

    O museu ocupa cerca de 1.000 m² de área e foi elaborado com a ajuda de historiadores. Altamente interativo, contém explicações em alemão e inglês. Desde a entrada, o visitante é convidado a vasculhar o passado, literalmente. Em torno de 250.000 objetos originais da Alemanha Oriental fazem parte do acervo do DDR Museum, para recompor a história do país a partir do cotidiano de seus habitantes.

    Nossa viagem ao passado começou assim que nos deparamos com a figura do Ampelmänn, o boneco do semáforo na Alemanha Oriental. São eles quem recebem os 500.000 visitantes ao ano na catraca do museu. Validado o ingresso, sinal verde para iniciar a visita.

    O sucesso do DDR Museum está no fato de ser acessível a todas as idades. A dica é explorar cada seção ao máximo, por isso mesmo vamos dar uma destrinchada em alguns setores legais de serem vistos.

    ddr museum
    Fila de espera do Trabi, para dirigir o carro da Alemanha Oriental

    De cara, aconselhamos dar uma chegadinha para o lado direito da entrada, onde fica o passeio virtual a bordo do Trabi, apelido do carrinho que existia na DDR. É melhor ir logo se não tiver fila. Exibidas em um monitor que fica no lugar do para brisa, as instruções para dirigir são tão simples quanto o veículo.

    Para quer saber mais da história do carro, dêum pulo no Berlin Trabi Museum (garanta seu ingresso). E se você quiser ir além do rolê virtual, a cidade oferece o tour de Trabi Limousine e o Trabi Safari, passeio de 1h15 em que de fato o viajante dirige o veículo pela capital.

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    O que fazer no museu da DDR

    Desça um pequeno lance de escada. No piso abaixo do nível da entrada o visitante vê como foi construído o Muro de Berlim, a barreira de 155 km de extensão que tornou Berlim Ocidental uma ilha capitalista dentro da socialista República Democrática da Alemanha — em alemão, Deutsche Demokratische Republik (DDR), daí o nome do museu.

    Grande parte do acervo permanente está exposto em um mobiliário inspirado nos blocos do Wohnungsbauserie 70 (WBS 70), o conjunto habitacional típico da República Democrática da Alemanha. Portas e janelas deste imenso arquivo revelam usos e costumes do país. Joaquim curtiu ver os brinquedinhos de época.

    museu da ddr em berlim
    Criança sendo criança: vendo os brinquedos da antiga Alemanha

    Uma outra seção mostra as profissões mais ‘populares’ da Alemanha comunista, quase todas ligadas ao setores industrial, da construção civil e de serviços. Os mais jovens tinham seu destino profissional definido mais pela necessidade econômica do país do que por desejo próprio. No fim do anos 1970, ser vendedora em uma loja de departamentos era a atividade número um recomendada para moças, enquanto que receber noções de mecânica era garantia de emprego para os rapazes.

    ddr museum em berlim
    Principais profissões na Alemanha Oriental

    O que fazer no museu da Alemanha Oriental

    Para nós, um dos pontos altos da visita foi ver como era por dentro um legítimo apartamento da Alemanha Oriental. Foi como se estivéssemos no set de Adeus, Lênin (no filme de Wolfgang Becker, um filho recria uma RDA que deixou de existir durante os 8 meses em que a mãe, socialista convicta, esteve em coma).

    Ver trechos de um antigo programa de televisão (com sua estética engessada, um pouco como o dia a dia daquele período), dedilhar uma antológica máquina de escrever Erika (artigo vintage nos mercados virtuais dos dias de hoje), tudo estava ao alcance nesta área do DDR Museum.

    Joaquim até arriscou um alô num antiquado telefone de disco, enquanto Nathalia se divertiu ao ver objetos de decoração que lembravam muito a estética dos anos 1970, década em que nascemos.

    A diferença é que muitos daqueles utensílios fizeram parte da vida dos alemães orientais por mais tempo do que eles poderiam imaginar. Apesar de ser a economia mais forte dentre os países debaixo do guarda-chuva soviético, a Alemanha Oriental nem sempre conseguiu suprir todos os cidadãos com bens materiais, menos por ideologia e mais por limites à capacidade de produção.

    Diário da escassez na Alemanha Oriental

    Sem um Plano Marshall, ajuda econômica que despejou bilhões de dólares sobre a parte ocidental da Alemanha, a fim de ajudá-la em sua reconstrução no pós-Guerra, restou ao lado leste alemão alinhar-se às regras ditadas por Moscou. A planificação econômica permitiu à Alemanha Oriental dar boas condições de vida a seus cidadãos até início do anos 1970.

    Depois desse período, até havia produtos para o consumo, mas eles não chegavam a todos necessariamente. O museu conta que havia listas de espera para apartamentos, armários e automóveis —  ter um Trabi exigia de alguns compradores até 10 anos de espera!

    ddr museum em berlim
    Até 10 anos à espera de um Trabi

    No acervo do DDR Museum há um documento chamado de ‘diário da escassez’. A dona de casa Ingeborg Lüdicke anotou em um caderno absolutamente tudo o que estava em falta na pequena Wörlitz, cidade onde morava. Em meados dos anos 1980, não havia de alguns gêneros alimentícios a materiais específicos para que um dentista implantasse uma coroa na boca de um cidadão.

    ddr museum
    Sonhos de consumo na Alemanha Oriental

    Cortina de Ferro e a redenção no esporte

    Sistema social que procurou se afirmar como alternativa ao capital e ao consumo, o socialismo não restringiu sua luta ao plano das ideias. O esporte foi um campo oportuno para demonstrações de poder e superioridade das nações integrantes da chamada Cortina de Ferro.

    Como forma de propagandear o sucesso do regime, o investimento estatal feito na preparação de atletas rendeu à Alemanha Oriental inúmeras medalhas e recordes que perduram até hoje, ainda que muitos desses feitos tenham ficado sempre à sombra das suspeitas de doping, o que nunca ficou totalmente comprovado.

    A despeito disso, o museu exibe medalhas e a biografia de heróis que colocaram o país entre os primeiros colocados em três edições consecutivas dos Jogos Olímpicos: 1972 (3º), 1976 e 1980 (em ambas, terminou atrás da União Soviética).

    No DDR Museum, uma vitrine guarda também um dos momentos mais gloriosos do futebol da Alemanha Oriental, que participou de apenas uma Copa do Mundo: em 1974, justamente na Alemanha Ocidental. O sorteio colocou os dois países na mesma chave do torneio, com o confronto entre eles programado para a última rodada da fase de grupos.

    Relíquias da Copa de 1974: a bola e a flâmula do encontro entre Alemanhas

    Em 22 de junho, na cidade de Hamburgo, o meio-campista Sparwasser marcou o único gol do jogo, aos 32 minutos do 2º tempo. A vitória por 1 a 0 deu o primeiro lugar da chave aos alemães orientais, com os anfitriões terminando a fase classificatória logo atrás. Ambos passaram às quartas de final. A Alemanha Ocidental terminou campeã da Copa que organizou. Ganhou o campeonato, mas não o clássico.

    Símbolos do grande feito futebolístico da Alemanha Oriental, a camisa de Sparwasser, a bola utilizada no jogo e uma flâmula estão lá expostos no DDR Museum. Fernando e Joaquim se  aventuraram a reviver aquele jogo na pequenina mesa de pebolim que tem no museu.

    Cortina de fumaça para a transição

    Quando deixamos a parte do museu que trata do cotidiano da Alemanha Oriental, ficamos frente a frente com uma espécie de cortina de vapor, onde a imagem dos típicos conjuntos habitacionais de Berlim Oriental é projetada. Atravessamos aquela fronteira ilusória e caímos nas entranhas do poder.

    O peso dos móveis equivale à presença que o Estado tinha no cotidiano do país. Nas paredes, cores e símbolos que acompanhavam a falta de pluralidade do sistema político vigente. Sobre mesas interativas, explicações de como funcionava a estrutura de poder da Alemanha Oriental.

    ddr museum
    Ideais socialistas e a presença do Estado na Alemanha Oriental

    A rotina na República Democrática da Alemanha não incluía apenas comer pepinos Spreewald ou circular de Trabi. O permanente estado de vigilância fazia parte do dia a dia de seus cidadãos. A movimentação de pessoas era monitorada pela Stasi, o serviço de segurança e inteligência que operava com ampla rede de agentes e colaboradores (estima-se que até 170.000 pessoas trabalharam para o órgão de controle mantido pelo Estado).

    Ser apanhado pela Stasi representava ter de passar por horas de interrogatório e, não raro, ficar preso. No DDR Museum, Fernando passou pela experiência de entrar numa cela como a que muitos “inimigos” do regime foram colocados.

    Ele achou bem desagradável, assim como foi igualmente desconfortável quando entrou na sala de interrogatório, cuja experiência consiste em apoiar os cotovelos sobre a mesa e levar as mãos aos ouvidos para escutar perguntas gravadas. Não é preciso entender o se diz para sacar que o clima era pesado.

    Apesar disso, nem toda a repressão foi suficiente para calar os movimentos sociais que, com o respaldo da Igreja Protestante, acolheram os ideais de mudança política. Por detrás do grande armário adesivado pelo retrato de Mikhail Gorbatchev, os últimos objetos e documentos do DDR Museum estão ali para explicar como as mudanças políticas e econômicas implantadas pelo líder da União Soviética não poderiam ser ignoradas pela Alemanha Oriental. A pressão popular colocou o governo do então presidente Erich Honecker contra o Muro.

    Gorbatchev e Honecker, camaradas

    É nesse ponto de transição, quando as duas Alemanhas estão prestes a voltar a ser uma única nação que a visita chega ao fim. Deixamos o museu por um buraco aberto num pedaço recriado do Muro de Berlim, como tantos alemães fizeram na noite fria de 9 de novembro de 1989.

    VALE SABER

    Endereço: Karl-Liebknechtstrasse, 1, Berlim, Alemanha. O museu fica às margens do Rio Spree, bem atrás da Catedral de Berlim (Berliner Dom)

    Transporte: De trem (S-Bahn), use as linhas S3, S5, S7, S75 (desça na estação Hackescher Markt e pegue a saída para a Spandauerstrasse; de metrô (U-Bahn), use a linha 5 Museumsinsel, Rothes Rathaus; de bonde (tram), use as linhas M4, M5 ou M6, que também param na Spandauerstrasse; de ônibus, utilize as linhas 100, 200, 300 (parada Lustgarten). Nesses casos, você caminha um pouquinho, mas há placas do DDR Museum indicando o caminho. Um lance de escadas leva você à entrada do museu. Na porta do museu, há ainda a estação DomAquarée, parada dos passeios de barco pelo Rio Spree

    Funcionamento: Diariamente, das 9 às 21 horas

    Preço: € 13,50; crianças, € 8 — até 5 anos, grátis. Parceira do Como Viaja, a empresa de passeios alemã Get Your Guide vende ingressos pelo mesmo preço do museu (compre aqui)

    Compras: A lojinha do DDR Museum é uma perdição. Livros sobre aspectos políticos da Alemanha Oriental, vários exemplares que discorrem a respeito do Muro de Berlim e até publicações com receitas típicas da cozinha do leste estão à venda (naturalmente, todos em alemão ou inglês). Há também jogos de perguntas e respostas sobre a DDR, brinquedos vintage como um simpático patinho de pelúcia e a famosa trinca de suvenires: chaveiro, caneca e imã. Nós garantimos alguns magnéticos e uma miniatura de Trabi verde, que está na nossa sala de casa ainda hoje

    Site: ddr-museum.de

  • Calendário do advento: o Natal esperado durante dezembro inteiro

    Calendário do advento: o Natal esperado durante dezembro inteiro

    Joaquim tinha 2 anos quando eu trouxe um calendário do advento para ele da Alemanha, em 2011. Desde então, sempre que dezembro se aproxima, ele lembra disso. Não conseguimos todo ano um com as janelinhas com chocolate, mas, quando encontramos, ele pede novamente para comprar. Hoje nosso filho já tem 14 anos, mas guarda a emoção das surpresas dia a dia à espera do Natal. A tradição originalmente não é com chocolate, e sim com bolsinhos de pano, nos quais são postos brinquedinhos ou lembrancinhas para as crianças.

    Talvez tenha a ver com a memória afetiva, mas Joaquim conheceu o calendário de chocolate, então pede desse. Ele ganhou seu primeiro, com um desenho estilizado da cidade alemã de Frankfurt. Escrevi sobre essa tradição no Natal da Alemanha num dos capítulos da série Uma Viagem Encantada pelo Natal na Europa, uma historinha infantil que contei aqui, nos moldes das que eu inventava para meu filhote toda noite, de uma forma espontânea e bem simples, pois ele tinha apenas 2 anos na época.

    Calendário do advento vindo da Alemanha
    Primeiro calendário do advento do Joaquim

    A preferência do Joaquim pelo calendário de papel certamente se dá também porque ele adora chocolate e pelo fator surpresa. Quando era pequeno, por mais que fosse curioso, Joaquim se contorcia de ansiedade até 1 de dezembro, mas esperava para abrir dia a dia as janelinhas porque adorava a sensação de ser surpreendido. Entendo bem isso porque eu era exatamente assim quando criança. Agora, já adolescente, pediu o calendário em 2022 mais pela lembrança mesmo porque abriu tudo fora do dia certo para comer os chocolates. Pode ter crescido, mas será sempre um danadinho, como brincamos aqui em casa.

    Por isso, quando viajo para a Europa ou para o Canadá perto do fim do ano, procuro um calendário do advento feito de chocolate para trazer para ele. Em 2016, cheguei a ver no aeroporto de Vancouver, no Canadá, no desembarque. Achei que teria tempo de comprar depois, mas a viagem acabou e eu voltei para casa sem as janelinhas com surpresas.

    No Canadá, calendário de chocolate no aeroporto
    Calendário de chocolate no aeroporto de Vancouver

    Em Montréal, em novembro deste ano, tive tempo de rodar pela cidade e encontrei em várias lojas o calendário do advento feito de chocolate. Da Lindt, tinha em farmácias e na Hudson’s Bay, por cerca de 10 ou 12 dólares canadenses. No Dollarama, loja com um tanto de bugigangas e balas, encontrei com um monte de desenhos na capa, por menos de 3 dólares canadenses. Trouxe esses de lá, com um Papai Noel fofo de carro com uma bicharada em clima de Natal. Quando viu que teria calendário neste ano, ele pulava eufórico! É tão bonito ver a felicidade dele com esse simples ritual.

    Janelinhas com chocolate ou bolsinhos com outras ideias

    O calendário produzido por fabricantes chocolate tem números de 1 a 24 sobre um desenho no papel. A cada número, há uma janelinha para destacar. Lá dentro, o chocolate tem um formato diferente por dia: árvore de Natal, guirlanda, estrela…

    Guirlanda, chocolate do calendário do advento
    Guirlanda de chocolate

    No Brasil, muita gente que faz artesanato vende o calendário do advento feito de tecido ou feltro, com os bolsinhos numerado de 1 a 24. Esse formato é bem comum na Europa e na América do Norte também. Os pais botam lembrancinhas dentro de cada bolso (não necessariamente chocolate), para a criança abrir dia a dia à espera do Natal.

    Calendários dos advento no supermercado em Viena
    Calendários no supermercado em Viena

    As indústrias de chocolate provavelmente viram aí um nicho que faz do calendário do advento algo prático para os pais e gostoso para os filhos. Em várias cidades da Alemanha e em Viena, na Áustria, eu vi os calendários de várias marcas de chocolate à venda qualquer supermercado. No Canadá, eu nunca tinha visto até o ano passado, quando desembarquei em Vancouver. Ele até devia existir em outras cidades canadenses (eu não tive tempo de caçar mesmo), por isso eu só posso dizer que dei de cara com um naquela ocasião.

    Na Suíça, os números do calendário do advento nas janelas do prédio
    Na Suíça, os números nas janelas do prédio

    Na Europa, também vi numa ida à Suíça (na cidade de Luzern) e à Itália (em Cortina d’Ampezzo), prédios enfeitados com os números dos dias do calendário do advento. Essa viagem foi feita bem no iniciozinho de dezembro, na terceira vez em que ganhei o prêmio da Comissão Europeia de Turismo no Brasil, com aquela série em forma de historinha sobre tradições e mercados de Natal na Europa.

    A origem do calendário do advento

    A ideia de fazer uma contagem até 24 de dezembro tem sua origem na Alemanha, na época do luteranismo — em 2017, o país celebra 500 anos da Reforma Protestante, que tem o monge alemão Martinho Lutero como um de seus principais nomes. Os luteranos costumavam marcar a giz os dias até o Natal. O calendário do advento de formato comercial e impresso teria sido inventado pelo alemão Gerhard Lang em 1908, em Munique.

    Entretanto, um livro infantil de 1851, da escritora Elise Averdieck, já menciona o ritual de, a cada dia até o Natal, ler histórias, cantar canções natalinas e depois pendurar uma gravura num cartaz na parede. A essência do calendário do advento, poderia estar ali, segundo informa Deutsches Weihnachtsmuseum (Museu de Natal) em Rothenburg ob der Tauber, cidadezinha da Rota Romântica da Alemanha.

    Seja como for, o calendário do advento começou na Alemanha e se espalhou pelo mundo a partir dos meados do século 20. Na cidade de Stuttgart, fica a empresa Richard Sellmer Verlag, primeira a imprimir um calendário do advento em papel depois da Segunda Guerra, em 1946, por iniciativa do fundador da companhia, Richard Sellmer.

    Antes de fazer a pesquisa para escrever esse texto eu achava que os calendário de pano haviam surgido antes dos exemplares de papel, mas, ao que parece, os que têm bolsinhos surgiram depois da guerra porque o papel era muito caro. De acordo com a empresa Richard Sellmer Verlag, calendários com chocolatinhos dentro já eram vistos em 1958.

    Seja em que formato for, o importante é o propósito em si. Batizada na igreja católica romana, como muitos brasileiros, e sem ter alemães na família, eu nunca tinha ouvido falar nessa tradição, originalmente luterana. Conheci o calendário do advento em 2011, quando estive na Alemanha na época antes do Natal, durante um cruzeiro pelo Rio Danúbio — que ganhei como prêmio da Comissão Europeia de Turismo por escrever Costa Amalfitana, na Itália: de ônibus por Positano, Sorrento e Amalfi, escolhida Melhor Reportagem na Internet daquele ano sobre a Europa.

    Alegria da surpresa dia a dia até o Natal
    Alegria da surpresa dia a dia até o Natal

    Atualmente ela está se espalhando. Fiquei feliz de encontrar agora aos montes em Montréal. E também que a tradição esteja se espalhando no Brasil. Assim, outras crianças poderão sentir essa alegria a conta-gotas até o Natal.

    Ritual ou consumismo?

    Como tudo o que vira produto em época de Natal, o calendário também recebe críticas por ser mais um objeto de consumo ligado à festa cristã. Também me incomoda o consumismo desenfreado que toma dezembro todo ano. Mas acho que vai de cada um exercitar o que vale e o que não vale como experiência. Para nós, Joaquim abrir as janelinhas dia a dia se tornou um ritual em família, um momento em que estamos meu filho e eu, cultivando nossa conexão como em tantos outras situações da nossa rotina. Mas, nesse caso, com algo ligado ao meu mundo (viajar, descobrir histórias e escrever sobre elas) que eu pude apresentar a ele.

    Preocupados com o significado do advento, pais vêm inventando novas modalidades de calendário. Algumas com uma boa ação a cada dia de dezembro. Respeito a ideia. Tudo é válido, para trazer bem-estar. E cada um sabe o que traz felicidade para si. Aqui em casa preferimos acreditar que o bem deve ser feito dia a dia durante o ano inteiro. É o que buscamos cultivar em nós mesmos e ensinar para nosso filho, para que o sentido do Natal vá além desse aspecto comercial, mas sem perder a magia do lúdico.

  • Ilha da Madeira (Portugal): pontos turísticos, hotéis e mais dicas

    Ilha da Madeira (Portugal): pontos turísticos, hotéis e mais dicas

    Cristiano Ronaldo já foi eleito 5 vezes o melhor jogador do mundo, número menor de vezes que a Ilha da Madeira (terra onde o craque nasceu) conquistou o World Travel Awards, prêmio considerado o Oscar do turismo. Em 2022, o arquipélago venceu pelo 8º ano consecutivo a categoria melhor destino insular da Europa. Na capital, Funchal, ficam não só um museu em homenagem ao filho ilustre como ainda um hotel temático que tem o craque como um dos sócios.

    Hotel e museu ligados a Cristiano Ronaldo – Foto: Turismo da Madeira

    A Ilha da Madeira faz parte do grupo de 4 ilhas que formam o arquipélago de mesmo nome, pertencente a Portugal, país que a descobriu no século 15. Do pacote de ilhas fazem parte ainda a pequena Porto Santo e as até hoje inabitadas Desertas (compostas por Ilhéu Chão, Deserta Grande e Bugio e Selvagens (formadas por ilhotas também sem ocupação humana).

    Apenas 2 horas de voo separam Lisboa desse ponto isolado na imensidão do Oceano Atlântico. A origem vulcânica da Ilha da Madeira justifica o relevo montanhoso. Essas e outras condições geográficas impõem ao arquipélago um permanente clima de primavera, com 20 graus de temperatura, em média, garantindo com que o destino possa ser visitado em qualquer período do ano. Apesar da topografia irregular, a ilha conseguiu plantar uvas e produzir uma bebida de fama internacional, o vinho Madeira.

    Vinho Madeira, bebida de fama internacional – Foto Andre Carvalho

    Com 270.000 habitantes, esse destino português vive majoritariamente do turismo. Seguem algumas dicas se você pensa em planejar sua viagem para lá:

    O que fazer na Ilha da Madeira

    Funchal, a capital do arquipélago, tem um centro histórico rico e belo, de ruelas que combinam passado com vestígios da modernidade. Para entendê-la desde seus primórdios, conheça o velho Colégio dos Jesuítas, edificação de mais de 400 anos onde hoje fica a Universidade da Madeira, também aberta à visitação e que mantém programação cultural.

    | Veja tours na Ilha da Madeira |

    Antigo Colégio dos Jesuítas – Foto: Turismo da Madeira

    Ainda pela Funchal histórica, a chamada Zona Velha é opção de programa à noite, com bares e restaurantes. A área têm muitas construções centenárias, como a Capela do Corpo Santo, a Catedral de Funchal, o Palácio São Lourenço e o Museu de Arte Sacra, onde estão expostas pinturas flamengas do século 15, época em que a refinação de açúcar era a principal fonte de renda da ilha — para saber mais sobre essa época, dê um pulo no Museu do Açúcar.

    Catedral de Funchal, na capital da ilha portuguesa

    É também no centro antigo que o projeto Arte de Portas Pintadas deu tintas novas ao bairro, transformando-o em uma galeria a céu aberto.

    Galeria a céu aberto no Centro Velho de Funchal

    Entre mar e montanhas, é possível ir de teleférico até Monte, a parte alta da cidade. A subida leva cerca de 20 minutos. Lá em cima, fica o Jardim Tropical Monte Palace, espaço de 70 mil metros quadrados com plantas raras vindas de várias partes do mundo, obras de arte e os típicos azulejos portugueses — um conjunto de 40 painéis retrata a história de Portugal.

    Teleférico leva à parte alta da cidade
    Funchal vista do alto do monte

    Na volta, a tradição local é descer a bordo do carro de cesto, uma espécie de sofá empurrado ladeira abaixo por dois condutores, sempre de chapéu.

    Carro de cesto: transporte radical na ilha em Portugal

    Você pode testar a sorte no Cassino da Madeira, complexo de entretenimento com ambientes que remetem ao Brasil. Além dos salões de jogos e do bar com vista para o mar, possui os restaurantes Bahia e Rio e a discoteca Copacabana.

    Cassino da Madeira: para tentar a sorte no jogo

    Como curtir a natureza

    Declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1999, a Floresta Laurissilva é apenas um dos atrativos naturais da Ilha da Madeira. Uma área de 15.000 hectares que pode ser acessada por caminhos que passam ao lado das levadas, tradicionais canais de irrigação criados para transportar água em grande quantidade do norte ao sul da ilha.

    Também é possível desfrutar da natureza da Ilha da Madeira em mergulhos nas piscinas naturais de origem vulcânica, localizadas nas regiões de Porto Moniz ou de Seixal. Aventureiros podem fazer atividades como canyoning, rapel, mountain bike, surfe e parapente.

    Piscina natural em Seixal, na Ilha da Madeira

    Um passeio de catamarã pela Rota dos Fajãs leva o visitante à Ponta do Pargo. Nesse trecho ainda pouco explorado ao sudoeste da ilha o visitante consegue avistar tartarugas, baleias e golfinhos. Durante uma parada prevista no roteiro, é possível praticar snorkeling, stand up paddle ou caiaque.

    Por toda a ilha há mirantes para ver o mar, o que também pode ser feito de fortificações, que já defenderam o arquipélago no passado. Uma delas é o Forte de São Tiago, no centro histórico. Há um restaurante nele.

    Forte de São Tiago com visão plena para o Atlântico

    Onde ficar na Ilha da Madeira

    Por todas as regiões da ilha o que não faltam são opções de hospedagem 5 estrelas, quase todas com vistas deslumbrantes para o Atlântico. O turismo de luxo prevalece especialmente em Funchal, onde se encontra a maior oferta de acomodações. Na capital madeireinse há desde apartamentos simples, localizados a 10 minutos do Centro, por exemplo, até unidades de renomadas redes de hotelaria mundial.

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    Hotéis que oferecem belas vistas são comuns no arquipélago

    Presente há mais de 120 anos na ilha, em um penhasco de frente para o mar azul, o Belmond Reid’s Palace (reserve aqui) foi eleito o melhor hotel de Portugal pela World Travel Awards, em votação pela internet que premia a indústria mundial de viagens e turismo.

    A incrível localização do Belmond Reid’s Palace

    Igualmente vencedor do Oscar do turismo, só que na categoria de melhor hotel sustentável, o Galo Resort Madeira (reserve aqui) é mais um representante da ilha, que também ostenta o melhor hotel boutique da temporada, o Pestana CR7 (veja aqui). Próximo ao porto onde param os cruzeiros, o empreendimento nasceu da parceria da rede portuguesa de hotéis Pestana com o craque da Seleção de Portugal, Cristiano Ronaldo.

    O que comer na Madeira

    A sofisticação da rede hoteleira da ilha é acompanhada pela cozinha. Il Galo D’Oro é dono de 2 estrelas no prestigiado Guia Michelin, graças à combinação da gastronomia ibérica com a mediterrânea em pratos assinados pelo chef francês Benoit Sinthon. Igualmente estrelado no prestigiado guia gastrômico, o chef Luís Pestana comanda o William, restaurante do Belmond Reid’s Palace Hotel.

    Mas é da tradição portuguesa que saem os pratos típicos da Ilha da Madeira. Como se pode esperar de uma terra cercada pelo Atlântico, a alimentação tem nos frutos do mar e nos peixes seus produtos mais importantes. Servida como entrada ou petisco, a lapa é um molusco preparado na própria concha. Leva muito alho antes ser comido bem quente, com pitadas de manteiga e de suco de limão.

    Lapa, o molusco da Ilha da Madeira – Foto: Francisco Correia/Divulgação

    O peixe-espada também é produto típico da região. Temperado com alho, sal, suco de limão e pimenta, é servido com banana ou molho de maracujá. Há ainda bifes de atum ao ‘molho de vilão’ (mix de vinagre, azeite, orégano e pimenta), acompanhados de milho em cubos.

    Para os carnívoros, existe a espetada. Nesse churrasco madeirense, pedaços de carne bovina são temperados com alho, sal grosso e louro antes de serem levados à brasa, espetados em um galho de loureiro.

    Outra iguaria local é o bolo do caco, que de bolo não tem nada. Trata-se de um pão arredondado e achatado, assado sobre uma pedra (caco, como é chamada). Come-se com manteiga de alho e salsa.

    Bolo do caco, típico da Madeira – Foto: Holger Leue/Divulgação

    Para tomar? Além do vinho, a Ilha da Madeira oferece como bebida típica a poncha, mistura que leva aguardente de cana, limão e açúcar (te lembrou a nossa caipirinha, não?). Tours específicos saem de Funchal com destino aos vinhedos da vizinha Câmara de Lobos, a principal cidade produtora da bebida nessa região portuguesa. O roteiro – que costuma incluir visita às vinhas, alguns goles e um almoço ao estilo madeirense – passa ainda pelas localidades de São Vicente e Porto Moniz, no norte da ilha.

    | Veja tours na Ilha da Madeira |

    Câmara de Lobos (e de vinhos)

    O que comprar de souvenir

    O vime e o vinho estão entre os produtos que atraem turistas na hora das compras de souvenir. Mas é o bordado da Madeira, introduzido pelos ingleses no fim do século 18, que tem valor de instituição, seja estampando artigos para casa ou roupas. As peças são certificadas por um selo de autenticidade e origem. No centro de Funchal, ficam fábricas e lojas tradicionais, abertas à visitação e, claro, às compras.

    Inconfundível bordado da Ilha da Madeira – Foto: Visit Madeira/Divulgação

    Onde visitar o filho ilustre, Cristiano Ronaldo

    O craque português Cristiano Ronaldo é a grande personalidade da Ilha da Madeira. Orgulho que motivou o aeroporto local a ser rebatizado com o nome do atacante da seleção portuguesa, em 2017.

    Eleito 5 vezes vezes o melhor jogador de futebol do mundo, ele guarda seus troféus num museu que funciona desde 2013 na capital, Funchal. Do acervo do Museu CR7, que conta a história do craque madeirense, fazem parte vídeos, fotos, taças e uma estátua do craque feita de cera em tamanho natural.

    Como ir e o que fazer em Porto Santo

    Ponta da Calheta, praia em Porto Santo

    Na única cidade da ilha, Vila Baleira, funciona a Casa Museu Cristóvão Colombo. Fotos, mapas e outros objetos do tempo das grandes navegações compõem o acervo, que ocupa a residência onde o explorador e descobridor da América viveu.

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    O que fazer e onde ficar na Ilha da Madeira, em Portugal? Veja essas e outras dicas do melhor destino insular da Europa
    Casa de Cristóvão Colombo, hoje um museu

  • Transfer no intercâmbio é indicado na chegada para sair do aeroporto

    No intercâmbio, como funciona o transfer do aeroporto na chegada? Saiba mais sobre o serviço de transporte oferecido a estudantes. Motorista é indicado, especialmente para quem não fala nada além do português

    Meu Deus, como eu saio desse aeroporto?  Essa é a dúvida mais comum entre os viajantes que estão fora do Brasil pela primeira vez. Para quem faz intercâmbio não é diferente. Ainda mais quando não se fala nada além do português. Vou de táxi? Onde eles param? Pego um ônibus? Como tudo isso funciona?

    É nessa hora que o transfer vira, literalmente, uma saída. O serviço de transporte particular ameniza esse primeiro contato com a terra estrangeira. O serviço é opcional, mas muito recomendado, segundo Filipe Bonavigo, gerente da loja Jardins/Faria Lima da Experimento Intercâmbio Cultural. Na volta para casa, o estudante já conhece bem o destino e consegue se virar mais facilmente. Mas, na chegada, quando a ansiedade do começo do intercâmbio pode se juntar à insegurança de estar num novo lugar, o traslado até o lugar de acomodação pode ser um fator tranquilizador.

    Quando o transfer de chegada é contratado, um motorista fica à espera do estudante na área de desembarque, segurando aquelas famosas plaquinhas com o sobrenome da pessoa escrito, a fim de facilitar a localização. Quando comprado na Experimento, o serviço é contratado pela escola onde o intercambista vai estudar, explica Filipe. “O transfer é um porto seguro naquele momento do desembarque, para começar bem a sua experiência”, ressalta.

    Filipe conversou com a Nathalia sobre este e outros assuntos antes da viagem para Montreal, onde ela vai estudar francês com gastronomia. Acompanhe isso e muito mais no perfil do @ComoViaja nas redes sociais.


    Viagem feita a convite da Experimento Intercâmbio Cultural, da EC Montreal e da Air Canada

  • Jujuy: viagem à Argentina além de Buenos Aires e Bariloche

    Jujuy: viagem à Argentina além de Buenos Aires e Bariloche

    Jujuy mostra Argentina além de Buenos Aires e Bariloche. Ao lado do Atacama, a dica de viagem pode ser combinada com ida ao Chile. Província fica no norte do mapa, vizinha a Salta

    Jujuy, província no noroeste do mapa da Argentina, atrai turistas que desejam conhecer o país vizinho que vai além do tango de Buenos Aires, da neve de Bariloche e dos vinhos de Mendoza, símbolos da cultura e pontos turísticos do país conhecidos internacionalmente. Na fronteira com Bolívia e Chile, esse pedaço argentino mantém vivas as tradições dos povos andinos, refletidas nos costumes e na alimentação. E oferece diversas paisagens para quem busca um estilo de turismo na Argentina com muitas caminhadas na natureza.

    QUEBRADA DE HUMAHUACA, EM JUJUY – Foto: Governo de Jujuy

    A província de Jujuy se divide em 4 regiões turísticas: Los Valles (no centro do mapa, é a área mais povoada e onde está a capital, San Salvador de Jujuy), La Quebrada de Humahuaca (extensa cadeia montanhosa declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco), Las Yungas (reserva dona de uma das maiores biodiversidades da Argentina, onde ainda vivem guaranís, ocloyas, entre outras etnias) e La Puna (a maior das quatro áreas turísticas, com atrativos típicos da região da Cordilheira dos Andes).

    Vizinha da província argentina de Salta, Jujuy também fica ao lado do Atacama, região chilena à esquerda no mapa. Isso possibilita um roteiro que combine o norte dos 2 países, dobradinha indicada para viajantes aventureiros, que apreciam paisagens exóticas.

    DESERTO DE SAL EM JUJUY, NA ARGENTINA – Foto: Marcella Eugênio

     

    Como viajar de pacote para lá saindo do Brasil

    Jujuy entra no radar dos brasileiros a partir de janeiro de 2018. Um grupo de operadores brasileiras passa a oferecer pacotes de turismo na Argentina com duração de 7 ou 14 noites para lá, em conjunto com a Aerolíneas Argentinas. O voo semanal sairá de São Paulo, sempre aos sábados, com destino à província.



    Booking.com

  • Munique (Alemanha): pontos turísticos, hotéis e mais

    Munique (Alemanha): pontos turísticos, hotéis e mais

    Munique está no imaginário de muita gente como a terra da Oktoberfest na Alemanha, nada mais justo. Só que a capital da Baviera não se resume a hectolitros de cerveja, servidos tanto na famosa festa quanto o ano inteiro em cada biergarten e nas muitas cervejarias da cidade, como a tradicional Hofbräuhaus.

    Com os Alpes na moldura, no meio da Europa, Munique é capaz de agradar em cheio àqueles que buscam turismo com comidas típicas da Alemanha, atrações culturais variadas, hotéis de qualidade, tecnologia de ponta ou vida ao ar livre. Combinação que só fortalece o marketing da cidade onde tradição e vanguarda coexistem — com WiFi gratuito em lugares como a Marienplatz, o centro histórico é também indicado para comprar trajes típicos.

    Fundada em 1158, Munique é uma das principais cidades da Alemanha para o turismo e o segundo destino do país mais procurado por visitantes brasileiros, depois da capital — veja também o Guia Berlim. Não é sem razão. Trata-se de uma agradável cidade, de clima descontraído. Os pontos turísticos são acessados facilmente, seja numa caminhada ou com seus eficientes meios de transporte.

    Munique também é um conhecido ponto de partida para a mais visitada atração da Alemanha: o Castelo de Neuschwanstein, que atrai cerca de 1,5 milhão de turistas ao ano. A 120 km de Munique, o icônico palácio, que inspirou Walt Disney na criação do Castelo da Cinderela, pode ser visitado por conta própria (de trem, com o bayern ticket, ou de carro) ou numa excursão de 1 dia . É um roteiro perto Munique, muito cobiçado por viajantes do mundo todo, incluindo os brasileiros.

    Confira abaixo o que fazer em Munique, além de hotéis, restaurantes, compras, clima, eventos e destinos para um roteiro combinado. Nossa série de guia de viagem traz informações grátis e completas para você se planejar bem para conhecer destinos brasileiros e internacionais.

    guia DE VIAGEM | MUNIQUE

    PONTOS TURÍSTICOS

    Alguns dos principais pontos turísticos estão próximos, então dá para fazer quase tudo a pé. A cidade é plana e agradável de ser percorrida numa caminhada. A partir da Marienplatz, em até 15 minutos, você chega a igrejas de Munique, como a Alter Peter Kirche (mais antiga da cidade, do século 12) e a Frauenkirche (igreja-símbolo, com torres de 100 metros), o Viktualienmarkt (histórico mercado de alimentos; faça um tour gastronômico de 2 horas pelo Viktualienmarkt), a Residenz (rico palácio da antiga realeza) e seus vizinhos, o Hofgarten (belo jardim real) e a Odeonplatz (praça onde são realizados eventos ao ar livre). 

    Para experimentar toda a atmosfera de grandeza da Residenz, existe as opções de assistir a um concerto na Residência de Munique, realizado na capela da corte, e a um concerto de gala no Teatro Cuvilliés, palco onde foram encenadas obras como La Finta Giardinera, de Mozart.

    Com uma caminhada de 30 minutos, é possível alcançar a Pinakothek (conjunto de três museus com seis séculos de arte), o Deutsches Museum (um dos maiores museus do mundo sobre ciência e tecnologia) e o Englischer Garten (parque urbano maior do que o Central Park de Nova York). Lá, é possível sentar-se em um dos 7.000 lugares do biergarten que fica aos pés da Chinesischer Turm (torre chinesa toda em madeira, erguida há mais de dois séculos).

    Quem gosta de pedalar pode explorar a cidade numa excursão guiada de bicicleta por 3 horas. Para conhecer os atrativos da cidade, você também pode tomar trem, bonde, ônibus ou metrô. Mas os meios de transporte são realmente valiosos para ir à Allianz Arena (casa dos dois times de futebol da cidade, o Munique 1860 e o Bayern de Munique, cujo museu funciona dentro do estádio); ao Palácio Nymphenburg (residência de verão da antiga corte). 

    Pelos trilhos se alcança facilmente o Olympiapark (construído para os Jogos de 1972; hoje um complexo esportivo e de entretenimento, onde fica o SeaLife de Munique (compre ingresso sem fila), ao BMW Welt (museu e fábrica da montadora alemã) ou ao Tierpark Hellabrunn,  o zoológico de Munique com parquinhos para crianças.

    Uma forma de chegar a todas as atrações é tomar o ônibus hop on hop off, com 3 circuitos, todos com duração de 1 horas: Cidade; Parque Olímpico e Nymphenburg; e Schwabing. Antes da viagem, você ainda pode garantir ingressos de atrações e passeios em Munique. Ou optar pelo Munich City Pass, com direito a usufruir de transporte público, do ônibus hop on hop off e de 45 atrações ou atividades na cidade no sul da Alemanha.

    HOTÉIS

    Quem fica nos hotéis em Munique no centro histórico tem a vantagem de estar colado a atrações como a Marienplatz e a Hofbräuhaus. Tem ainda boas alternativas para comer, beber e fazer compras, especialmente nas ruas onde só é permitido o trânsito de pedestres. O Mercure Hotel München Altstadt é um três-estrelas a poucos passos da Frauenkirche, catedral e símbolo de Munique. Nas regiões da Altstadt (Cidade Velha) e Lehel (onde começa o Englischer Garten) há cinco-estrelas como o Vier Jahreszeiten Kempinski München (situado na rua das grifes, a Maximilianstrasse), além dos igualmente requintados Mandarin Oriental e Bayerischer Hof — leia sobre nossa hospedagem no Bayerischer Hof, a 5 minutos a pé da Marienplatz.

    Se quiser ficar perto da Oktoberfest, a dica é se hospedar no distrito de Ludwigvorstadt, onde rola a tradicional festa da cerveja alemã. Nessa região — próxima da estação central de Munique (Hauptbahnhof) — existem alternativas de hotéis de três ou de quatro estrelas, como o Eurostars Book Hotel, com boas avaliações em sites de reserva. Reformado em 2017, o Sofitel Munich Bayerpost é opção de cinco-estrelas ali.

    No passado, escritores e artistas deram fama a Schwabing, distrito que hoje em dia ostenta luxuosas residências e que ainda mantém a boemia viva nos cafés e nos bares de sua rua principal, a Leopoldstrasse. Unidades de tradicionais redes de hotéis estão presentes no bairro, casos do Mercure Hotel München-Schwabing, instalado na própria Leopoldstrasse, do Pullman Münich e do Ibis München City Nord — entre os dois há uma estação de metrô (Nordfriendorf), a menos de 300 metros de distância. Entre o Rio Isar e o Englischer Garten, o Hilton Munich Park faz o principal parque de Munique parecer sua extensão, de tão próximo.

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    RESTAURANTES

    Munique não é só cerveja alemã. A cidade tem muito a oferecer, de comida típica a gourmet. O Viktualienmarkt é um mercado ao ar livre, com opções para tomar café, provar queijo ou beber nas mesas de seu biergarten.

    Não deixe de experimentar a atmosfera de lugares como o Grossmarkthalle (apontado como a melhor salsicha branca da cidade) ou os igualmente tradicionais Zum Spöckmeier, Augustiner e Hofbräuhaus (cervejarias de Munique onde não faltam receitas à base de carne de porco ou de vitela, muita batata e bretzel). Para uma noite de cerveja e gastronomia da Baviera, junte-se a uma excursão guiada por um morador da cidade. Ou conheça as cervejarias de Munique numa excursão de 3 horas.

    A culinária bávara com pitadas de refinamento e um toque internacional pode ser encontrada no Südtiroler Stuben. O chef Alfons Schuhbeck é uma lenda e conquistou sua primeira estrela Michelin há cerca de 30 anos. Ao todo, a cidade conta com 10 estabelecimentos no prestigiado guia francês.

    Munique tem ainda restaurantes internacionais, de cozinha afegã, grega, espanhola e russa, entre outras nacionalidades. Pela ligação histórica com a Itália, pasta e pizza são estrelas de alguns cardápios.

    compras

    Um bom roteiro de compras pode ser o calçadão que une Marienplatz, Kaufingerstrasse e Neuhauser Strasse. Há lojas de departamento (como a alemã Kaufhof), artigos esportivos, calçados e eletrônicos. Dá para descolar souvenir nas lojinhas perto da praça central e em ruas como a Tal. Também há lembrancinhas na Kaufhof, que vende ainda produtos do Bayern de Munique. A loja oficial do time fica na região.

    Sempre vale ver lojas de museus e atrações, em busca de lembrancinhas diferentes. No Residenz, por exemplo, são vendidas forminhas de biscoito com o contorno das torres da catedral da cidade e do Schloss Neuschwanstein (castelo mais conhecido da Alemanha), além de livros de colorir para crianças com paisagens alemãs.

    Grifes da alta costura e marcas de luxo se concentram na área da Brienner Strasse, da Odeonsplatz, da Theatinerstrasse (com seu complexo Fünf Höfe, de 60 lojas) e a Maximilianstrasse. O público GLS frequenta lojas e cafés ao redor da Gärtnerplatz e na região de Glockhenbach. Nesse colorido distrito, novos estilistas exibem as tendências.

    TRANSPORTE

    Do aeroporto de Munique, usando os trens S8 e S1, o trajeto até o centro leva cerca de 40 e 50 minutos, respectivamente. Os bilhetes podem ser comprados na plataforma de embarque, no nível 2. Há ainda a opção de pegar um traslado do aeroporto de ônibus, no Express Bus Lufthansa, que leva até a estação central de trem en Munique.

    O sistema de transporte da cidade é muito eficiente. Ônibus (Bus), bondes (Trams), trens de subúrbio (S-Bahn) e metrô (U-Bahn) funcionam de modo integrado. Você paga pela distância percorrida. A capital da Baviera é dividida em 4 zonas e possui 3 tipos de tickets para rodar a cidade várias vezes no mesmo dia: single day (passe individual), group day tickets (indicado para famílias ou amigos pois vale para até 5 adultos; se houver crianças entre 6 e 14 anos, duas contam como um adulto) e city tour card (cartão para circular, que dá desconto em atrações).

    Você pode comprar o ticket nas máquinas de autoatendimento nas estações de trem e de metrô. Ou então adquirir seu passe nos centros de visitantes, como os que funcionam diariamente na estação central (Hauptbahnhof) ou na Marienplatz, embaixo do prédio da nova prefeitura (Neues Rathaus).

    MOEDA

    Euro é a moeda da Alemanha — vá comprando moeda estrangeira antes de viajar. Cartões de crédito e débito são bem aceitos. Se precisar trocar dinheiro assim que chegar à cidade, casas de câmbio (Wechselstube) e bancos ficam no piso 3 do aeroporto de Munique. Para saques em Munique, há caixas eletrônicos (Geldautomat) em bancos, shoppings e estações de trem e de metrô.

    CLIMA

    A temperatura de Munique, em média, varia de – 6°C a 23°C ao longo do ano. De clima temperado, a cidade tem dias muito gelados no inverno e calor suportável para brasileiros no verão. Julho e agosto são os meses quentes, quando os termômetros podem atingir 30°C. Junho tem a maior quantidade de chuva (cerca de 140 mm).

    EVENTOS

    Carnaval em Munique, o Fasching – Fotos: Turismo de Munique/Divulgação

    Faça frio ou calor, a cidade faz festas ao ar livre. São celebrações centenárias, com tradições presentes na comida servida, no figurino, na música que anima o público. A Oktoberfest Alemanha é a mais famosa de todas, que atrair cerca de 6 milhões de pessoas. Quando o fim do ano se aproxima, Munique brilha com os mercados de Natal. O da Marienplatz é o maior deles e um dos mais famosos, juntamente com o instalado aos pés da Torre Chinesa, no Englischer Garten. Do fim de novembro até a véspera do Natal, é possível comprar presentes nas barracas e provar delícias como o vinho quente, o glühwein. Nessa época do ano, é possível fazer uma excursão guiada pelos Mercados de Natal, com direito a bilhete de transporte e lebkuchen (tradicional biscoito de gengibre). 

    Fevereiro é tempo do Fasching, Carnaval em Munique. Celebrado na mesma data da nossa folia, inclui desfiles e bailes. As estações são marcos para outros eventos: o Tollwood, festival musical no verão (organizado no Parque Olímpico) e no inverno (no espaço da Oktoberfest), e a Frühlingfest, festa da primavera, realizada entre abril e maio.

    MAIS DESTINOS

    Se você for esticar para cidades do sul da Alemanha, vale investir no aluguel de carro para seguir viagem, quem sabe, até Stuttgart ou à Floresta Negra. Mas a região no entorno de Munique oferece também conhecidos passeios de 1 dia. O mais desejado pela maior parte dos viajantes é a excursão ao Castelo de Neuschwanstein, ponto final da Rota Romântica da Alemanha (existe a opção do passeio de 1 dia combinado com o Castelo de Linderhof) . Esse famoso roteiro pode ser visitado de carro, parando pelas cidadezinhas no caminho, ou numa excursão de 1 dia à Rota Romântica, incluindo a visita à medieval Rothenburg ob der Tauber.

    Outro bate volta, indicado para quem se interessa por história, especialmente por nazismo e Segunda Guerra, é Dachau, primeiro campo de concentração da Alemanha. O tour ao Memorial de Dachau também está disponível a partir de Munique. Quem se interessa por história também pode pegar uma excursão de 1 dia a Nuremberg de trem saindo de Munique. Visita o centro histórico, onde fica o castelo, e a área de desfile do partido nazista.

    Mais famoso castelo da Alemanha: Neuschwanstein – Foto: Jim McDonald/ GNTB/Divulgação
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  • Lego House (Dinamarca): casa temática é atração para crianças

    Lego House (Dinamarca): casa temática é atração para crianças

    Se você é fã de Lego, deve incluir Billund em seu roteiro de viagem. Esta minúscula cidade da Dinamarca é terra dos famosos tijolinhos de brinquedo e onde a primeira Legoland foi criada. O município que fica a 265 km da capital Copenhague ganhou a Lego House, casa temática inteiramente dedicada às peças de montar. É uma atração que mescla museu e espaços para crianças e adultos brincarem com muita criatividade.

    Tem tudo para ser uma experiência tão encantadora quanto conhecer os parques temáticos e os Discovery Centre da marca — visitamos tanto a Legoland Berlim quanto a Legoland Alemanha, em Gunzburg, perto de Munique, onde também dormimos num hotel castelo da Legoland Alemanha. As crianças (e os adultos!) geralmente ficam fascinados com as formas que as pecinhas tomam pelas mãos de especialistas e também se divertem muito com os brinquedos dos parques e as áreas com o Lego para montar onde os tijolinhos prontos para serem explorados por mãos e mentes criativas.

    Como é a Lego House em Billund

    Em 2014, a Lego House começou a ser erguida no centro de Billund, a cerca de 10 minutos do segundo maior aeroporto da Dinamarca. O prédio foi projetado pelo escritório de arquitetura Bjarke Ingels Group, que levou em conta o conceito da fabricante do brinquedo.

    O edifício foi construído como se 21 grandes blocos brancos estivessem empilhados e conectados entre si, com terraços e playgrounds abertos ao público. No topo do prédio está a chamada Keystone, estrutura com as mesmas proporções de uma peça de Lego de tamanho 2×4.

    Árvore da Criatividade, bela escultura de pecinhas

    Para se ter ideia da imponência da nova atração, são cerca de 25 milhões de pecinhas num espaço de 12.000 m². O edifício tem 3 espaços para comer (café, gourmet ou restaurante para família), a Lego Square (com uma árvore de 15 m de altura no centro da praça) e uma loja. Nos andares superiores, 4 áreas coloridas (como não poderia deixar de ser) terão atividades pagas à parte.

    Com capacidade para receber até 2.500 pessoas em momentos de pico, a nova casa acredita ter 250.000 visitantes pagantes ao ano. A intenção não é só atrair gente para as atrações cobradas, mas transformar a Lego House em um centro de convivência para turistas e moradores de Billund, cidade onde toda essa deliciosa brincadeira começou.

    O que fazer na casa de Lego na Dinamarca

    A ideia da nova atração é que pessoas de todas as idades vivam intensamente essa experiência e testem todas as possibilidades de combinação usando os tijolinhos. Fico aqui só imaginando o nosso filho, Joaquim num espaço desses. Ele se divertiu muito nas bancadas da Legoland Discovery Centre, em Berlim (e olha que a quantidade de peças era infinitamente menor!).

    Edifício tem formato de construção de Lego

    Além de apreciar os detalhes da árvore na Lego Square, os visitantes podem ver figuras criadas por fãs das pecinhas do mundo inteiro, expostas na Masterpiece Gallery. Entre elas, enormes dinossauros. A History Collection mostra a evolução da marca desde que o carpinteiro Ole Kirk Kristiansen trocou a fabricação de móveis pela de brinquedos, em 1932. Lá estão os mais icônicos sets (conjuntos) de pecinhas vendidos ao longo desse tempo todo.

    Mas a grande sensação da Lego House está nos andares superiores. Cada setor, identificado por uma cor, representa o estágio do desenvolvimento de uma criança: o vermelho envolve a criatividade, o azul está relacionado à cognição, o verde tem a ver com a sociabilidade e o amarelo representa o lado emocional.

    Na Red Zone, por exemplo, 400.000 peças de Lego convidam os visitantes a soltarem a imaginação para criar formas com os tijolinhos. Já na Blue Zone, crianças e adultos testam sua desenvoltura montando robôs ou bancando o arquiteto nas construções de uma cidade.

    Quando pintar fome, o Mini Chef, para refeições em família, permite montar de fato o que você pretende comer. O pedido é entregue por robôs dentro de uma caixinha desenhada como uma peça de Lego.

    Robôs entregam a comida no restaurante da Lego House

    VALE SABER

    Endereço: Ole Kirks Plads 1, Billund, Dinamarca

    Horário: As 4 áreas coloridas funcionam diariamente, a partir das 10 horas (pode fechar às 19 ou às 20 horas, dependendo da época do ano). A praça abre meia-hora mais cedo e fecha 30 minutos mais tarde. No site oficial há um calendário com horários de abertura e de fechamento dia a dia. Vale sempre a consulta para saber sobre alterações no funcionamento

    Preço: Há poucos ingressos disponíveis na bilheteria da Lego House (e eles custam mais caro do que quando são comprados pelo site). A entrada online custa 199 coroas dinamarquesas (algo em torno de 27 euros ) enquanto na bilheteria sai a 229 coroas dinamarquesas — crianças até 2 anos, grátis. O ingresso dá direito a escolher o horário de entrada; é necessário chegar com 30 minutos de antecedência

    Alimentação: O Brickaccino é um café que oferece lanches rápidos e refeições lights; no Mini Chef dá para montar o prato pedido com peças de Lego enquanto você aguarda para saborear seu almoço ou jantar; o Le Gourmet é o único que exige reserva e serve pratos da boa gastronomia com um toque da alegria típica de Lego

    Loja: De frente para a praça, no centro da Lego House, a loja oferece conjuntos e produtos especiais

    Site: legohouse.com

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